As sanções implacáveis dos Estados Unidos desmoronam após a China obter a máquina mais importante do mundo e forçar o gigante holandês a tentar desmentir a denúncia

Máquinas produzidas pela Holanda são fundamentais para sistemas de inteligência artificial; país nega acusação

Imagem produzida por IA que reflete a disputa entre China e EUA por máquinas EUV's
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A China é um país temido por outras grandes potências mundiais. Vista como a principal rival tecnológica dos Estados Unidos, ela está no centro de uma nova disputa envolvendo a máquina mais importante do mundo, criada para fabricar chips avançados. Nas últimas semanas, autoridades dos Estados Unidos levantaram a suspeita de que um equipamento de litografia ultravioleta extrema (EUV), produzido exclusivamente pela holandesa ASML, teria chegado à China apesar das rígidas sanções impostas pelos Estados Unidos desde 2019. A empresa negou a acusação, mas a denúncia foi o suficiente para ampliar a tensão entre Estados Unidos, Europa e China, alimentando o medo de que as restrições impostas já não sejam capazes de impedir o avanço tecnológico chinês. 

Acusação contra a China amplia tensão entre Estados Unidos, Europa e a ASML

A suspeita de que a China possa ter conseguido uma máquina EUV da Holanda surgiu após declarações do secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick. O equipamento é considerado estratégico porque permite fabricar os semicondutores mais avançados do mundo, que são fundamentais para sistemas de inteligência artificial modernos.

A resposta da ASML, a fabricante holandesa, foi imediata. Segundo eles, todas as 340 máquinas EUV produzidas até hoje são monitoradas e têm localização conhecida. Além disso, a ASML afirma que:

  • Nunca exportou uma máquina EUV para a China;
  • Não enviou componentes específicos desse sistema ao país;
  • O transporte e a instalação desses equipamentos são realizados exclusivamente por equipes próprias da empresa.

Até o momento, segundo a fabricante, o governo americano não apresentou provas que sustentem a denúncia. Já o governo da Holanda afirmou que está tratando o assunto com seriedade, mas informou que não abriu uma investigação formal por falta de evidências. Além disso, reforçou que seus controles de exportação seguem rigorosamente as restrições impostas sobre equipamentos de litografia

Apesar disso, especialistas acreditam que a polêmica pode não envolver uma máquina EUV completa. Uma das hipóteses é que a discussão esteja relacionada ao envio de componentes ou de equipamentos DUV, uma geração anterior da tecnologia da ASML que ainda pode ser comercializada em algumas circunstâncias e representa uma parcela significativa das vendas da empresa para a China.

A corrida pelos chips virou uma guerra entre China e as maiores potências do mundo

protótipo da máquina EUV China está desenvolveu um protótipo nacional de máquina EUV

Independentemente da acusação ser confirmada ou não, ela evidencia uma problemática muito mais ampla entre China, Estados Unidos e Europa pelo controle da indústria que abastece praticamente todos os sistemas de IA. Ao longo dos últimos anos, os EUA vêm ampliando as restrições para impedir que a China tenha acesso às ferramentas mais avançadas de fabricação de chips. Eles querem com isso desacelerar o desenvolvimento chinês em áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial, computação de alto desempenho e aplicações militares. Enquanto isso, a China segue investindo pesadamente para reduzir sua dependência tecnológica.

Entre os principais movimentos estão:

  • O desenvolvimento de um protótipo nacional de máquina EUV, que estaria em fase de testes;
  • A meta de produzir chips fabricados com tecnologia própria nos próximos anos;
  • O aperfeiçoamento de técnicas que utilizam máquinas DUV para fabricar semicondutores inferiores a 7 nanômetros, processo conhecido como multipatterning.

Essa estratégia preocupa especialistas americanos porque permite que fabricantes chinesas, como a SMIC e a Huawei, continuem produzindo chips avançados mesmo sem acesso às máquinas EUV da Holanda. Ao mesmo tempo, o impasse também gera atritos entre Estados Unidos e aliados europeus. Enquanto o país defende restrições cada vez mais firmes contra a China, parte dos governos europeus teme que medidas mais severas prejudiquem empresas estratégicas como a ASML e provoquem retaliações comerciais por parte dos chineses.

Foi assim que surgiu a proposta da MATCH Act, uma legislação americana que pretende ampliar as restrições não apenas à venda de novas máquinas DUV para a China, mas também ao fornecimento de peças, manutenção e atualizações para os equipamentos que já operam no país. A proposta ainda determina que países aliados os Estados Unidos controlem suas exportações, sob pena de sofrer sanções. Para o governo holandês, porém, essa abordagem representa um risco à soberania econômica dos aliados e aumenta ainda mais a pressão sobre empresas europeias. 

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