Meta cria “Tamagotchi” com sua nova IA para usar como chaveiro, colar ou pulseira

O pequeno dispositivo tem tela, câmeras e o novo Muse

Muse Charm
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Ao fim da conferência Meta Connect, no dia 23/9, Mark Zuckerberg anunciou um último produto. Trata-se do Muse Charm, um pequeno dispositivo com um personagem divertido na tela que, inevitavelmente, lembra um Tamagotchi. Ele se chama Muse Charm e, dentro dele, “vive” o novo agente de IA da companhia, Muse.

A ideia da Meta com o Muse Charm é que possamos ter sempre à mão seu agente de IA, mesmo que não estejamos com o celular. Segundo Zuckerberg, a empresa colocou “toda a experiência Muse, incluindo o sistema de voz e o avatar em tempo real” dentro deste pequeno pingente que pode ser levado no chaveiro, pendurado no pescoço ou preso com uma pulseira.

Basta colocar a digital no sensor localizado na lateral e você pode falar com o Muse sem precisar desbloquear o celular ou abrir aplicativos. “Se você não estiver usando óculos, é a forma mais rápida de falar com o Muse”, disse Zuckerberg durante o evento. A expectativa é que ele chegue às lojas no próximo mês de dezembro.

No evento, foram apresentados poucos detalhes sobre as características técnicas, mas, graças à Bloomberg, sabemos mais detalhes sobre o Muse Charm. Ele tem uma tela OLED sensível ao toque de 2 polegadas, conectividade 5G e duas câmeras, uma na frente e outra atrás. Embora seja possível capturar vídeos e fotos com elas, a ideia é mais dar “olhos” ao Muse, para que a IA possa entender o ambiente e nos ajudar. O gadget também tem alto-falante, microfones e uma porta USB para carregamento.

Charm

Com relação ao software, a Meta criou um sistema operacional específico para esse dispositivo. A tela mostra um personagem virtual que pode ser personalizado tanto na aparência quanto na voz. Os personagens de dois Muse Charms colocados lado a lado poderão interagir entre si.

Soa familiar

O Muse Charm lembra muito outros dispositivos que tentaram levar a IA para um hardware próprio, como o Humane AI Pin e o Rabbit R1, duas apostas que acabaram se tornando uma enorme decepção. O Rabbit R1 conseguiu vender 100 mil unidades, mas a viralidade durou pouco e, meses depois, apenas 5% de seus compradores estavam usando o aparelho.

O caso do Humane AI Pin foi ainda mais grave. Quando foi lançado, a promessa era tornar o smartphone obsoleto, mas o que acabou ficando obsoleto foi seu produto. A fabricante o deixou sem atualizações nem suporte, transformando-o em um peso de papel de 700 dólares (R$ 3.600).

A OpenAI também está nessa. Desde que a criadora do ChatGPT comprou a empresa de Jony Ive em maio de 2025, a companhia vem dando a entender que está preparando um hardware revolucionário que seria como “o iPhone da IA”. Até o momento, nada foi confirmado, mas houve alguns vazamentos. Primeiro, falou-se que poderia ser um dispositivo sem tela, no estilo do Humane AI Pin; depois, que poderia ter formato de rosquinha; e até que seriam fones de ouvido. A questão é que a OpenAI também está investindo na criação desse hardware para IA.

Por que usar outro dispositivo?

O maior desafio dessas novas propostas é convencer os usuários a usarem mais um dispositivo no dia a dia. Substituir o smartphone se mostrou uma ideia muito ambiciosa e pouco realista, e a Meta sabe disso. Em uma entrevista à Bloomberg, Andrew Bosworth, CTO da Meta, disse que “é de esperar que mais pessoas usem o Muse por meio de seus óculos e de seu celular do que por meio de um dispositivo específico do tipo pingente”, mas acredita que ele terá sucesso porque o Muse já tem “um grupo bastante sólido de seguidores incondicionais”.

Diferentemente da Humane, a Meta não apresenta esse produto como um substituto do celular, mas como um complemento pensado para os fãs do Muse, assim como os óculos. É outra maneira de dizer que não esperam que seja um dispositivo de massa.

A Meta está atrás dos principais laboratórios no que diz respeito à IA de fronteira, mas deu um passo importante em direção a uma nova forma de interagir com a IA, uma que pode impulsionar uma adoção em massa: a IA agêntica para o grande público. O que a Meta fez com seu agente Muse AI foi reduzir a barreira de entrada para que qualquer pessoa possa ter um agente pessoal.

Por enquanto, o Muse AI está disponível apenas nos EUA, mas já conseguiu acumular 2,5 milhões de downloads e recebeu avaliações muito positivas. Talvez a Meta não tenha o agente mais potente do mercado, mas está fazendo algo mais importante: popularizá-lo.

Imagens | Meta

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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