Envelhecer em um mundo cada vez mais digital deixou de ser apenas um desafio de adaptação e passou a ser uma questão de saúde e qualidade de vida. No dia 2 de julho, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou um projeto de lei que amplia o acesso de pessoas idosas a tecnologias voltadas à preservação da saúde mental e cognitiva. A proposta altera o Estatuto da Pessoa Idosa para incluir ações de inclusão digital e capacitação no uso dessas ferramentas. Agora, o texto segue para análise da Comissão de Direitos Humanos (CDH) antes de continuar sua tramitação.
Projeto aposta na inclusão digital para proteger a saúde mental dos idosos
Com o avanço da tecnologia, atividades simples do cotidiano, como marcar uma consulta médica, conversar com familiares ou acessar serviços públicos, passaram a depender cada vez mais do uso de celulares e computadores. Para reduzir essa exclusão digital, o projeto de lei propõe ampliar o acesso da população idosa às tecnologias da informação e da comunicação, incentivando também seu uso na preservação da saúde mental e da cognição.
A proposta prevê que o poder público promova ações de inclusão digital e ofereça capacitação para que pessoas idosas aprendam a utilizar essas ferramentas com mais autonomia. Segundo o parecer favorável da Comissão de Assuntos Sociais, a medida ganha relevância diante do rápido envelhecimento da população brasileira e do aumento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, além de transtornos como a depressão. Entre os principais objetivos da proposta estão:
- Ampliar a inclusão digital da população idosa;
- Estimular a memória e outras funções cognitivas;
- Reduzir o isolamento social;
- Facilitar o acesso a serviços de saúde por meio do teleatendimento;
- Incentivar um envelhecimento mais ativo, saudável e autônomo.
Caso seja aprovado nas próximas etapas e sancionado, o texto prevê que a nova lei entre em vigor 180 dias após sua publicação.
Casal transformou a inclusão digital em missão
O projeto de lei incentiva a capacitação digital de pessoas idosas, reconhecendo a tecnologia como uma aliada do envelhecimento saudável
Enquanto o projeto ainda percorre o caminho até virar lei, iniciativas individuais já demonstram os benefícios da inclusão digital para quem tem mais de 60 anos. Durante a pandemia de Covid-19, os engenheiros eletricistas aposentados Maria Helena e Tarcísio Cabral, ambos de 70 anos, perceberam que acompanhar a transformação digital havia deixado de ser uma opção. Sem filhos para auxiliá-los nos trâmites digitais e diante de uma rotina cada vez mais conectada, eles decidiram aprender a usar celulares, aplicativos e computadores.
A experiência deu origem ao 60 Demais, um projeto que hoje reúne mais de 350 mil seguidores nas redes sociais e ensina pessoas idosas a utilizar ferramentas digitais com linguagem simples e acessível. Segundo o casal, o maior obstáculo não é a tecnologia em si, mas o medo de errar e a falta de paciência que muitos familiares têm ao ensinar. Ao substituir termos técnicos por explicações mais intuitivas e ensinar desde tarefas básicas até cuidados com golpes virtuais, eles ajudam milhares de idosos a recuperar a autonomia.
Devido ao projeto, muitos alunos passam a marcar consultas sozinhos, pagar contas pelo aplicativo do banco, conversar com familiares por videochamadas e iniciar novos cursos depois de perder o medo da tecnologia. É justamente essa realidade que o projeto aprovado no Senado pretende ampliar. Ao reconhecer a inclusão digital como uma ferramenta para a preservar a saúde mental, estimular a cognição e fortalecer a independência da população idosa, a proposta transforma a tecnologia em um instrumento de qualidade de vida, e iniciativas como a do casal mostram que esse caminho já vem produzindo resultados na prática.
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