Como a Positivo fabrica notebooks no Brasil e aposta na era dos AI PCs

Visitamos a fábrica da empresa em Manaus para conhecer a linha de produção, entender o processo de montagem dos equipamentos e descobrir como a parceria com a Intel prepara a próxima geração de computadores.

Fábrica da Positivo em Manaus
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Isabella Cacélia

Redatora
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Isabella Cacélia

Redatora

A fabricação de um notebook envolve muito mais do que colocar uma placa, uma tela e um teclado dentro de uma carcaça. Por trás de um computador que chega às lojas existe uma cadeia de produção altamente tecnológica, com máquinas de precisão, testes automatizados e processos que precisam garantir que cada equipamento entregue desempenho, segurança e confiabilidade.

Para conhecer de perto essa operação, o Xataka Brasil foi convidado pela Positivo Tecnologia para visitar sua fábrica em Manaus, no Amazonas, onde acompanhamos o processo de montagem dos computadores da marca e conhecemos os bastidores da produção nacional de notebooks, servidores e maquininhas de pagamento.

Imersão cultural

Além da visita industrial, a experiência também incluiu um mergulho na cultura manauara, com direito a conhecer a culinária local, experimentar pratos típicos da região e até observar jacarés de perto durante um passeio pelos rios amazônicos.

Mas o grande destaque da viagem foi entender como a Positivo está se preparando para uma nova fase da indústria de computadores: a era dos AI PCs, máquinas equipadas com inteligência artificial embarcada e novos processadores com unidades dedicadas para tarefas de IA.

Dentro da fábrica da Positivo em Manaus: onde tecnologia vira produto

A fábrica da Positivo em Manaus faz parte do complexo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM), um dos maiores polos industriais do Brasil. 

Em 2025, o setor industrial da região alcançou faturamento recorde de R$ 227,67 bilhões, reunindo mais de 550 fábricas e gerando mais de meio milhão de empregos diretos e indiretos.

Dentro da unidade da Positivo, cerca de 1.500 pessoas trabalham na fabricação de equipamentos tecnológicos, incluindo notebooks, computadores corporativos e servidores.

Segundo Edson Toffoli, diretor Industrial da Positivo Tecnologia, o processo produtivo combina automação, tecnologia e mão de obra especializada.

“A operação fabril da Positivo Tecnologia é altamente verticalizada, tecnológica e segue rigorosos padrões de qualidade internacionais, adaptados à realidade e aos incentivos da produção nacional por meio do Processo Produtivo Básico (PPB)”, explica.

A produção começa na chamada etapa SMT (Surface Mount Technology), considerada o coração da fábrica. É nesse momento que componentes extremamente pequenos, como processadores e memórias, são posicionados automaticamente em placas de circuito impresso por máquinas de alta precisão.

Depois disso, as placas passam para a integração do equipamento, onde recebem componentes como tela, teclado, bateria, sistema de refrigeração e estrutura externa, dando origem ao notebook final.

Antes de chegar ao consumidor, todos os equipamentos passam por uma bateria de testes.

“100% dos equipamentos passam pela etapa de testes de qualidade e gravação de software, realizando testes funcionais rigorosos e automatizados de estresse de hardware para garantir que o produto saia da fábrica sem falhas”, afirma Toffoli.
Fábrica Positivo Foto: Xataka Brasil

Inteligência artificial também está dentro da linha de produção

A inteligência artificial não aparece apenas nos computadores fabricados pela Positivo. A própria fábrica já utiliza recursos de IA para melhorar processos internos e aumentar o controle de qualidade.

A operação segue conceitos de Indústria 4.0, utilizando sistemas de visão computacional que analisam componentes durante a montagem.

Câmeras inteligentes conseguem identificar, em tempo real, possíveis falhas na instalação de peças, alinhamentos incorretos ou pequenos desvios que seriam difíceis de serem percebidos pelo olhar humano.

Além disso, a empresa trabalha no desenvolvimento de algoritmos capazes de analisar dados da fabricação dos produtos para prever problemas e auxiliar equipes de engenharia e qualidade.

A parceria com a Intel e a chegada dos AI PCs

Durante a visita, a Positivo também apresentou sua estratégia para a nova geração de computadores com inteligência artificial integrada, impulsionada pela parceria de mais de 20 anos com a Intel.

A colaboração permitiu que a empresa brasileira acompanhasse a evolução dos processadores mais recentes da companhia, incluindo a linha Intel Core Ultra Série 3, que traz uma NPU dedicada para processamento de inteligência artificial.

Diferente dos computadores tradicionais, os chamados AI PCs conseguem executar determinadas tarefas de IA diretamente no dispositivo, sem depender exclusivamente da nuvem.

Na prática, isso pode trazer benefícios como maior privacidade, menor latência e mais eficiência energética.

“A parceria estratégica com a Intel permite acesso antecipado às mais recentes arquiteturas de processamento global, como as gerações que trazem as Unidades de Processamento Neural (NPUs) integradas, dedicadas exclusivamente a tarefas de Inteligência Artificial”, explica Toffoli.

A Positivo aposta que esse movimento será importante principalmente para empresas e instituições que precisam lidar com grandes volumes de dados, segurança da informação e modernização de infraestrutura.

Positivo Panther Lake Foto: Xataka Brasil

Positivo Master Copilot+ PC: computador preparado para a era da IA

Um dos principais exemplos dessa nova fase é o Positivo Master Copilot+ PC, apresentado durante a CES 2026 e desenvolvido em parceria com a Intel.

O modelo utiliza processadores Intel Core Ultra Série 3 e foi projetado para suportar inteligência artificial local.

O equipamento conta com uma NPU dedicada capaz de entregar até 50 TOPS (trilhões de operações por segundo), ultrapassando os requisitos da categoria Copilot+ PC.

A proposta é oferecer um computador preparado para aplicações futuras baseadas em IA, trazendo recursos de produtividade, segurança e gerenciamento mais inteligente para ambientes corporativos.

Intel Core Ultra Series 3 Foto: Xataka Brasil

Da Amazônia para o futuro da computação

A visita à fábrica mostrou um lado pouco conhecido da indústria brasileira de tecnologia: por trás dos computadores que chegam às lojas existe uma cadeia nacional de produção, engenharia e inovação.

A Zona Franca de Manaus, muitas vezes associada apenas ao setor industrial tradicional, também abriga uma operação tecnológica que fabrica equipamentos usados por empresas, escolas, órgãos públicos e consumidores em todo o país.

Com a chegada dos AI PCs, a disputa agora não é apenas por computadores mais rápidos, mas por máquinas capazes de acompanhar uma nova fase da tecnologia, onde a inteligência artificial deixa de ser apenas um serviço online e passa a fazer parte do próprio hardware.

E, nessa transformação, a Positivo quer posicionar sua produção brasileira como parte dessa próxima geração de computadores.

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