Agricultor espanhol obcecado por abóboras gigantes é dono do recorde nacional de 1.187,5 quilos

Suas abóboras, nos dias de crescimento máximo, chegam a ganhar 28 quilos em 24 horas

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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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Quanto pesa a maior abóbora da Espanha? E qual foi a maior melancia da história? Cebolas, batatas e abóboras gigantes são algo que fascina, gera expectativa e hipnotiza. Tanto que existe uma cultura de torneios e competições para encontrar o exemplar mais majestoso. O agricultor Rubén Mendi, de Navarra, na Espanha, está há dezesseis anos entre os agricultores que estão sempre pensando em bater recordes. Primeiro, ele fez isso com uma abóbora de 1.033 quilos em sua própria cidade e, oito dias depois, com outra de 807 quilos na Fira de Carbasses Gegants da cidade de Sidamon (Lérida).

Nas redes sociais, os filhos do agricultor o rebatizaram como O Rei das Abóboras. Ele administra acomodações rurais escavadas nas Bardenas Reales e concilia o turismo com essa obsessão que cultiva há quase duas décadas. Tudo começou quando participou pela primeira vez da segunda edição do concurso de sua cidade com uma abóbora de 110 quilos; o vencedor daquele ano chegou a 200. Muitos dos que começaram com ele foram desistindo. Mendi, segundo conta, continua porque “leva jeito”.

Antes de Mendi entrar em cena, em 2016, Carlos Callén estabeleceu o recorde nacional espanhol com 631,6 quilos, superando os 488 quilos de Jorge Monfort em 2014. Em 2017, Mendi pulverizou essa marca fazendo algo pouco habitual: cultivou três abóboras de mais de 800 quilos no mesmo ano — 811, 850,5 e 921,5 quilos —, estabelecendo dois recordes da Espanha em uma única temporada. Desde então, não largou o trono. Em 2020, já liderava o ranking nacional com 992 quilos.

Em 2023, chegou a 1.157,5 quilos. Em 2025, ao lado de sua mulher, Anabel Vicente, chegou aos 1.187,5 quilos, que, até hoje, continuam sendo o recorde espanhol. O verão quente deste ano complicou o cultivo. Mas seu exemplar da XVII Feira de Valtierra ficou em 1.033 quilos, o suficiente para levar os 3.000 euros (R$ 17,6 mil) do primeiro prêmio e sua oitava vitória no Concurso Internacional de Valtierra.

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Samuel Pérez Collado levou os 1.000 euros (R$ 5,9 mil) da categoria de melancias com um exemplar de 82,5 quilos, o próprio Mendi venceu na categoria de berinjelas com 3,28 quilos, María Carmen González Pino venceu na categoria de melão Cantaloupe com 8,35 quilos, Guillermo Marín Herranz triunfou na categoria de abobrinha Long Gourd com um exemplar de 92 centímetros e a britânica Kat Daisy venceu a categoria de tomates com 1,335 quilo. Em edições anteriores, houve até mesmo o título de “Maior Produtor de Abóboras” e um prêmio para a abóbora mais bonita.

Oito dias depois do campeonato, Mendi atravessou a fronteira entre comunidades autônomas para participar da quinta Fira de Sidamon, onde já havia vencido no ano anterior com 959,5 quilos. Desta vez, sua abóbora pesou 807 quilos, o suficiente para conquistar o primeiro lugar novamente. O segundo lugar foi para o próprio prefeito da cidade anfitriã, Sergi Balcells, com 458,5 quilos; o terceiro, para Josep Maria González, “Poti”, com 320. Ganhar do prefeito tem seu charme.

O segredo

As abóboras de Mendi, nos dias de crescimento máximo, chegam a ganhar 28 quilos em 24 horas, um ritmo que explica por que a irrigação e o monitoramento diário são inegociáveis durante meses. Tão inegociáveis que também condicionam sua outra paixão: ele é caçador desde jovem e chegou a se formar como guarda de caça em Madri no ano 2000. Até terminar de cultivar suas abóboras, ele não sai para caçar.

Quase todo exemplar com mais de 400 quilos que hoje sobe a uma balança, em Navarra ou na Califórnia, descende geneticamente do mesmo homem: Howard Dill, agricultor da Nova Escócia que patenteou em 1979 a variedade Atlantic Giant, por sua vez descendente de uma abóbora gigante francesa do século 19, a Jaune Gros de Paris. Dill foi coroado “Pumpkin King” depois de vencer naquele ano com 199 quilos. Suas sementes, cruzadas e aperfeiçoadas ao longo de gerações, continuam sendo a base genética de quase todos os recordes batidos atualmente.

