Grupo de bilionários avança no plano de criar cidade exclusiva no Uruguai para sobreviver ao mundo pós-IA

4.000 pessoas estão dispostas a se mudar; projeto foi abraçado por ex-assessor de Milei

Praxis no Uruguai
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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Há gente que leva meses para encontrar um apartamento. Dryden Brown, cofundador e diretor executivo da empresa Praxis, está há anos procurando o lugar adequado para construir uma cidade inteira e compartilhá-la com outros bilionários. Com suas próprias leis e, claro, com sua própria tributação.

Na lista de Brown para instalar sua cidade-estado estavam praias do Mediterrâneo e até uma tentativa frustrada de desembarcar na Groenlândia com o talão de cheques preparado. Diante da negativa das autoridades dinamarquesas, finalmente venceu a opção mais discreta: o Uruguai.

A Praxis nasceu na internet, entre chats de Discord, Telegram e Signal de milionários anarcocapitalistas, criptobros e festas de luxo em Manhattan. O conceito se inspira no estado-rede de Balaji Srinivasan, ex-diretor de tecnologia da plataforma de negociação de criptomoedas Coinbase. Segundo ele desenvolve em seu livro O Estado-Rede: Como fundar um novo país, o modelo se baseia em uma comunidade online com valores em comum (e muito dinheiro) comprar um território e pedir que outros países a reconheçam.

O site oficial afirma ter mais de 4.000 pessoas dispostas a se mudar. Em um artigo do jornal The New York Times, Brown conta que, durante a pandemia, começou a ler “coisas de direita meio estranhas na internet”. Depois, levou “pessoas de direita meio estranhas da internet para festas” e o projeto foi tomando forma aos poucos, com base nas adesões de novos membros por meio dos “vistos de aço” da Praxis, que registram seu compromisso com o projeto.

Em 2023, a Praxis já havia arrecadado quase 20 milhões de dólares, doados por empresas e fundos de capital de risco ligados a nomes como Sam Altman, Peter Thiel ou o malogrado menino prodígio das criptomoedas Sam Bankman-Fried.

Do Mediterrâneo à Groenlândia

Seguindo a origem grega de seu nome, o plano inicial para encontrar uma localização real para a Praxis era algum lugar no Mediterrâneo e, segundo o Wall Street Journal, o projeto inicial estimava uma área próxima de 400 hectares para abrigar cerca de 10 mil “praxianos”. No entanto, a equipe descartou a região por ficar perto demais de conflitos ativos.

Praxis Projeto de mansão em Praxis

Então Brown voltou os olhos para o Ártico e viajou para a Groenlândia com uma ideia ambiciosa: comprar a ilha inteira. Depois, admitiu ao site TechCrunch que os groenlandeses têm um orgulho que faz com que a ideia de serem comprados pareça “quase condescendente”. Mesmo que tivesse convencido os groenlandeses, ainda havia outro obstáculo. A lei de autogoverno de 2009 exige três passos para a independência. É necessário o aval do parlamento groenlandês, um referendo e o consentimento do parlamento dinamarquês. Sem essa última etapa, o sonho ártico ficou no papel.

Por que o Uruguai

O Uruguai oferece tranquilidade e regras claras, além de dar um tratamento fiscal especial aos novos residentes por um período de até 11 anos. Brown vende a ideia com jargão de surfista: uma “vibe de Suíça na América do Sul” e “umas ondas ótimas”. Sua chegada ao Uruguai está vinculada a um projeto imobiliário chamado +Colonia que já está em andamento e com o qual os milionários compartilham a visão de uma cidade futurista hiperconectada e ecossustentável.

Eduardo Bastitta, ex-assessor econômico de Javier Milei e idealizador da +Colonia, explicou à Forbes Uruguay que a Praxis havia projetado um investimento de 1 bilhão de dólares durante os primeiros anos de desenvolvimento, integrando-se assim ao projeto +Colonia em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai e a cerca de 45 km de Buenos Aires.

Essa proximidade com a Argentina também tem seu peso. “O refúgio diante da Terceira Guerra Mundial é o terceiro elemento e o menos relevante. É o que nos permite competir com Dubai, com o Catar, que teve seu aeroporto bombardeado. Na competição com a Europa e com os países árabes, estar mais longe da guerra nos beneficia”, afirmou Bastitta à Forbes. Vale lembrar que Peter Thiel, cofundador do PayPal, se mudou para Buenos Aires há alguns meses. Outros milionários da tecnologia também escolheram a Argentina como refúgio caso a geopolítica se complique.

Por enquanto, tudo que foi assinado entre +Colonia e Praxis é um acordo em grande medida não vinculante. Bastitta admitiu que a compra dos terrenos ainda não foi efetivada. Os primeiros moradores chegariam em meados de 2027. Brown promete respeitar a legislação uruguaia e não exige um governo próprio, por enquanto.

Raymond Craib, historiador da Universidade de Cornell e autor do livro Adventure Capitalism: A History of Libertarian Exit, from the Era of Decolonization to the Digital Age, alerta que, até agora, essas cidades-estado “não tiveram um desempenho particularmente bom”. Exemplos não faltam. É o caso de Próspera, a cidade privada de Honduras que acabou em uma arbitragem internacional depois que o país revogou a lei que a amparava.

Imagem | Praxis

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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