A OMS decidiu promover contraceptivos masculinos para aliviar o fardo histórico das mulheres e mudar a divisão do planejamento familiar

Organização estabelece critérios para que futuras pílulas, injeções, géis e implantes sejam seguros, eficazes, reversíveis e acessíveis

Contraceptivo Masculino
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em 22 de setembro de 2026 seu primeiro documento com critérios para orientar o desenvolvimento de novos contraceptivos masculinos. A proposta é ampliar as alternativas de contraceptivos, que hoje estão concentradas principalmente em preservativos, vasectomia e coito interrompido, criando opções reversíveis que também possam ser usadas pelos homens no planejamento familiar. O documento estabelece parâmetros para métodos que atuem na produção, na função ou no transporte dos espermatozoides. 

OMS estabelece regras para uma nova geração de contraceptivos masculinos

A participação masculina na contracepção ainda é limitada a poucas alternativas. Para ampliar as opções, a OMS criou o novo Perfil de Produto-Alvo, que estabelece uma referência comum para pesquisadores, desenvolvedores, órgãos reguladores e financiadores envolvidos na criação de novos métodos. O documento define características que os futuros contraceptivos devem buscar, como segurança, eficácia, reversibilidade, aceitação pelos usuários e preço acessível. A orientação contempla três caminhos principais: interromper a produção de espermatozoides, bloquear suas funções ou impedir que eles sejam transportados pelo sistema reprodutor masculino.

Com isso, os futuros métodos poderão assumir diferentes formatos, como comprimidos, injeções, géis e implantes sob a pele. A ideia é que essas alternativas possam ser interrompidas quando o homem quiser recuperar a fertilidade, diferentemente da vasectomia, que funciona como uma solução permanente. A OMS também estabeleceu parâmetros mínimos de desempenho para os novos métodos. Para algumas categorias, por exemplo, a organização recomenda eficácia contraceptiva de pelo menos 90% a 93%, além de preços que permitam o acesso em diferentes contextos econômicos.

Um dos caminhos estudados envolve a supressão da espermatogênese, processo responsável pela formação dos espermatozoides. Como essas células levam aproximadamente 60 a 80 dias para serem produzidas, métodos que atuam nesse mecanismo precisam considerar também o tempo necessário para que a produção seja reduzida e posteriormente recuperada.

Outra possibilidade é bloquear os canais responsáveis pelo transporte dos espermatozoides. Nesse caso, a orientação da OMS é que o efeito seja reversível e que o custo fique abaixo do de uma vasectomia. Em países de baixa e média renda, a organização afirma que menos de 0,1% dos homens escolhem a vasectomia como método para evitar uma gravidez.

Interesse pelos contraceptivos masculinos cresce, mas outras opções ainda estão em desenvolvimento

diferentes métodos contraceptivos Novos contraceptivos masculinos podem incluir comprimidos, géis, injeções e implantes, além dos métodos já disponíveis

A criação dessas alternativas também depende de uma questão que vai além da tecnologia: existe interesse suficiente para que homens e casais realmente adotem esses métodos. Um estudo publicado em 2026 na revista Contraception analisou aproximadamente 2 mil questionários de homens e suas parceiras na Colômbia, Gana, Marrocos e Togo. Entre os 1.945 participantes com respostas completas, 72,3% dos homens e 76,2% das parceiras disseram estar dispostos a usar novos contraceptivos masculinos. A taxa variou de 69,4% no Togo a 82,2% na Colômbia.

A pesquisa também encontrou uma relação entre maior disposição para utilizar esses métodos e atitudes mais favoráveis à divisão da responsabilidade pela contracepção. Entre as mulheres entrevistadas, mais de 85% disseram confiar que seus parceiros assumiriam a responsabilidade pelo uso de um contraceptivo masculino, segundo os dados apresentados pela OMS.

O interesse, porém, não significa que uma nova opção estará disponível nas farmácias em breve. Existem candidatos hormonais e não hormonais em diferentes etapas de desenvolvimento, mas os métodos precisam passar por estudos clínicos e avaliações regulatórias antes de chegar ao mercado. Entre os projetos mais avançados está um método hormonal que combina testosterona e um progestágeno para reduzir a produção de espermatozoides. Ele ainda está em desenvolvimento clínico e precisaria avançar por etapas posteriores de testes antes de uma eventual aprovação.

O principal objetivo do novo documento, portanto, não é colocar uma nova pílula masculina no mercado imediatamente, mas estabelecer uma espécie de mapa para orientar a próxima geração de contraceptivos. Ao definir antecipadamente o que esses produtos devem oferecer, a OMS pretende reduzir diferenças entre projetos e dar aos pesquisadores e desenvolvedores critérios comuns para transformar candidatos experimentais em métodos que possam ser avaliados para uso real.

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