Na Espanha existe a Giganteas, a associação de cultivadores de abóboras e hortaliças gigantes que compõe o júri em concursos como o de Valtierra. Em escala mundial, quem certifica que um recorde é realmente um recorde é a Great Pumpkin Commonwealth (GPC), a entidade que estabelece os padrões da competição e sanciona oficialmente as pesagens em cerca de uma centena de locais pelo mundo — é, de fato, a referência usada pelo próprio Guinness para homologar a família Cucurbita maxima.

Valtierra e Sant Feliu de Codines (Barcelona) são os dois grandes nomes históricos, mas há mais: Sedó, na comarca de Segarra, em Lérida, reúne todos os anos cultivadores de vários pontos da Espanha. E uma entusiasta da Cantábria estabeleceu neste mês um recorde regional de 197,5 quilos participando do próprio concurso de Valtierra, aproveitando para levar sobaos, quesadas e anchovas e “colocar a Cantábria no mapa”. No El Retiro, em Madri, há um concurso de abóboras raras e, em Alcalá la Real (Jaén), a cebola mais pesada do ano rondava os 2,6 quilos. Uma barbaridade.

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Uma questão de tamanho

O Mendi europeu se chama Peter Glazebrook: entre os recordes desse inglês estão uma couve-flor de 27,48 quilos (a mais pesada já registrada quando ele a apresentou em 2014) e uma cenoura de mais de 9 quilos no mesmo ano, superada depois por um cultivador de Minnesota. Ele também cultivou chirívias de quase 6 quilos e beterrabas alongadas de vários metros. O recorde de cebola, por sua vez, pertence atualmente a Gareth Griffin, com um exemplar de 19,77 quilos que superou os 18,68 quilos que Tony Glover havia apresentado em 2014.

O recorde mundial. O teto mundial pertencia a Travis Gienger, professor de horticultura em Minnesota, com uma abóbora de 1.247 quilos que pulverizou o recorde anterior (de um agricultor italiano, com 1.226 quilos) no Safeway World Championship Pumpkin Weigh-Off de 2023. Mas esse teto se moveu: em 6 de outubro de 2025, os irmãos gêmeos britânicos Ian e Stuart Paton apresentaram no Wargrave Nursery Giant Vegetable Weigh-off (Berkshire) uma abóbora batizada de “Muggle”, que marcou 1.278,8 quilos, homologados pela GPC, e que, de quebra, também bateu o recorde de maior circunferência, com 6,49 metros.

Quem come um bicho desses? A resposta tem nuances: essa abóbora é uma variedade forrageira, pensada para o tamanho antes que para o sabor, com uma polpa aguada e pouco doce. É possível triturá-la para fazer purê, mas o habitual é que acabe servindo de alimento para animais (as vacas e ovelhas de seu sogro comem a abóbora, declarou Mendi), e a própria abóbora recordista da Espanha acabou sendo doada a um conhecido de Valência para suas galinhas. Aliás, quando Gienger venceu em 2024 em Half Moon Bay, sua abóbora acabou nas mãos de escultores profissionais, que a transformaram em uma escultura de Halloween no sul da Califórnia. Em Madri, as vencedoras acabam expostas no centro cultural do parque até depois das festas.

No Reino Unido, mais de 8 milhões de abóboras são descartadas apenas depois da noite de 31 de outubro, e a ONG Hubbub calcula que mais de 1 em cada 4 acaba em aterros sanitários, o equivalente a 18 mil toneladas de alimentos. Nos Estados Unidos, são cultivados cerca de 900 milhões de quilos de abóbora por ano e mais da metade também acaba em aterros sanitários. O problema não é apenas o desperdício: ao apodrecerem sem oxigênio, essas toneladas geram metano, um gás de efeito estufa muito mais potente que o CO2. O Pumpkin Smash recolhe milhares de abóboras para transformá-las em composto ou biogás e, no Reino Unido, existe a campanha #PumpkinRescue.

A chave para aproveitar uma abóbora tão aguada está em concentrar seu sabor antes de cozinhá-la: assá-la no forno, retirar a polpa e deixá-la escorrer durante toda a noite sobre um pano resulta em um purê muito mais denso do que se ela for cozida em água, e ele congela bem. A partir daí, as opções são quase infinitas: cremes, bolos e tortas são os preparos habituais, mas ela também funciona em croquetes assados, em um dhal de lentilhas ou como base de uma massa de pizza. Sua polpa, mais fibrosa que a de outras variedades, também permite gratinados e risotos.

Imagens | 3CatInfo / Pexels (Keith Cassill, Kris Møklebust)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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