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Mulher que viveu até os 117 anos tinha um alimento favorito: um iogurte que milhares de pessoas estão procurando

Estudo científico revela que microbiota intestinal da mulher mais velha do mundo era "quase juvenil"

Ela sobreviveu a duas guerras mundiais, à Guerra Civil Espanhola e até à Covid-19 aos 113 anos

Imagem | Unsplash
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

1974 publicaciones de PH Mota

Todas as manhãs, por mais de um século, María Branyas Morera repetia um gesto simples: abrir um iogurte e comê-lo lentamente. Era sempre da mesma marca, La Fageda, produzida na região de Garrotxa, na Catalunha. Quando morreu em 2024, aos 117 anos e 168 dias, ela não só se tornou a pessoa mais velha do mundo, como também foi alvo de uma descoberta inesperada: esse hábito diário pode ter sido uma das chaves para a sua saúde extraordinária.

Segredo do iogurte

A atenção da mídia foi despertada por um detalhe aparentemente simples: Branyas consumia iogurtes da marca catalã La Fageda diariamente. Após a divulgação dos resultados da pesquisa, a empresa recebeu ligações do Reino Unido de pessoas interessadas em comprar ou até mesmo distribuir os iogurtes, como explicou seu diretor no programa de rádio "La Ventana", da SER.

De acordo com o estudo, publicado na Cell Reports Medicine, Branyas consumia até três iogurtes por dia dessa marca catalã, conhecida por seu trabalho social. Além disso, seus iogurtes são feitos com leite de sua própria fazenda e um processo de fermentação projetado para manter as bactérias vivas até o final do prazo de validade.

Muito além dos laticínios

A análise científica conclui que seu microbioma intestinal era "quase juvenil", apesar de sua idade avançada. Suas amostras mostraram uma abundância incomum de Bifidobacterium, bactérias que normalmente diminuem com a idade e que ajudam a reduzir a inflamação e melhorar a saúde metabólica. O iogurte pode ter contribuído para esse equilíbrio, mas os próprios pesquisadores alertam que não é a única chave. "Não se pode confirmar que o iogurte sozinho explique sua longevidade, embora provavelmente tenha modulado seu microbioma", afirmam no estudo.

Combinação de fatores favoráveis

Além do iogurte, a biologia de Maria Branyas guardava um enigma surpreendente. A genética lhe reservou cartas vencedoras: variantes que a protegiam da demência, do câncer e de problemas cardíacos. Até mesmo seus telômeros, aquelas estruturas que se desgastam a cada divisão celular, pareciam trabalhar contra ela — eram muito curtos —, mas, no caso dela, podem ter se tornado um escudo contra tumores.

Quanto ao seu relógio biológico (ou epigenético), ele revelou que, em termos biológicos, ela era até duas décadas mais jovem do que sua carteira de identidade indicava. Essa vantagem era complementada por um sistema imunológico ainda vigoroso e um metabolismo de colesterol invejável.

O resto dependia dela: Branyas seguia uma dieta mediterrânea, tomava um smoothie de oito grãos todas as manhãs, nunca fumou nem bebeu álcool, caminhava diariamente até a velhice e mantinha uma vida social ativa. Ela sobreviveu a duas guerras mundiais, à Guerra Civil Espanhola, à gripe espanhola e até mesmo à Covid-19, da qual se recuperou aos 113 anos.

Nova linha de investigação

A equipe de Manel Esteller, do Instituto Josep Carreras, acredita que este caso pode abrir caminho para terapias que imitem os efeitos de "bons genes" ou de um microbioma rejuvenescido. O estudo sugere ainda a possibilidade de desenvolver medicamentos que repliquem os benefícios de uma flora intestinal saudável.

Novo debate

Como sempre acontece quando uma nova linha de pesquisa é aberta, nem todos os especialistas concordam. A geneticista de Harvard, Immaculata De Vivo, alertou que extrapolar a partir de um único caso é arriscado: "A longevidade depende de probabilidades, não de absolutos". Da Johns Hopkins, a oncologista Mary Armanios acrescentou que os genes associados à longevidade nem sempre preveem o futuro: o que parece vantajoso para alguns pode não ser para outros. Além disso, a própria desigualdade social introduz diferenças de até 20 anos na expectativa de vida, como Armanios ilustrou com o exemplo de Baltimore.

Além deste caso

A história de Maria Branyas mostra que envelhecer não significa necessariamente estar doente, como noticiou o The Guardian. Sua longevidade parece ser o resultado de um delicado equilíbrio entre genética resiliente, hábitos saudáveis, um ambiente social positivo e talvez até mesmo um iogurte diário.

Imagem | Unsplash e Unsplash

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