Em 1816 o ano em que o mundo quase acabou: anomalia 'bizarra' que desligou o Sol e mergulhou a Terra em um inverno eterno

Erupção histórica lançou partículas na atmosfera, bloqueou a luz solar e desencadeou uma crise climática que impactou a agricultura, a economia e a vida de milhões de pessoas

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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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O verão costuma ser a estação mais aguardada do ano, especialmente no hemisfério norte, onde o calor aparece em poucas épocas do ano. Mas em 1816, por mais inacreditável que possa parecer, ele simplesmente não veio. O período ficou conhecido como “ano sem verão”, quando temperaturas anormalmente baixas atingiram Europa, América do Norte e algumas partes da Ásia. O fenômeno foi provocado por uma erupção vulcânica ocorrida no ano anterior, mas não qualquer uma: foi a maior erupção vulcânica ocorrida na época. Como consequência, ele alterou completamente o clima global e ficou conhecido como um dos episódios climáticos mais extremos da história.

O ano sem verão? Entenda o que foi o fenômeno

O ano de 1816 entrou para a história como o ano em que o clima saiu completamente do padrão. Em pleno verão no hemisfério norte, regiões inteiras enfrentaram frio intenso, geadas fora de época e neve. Há registros de neve em agosto em cidades como Nova York e de rios congelados em pleno verão, algo completamente improvável. Em partes da Europa, também foram percebidas mudanças incomuns, com temperaturas muito abaixo da média e até episódios de neve escura, tingida por partículas na atmosfera. 

Mas o que está por trás de tudo isso? A erupção do Monte Tambora, localizado na ilha de Sumbawa, na Indonésia, em abril de 1815. Considerada uma das maiores erupções vulcânicas dos últimos milênios, ela lançou enormes quantidades de cinzas e dióxido de enxofre na estratosfera.

Esses gases se transformaram em aerossóis de sulfato, que se espalharam pelo planeta e formaram uma espécie de “véu” na atmosfera. Esse bloqueio reduziu a quantidade de luz solar que chegava à superfície, provocando um resfriamento global, um fenômeno conhecido como inverno vulcânico. Estimativas indicam que a temperatura média da Terra caiu até 3 °C naquele período, gerando um impacto significativo em diversas áreas.

Um ano sem verão resultou em colheitas destruídas e fome generalizada

O efeito mais imediato do fenômeno foi sentido no campo. Afinal, o sol é a base vital da agricultura e produção de alimentos. Por isso, as geadas fora de época e o frio persistente destruíram plantações inteiras na Europa e na América do Norte. Com a perda das safras, os alimentos ficaram mais escassos, disputados e caros. A consequência foi uma onda de fome, conflitos e saques em mercados e armazéns. 

Além de vidas humanas e da vegetação, o clima extremo também afetou a fauna. Animais também morreram em grande número, o que acabou agravando ainda mais a crise, especialmente porque cavalos eram essenciais para transporte e trabalho.

Embora o hemisfério sul não tenha vivido um “ano sem verão” da mesma forma, também sentiu reflexos, como alterações nos padrões de chuva e períodos mais secos. Na Ásia, o fenômeno provocou enchentes, atrasos nas monções e perdas agrícolas.  O impacto foi tão significativo que muitos historiadores consideram o “ano sem verão” uma das últimas grandes crises de subsistência do mundo ocidental. 

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