Milhões de sementes de tomate passaram anos fora da Terra dentro de uma plataforma da NASA. Elas não estavam lá para alimentar astronautas nem para cultivar tomates no espaço: faziam parte de um experimento que buscava descobrir o que acontecia com elas após permanecerem tanto tempo em órbita.
Em 1984, a NASA enviou ao espaço cerca de 12,5 milhões de sementes de tomate. As sementes faziam parte do programa SEEDS (Space Exposed Experiment Developed for Students), desenvolvido pela NASA, pelo centro de pesquisas Langley e pela empresa Park Seed.
O plano original previa que as sementes ficassem em órbita por cerca de um ano. No entanto, o calendário não saiu como o esperado. Após a tragédia do ônibus espacial Challenger em 1986, as missões espaciais foram suspensas e a recuperação das sementes foi adiada. Como resultado, elas permaneceram dentro de recipientes na plataforma LDEF (Long Duration Exposure Facility) até janeiro de 1990, quando foram resgatadas pela missão STS-32.
O que originalmente deveria ser uma exposição relativamente curta transformou-se em um experimento involuntariamente muito mais extremo. As sementes passaram quase seis anos expostas ao ambiente orbital e à radiação cósmica, embora mantidas dentro de recipientes de alumínio vedados.
O retorno à Terra e o experimento nas salas de aula
Quando as sementes finalmente retornaram, os pesquisadores realizaram os primeiros testes de germinação e notaram algo curioso: os primeiros lotes expostos ao espaço chegaram a germinar entre 18% e 30% mais rápido do que as sementes de controle que haviam permanecido na Terra.
Mas isso era apenas o começo. A NASA distribuiu cerca de 132.000 kits de experimentos para mais de 3,3 milhões de estudantes em escolas dos Estados Unidos e de outros 30 países. Cada kit continha sementes que viajaram ao espaço e sementes de controle mantidas na Terra.
Era uma iniciativa de ciência cidadã décadas antes de o conceito se popularizar: alunos do ensino fundamental ao médio plantaram ambos os grupos, mediram o crescimento, registraram a aparição de folhas e frutos, e enviaram seus dados para a NASA.
Os resultados no solo
Os resultados foram menos espetaculares do que a ficção científica poderia sugerir, mas altamente valiosos para a ciência. As sementes espaciais não geraram superplantas nem mutações perigosas. No entanto, análises posteriores e os relatórios dos alunos confirmaram que as sementes do espaço germinaram ligeiramente mais rápido no início, embora essa vantagem tenha se equalizado após cerca de quatro semanas de crescimento.
Para a NASA, o experimento atingiu seu maior objetivo: além de coletar dados valiosos sobre a resistência de organismos vivos a longos períodos de radiação e microgravidade, conseguiu aproximar a pesquisa espacial de milhões de jovens de forma prática e direta.
Matéria traduzida de Xataka*
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