O Google tem um plano ambicioso para a IA: colocar milhares de chips em órbita e alimentá-los com energia solar

Uma vez em órbita, o satélite desdobrará seus painéis solares para produzir a energia usada pelos chips de IA

Satélite experimental
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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O Google está testando uma maneira diferente de processar inteligência artificial: levar os chips para o espaço e aproveitar a luz do Sol como fonte de energia.  O primeiro experimento do Projeto Suncatcher será lançado em 1º de outubro, a bordo de um foguete Falcon 9 da SpaceX, a partir da Califórnia. O satélite experimental terá quatro unidades de processamento tensorial (TPUs), que vão executar tarefas simples de IA diretamente no espaço. A proposta ainda não vai substituir os data centers terrestres, mas o Google já trabalha em uma futura rede de satélites que poderão se comunicar e dividir o processamento de consultas de IA.  

Primeiro satélite vai testar chips de IA em condições extremas

Antes de pensar em uma estrutura gigantesca no espaço, o Google precisa descobrir se seus componentes conseguem funcionar fora da Terra. E é exatamente esse o objetivo do Projeto Suncatcher: colocar em órbita um satélite experimental, chamado MVP, equipado com quatro TPUs e painéis solares próprios. A ideia é verificar se os chips conseguem processar consultas simples de inteligência artificial enquanto operam no ambiente espacial.

Quando os módulos forem abertos no espaço, eles ficarão voltados para o Sol e fornecerão aproximadamente 1 quilowatt de energia para os chips. É uma quantidade pequena diante do que seria necessário para um data center comum, mas suficiente para o experimento. Durante a missão, o equipamento deverá responder a consultas simples de inteligência artificial e permanecer em operação por um ano, embora a previsão seja de que o satélite possa permanecer em órbita por até seis anos.
O projeto começou a ser testado em fevereiro de 2025. O Google levou seus chips ao Laboratório Nuclear Crocker, na Califórnia, onde um acelerador de partículas simulou uma dose de radiação equivalente àquela que os componentes receberiam durante cinco anos no espaço. O objetivo era descobrir se a radiação poderia comprometer o funcionamento dos chips. 

Um dos problemas encontrados é conhecido como inversão de bits. A radiação pode alterar os valores binários de um circuito, transformando zeros em uns ou uns em zeros e provocando erros no processamento. Nos testes realizados pelo Google, porém, reiniciar os chips geralmente foi suficiente para corrigir essas alterações. A equipe também precisou encontrar uma solução para outro problema pouco comum em data centers terrestres: como retirar o calor dos chips sem ventiladores. 

No espaço, o sistema desenvolvido pelo Google utiliza camadas de materiais condutores para transportar o calor dos componentes até um painel responsável por dissipá-lo para o ambiente espacial. Mesmo assim, existe uma limitação importante. Os chips conseguem operar por aproximadamente 15 minutos antes de precisarem ser desligados para esfriar. Durante esse intervalo, o satélite poderá usar o poder de processamento das TPUs para executar consultas curtas de inteligência artificial, incluindo tarefas feitas pelo Gemini, modelo de IA do Google. 

Google já planeja uma rede de satélites para processar IA no espaço

satélite expeimental Google testa chips de IA no espaço em projeto que pode mudar a forma como dados são processados

O pequeno satélite é apenas o primeiro passo de uma proposta muito maior do Google. O Projeto Suncatcher nasceu da preocupação com a quantidade crescente de energia exigida pela inteligência artificial e da ideia de aproveitar a luz solar disponível fora da atmosfera para alimentar sistemas de computação. A próxima etapa já está em planejamento: o Google pretende lançar dois satélites em 2027 e também estuda frotas com mais de 80 unidades voando em formação, comunicando-se entre si enquanto processam consultas de IA. A empresa chegou a considerar a construção de um satélite personalizado do tamanho de um campo de futebol.

A ideia é tirar parte da infraestrutura de IA do chão. Ao invés de depender apenas de grandes centros de processamento na Terra, empresas de tecnologia poderiam usar uma rede de satélites para aproveitar a energia solar disponível em órbita e distribuir as tarefas entre diferentes pontos. Na prática, porém, ainda existe uma questão central: provar que esse modelo consegue funcionar de forma confiável sem se tornar caro demais. 

O Google estima que os custos de data centers orbitais poderiam se aproximar dos terrestres em meados da década de 2030, caso o preço dos lançamentos de satélites continue caindo. No entanto, a empresa não revelou quanto já investiu no projeto. 

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