Alerta para o El Niño: governo brasileiro libera R$ 9,8 bilhões para preparar o SUS contra eventos climáticos extremos

Plano do Ministério da Saúde prevê investimentos até 2035 para ampliar a capacidade de resposta do SUS diante de ondas de calor, enchentes, secas e outros eventos climáticos

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Natália P. Martins

Redatora

O Ministério da Saúde anunciou um pacote de medidas para reforçar a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos impactos provocados por eventos climáticos extremos associados ao El Niño, como ondas de calor, enchentes, secas e tempestades.

O plano prevê investimentos de R$ 9,8 bilhões até 2035 e reúne 27 metas e 93 ações voltadas à adaptação do sistema público de saúde às mudanças climáticas. Segundo a pasta, a estratégia busca antecipar riscos, ampliar a emissão de alertas, fortalecer a estrutura de atendimento e reduzir os impactos de desastres naturais sobre a população.

O que são o El Niño e o Super El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação dos ventos e interfere no regime de chuvas e nas temperaturas em diversas partes do planeta.

No Brasil, seus efeitos variam conforme a região. Enquanto o Sul costuma registrar chuvas acima da média e maior risco de enchentes, parte do Norte e do Nordeste pode enfrentar períodos de seca mais prolongados, aumento das queimadas e redução das precipitações. Em diferentes regiões do país também podem ocorrer ondas de calor mais intensas.

Embora "Super El Niñonão seja uma classificação oficial, o termo costuma ser usado para descrever episódios excepcionalmente fortes do fenômeno, quando o aquecimento do Pacífico é muito superior ao normal e os impactos climáticos tendem a ser mais severos. 

Segundo o Ministério da Saúde, a possibilidade de um novo episódio intenso nos próximos meses foi um dos fatores considerados na elaboração do plano.

Plano inclui centros de monitoramento, alertas de calor e reforço na resposta a desastres

Entre as principais medidas está a criação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima, distribuídos pelas cinco regiões do país. As unidades serão responsáveis por monitorar riscos climáticos, coordenar ações entre União, estados e municípios e apoiar a atuação do SUS em situações de emergência. O primeiro centro já foi inaugurado na Bahia.

Outra novidade é o Painel Nacional de Excesso de Calor, ferramenta que permitirá acompanhar episódios de calor extremo e emitir alertas com até cinco dias de antecedência. O sistema deverá orientar gestores públicos, equipes de saúde e órgãos de defesa civil antes que as temperaturas atinjam níveis críticos.

O programa também amplia a integração entre o Ministério da Saúde, estados, municípios e Defesa Civil, fortalece a vigilância epidemiológica para identificar rapidamente doenças relacionadas aos eventos climáticos e prevê o reforço do abastecimento de medicamentos, vacinas, água potável e outros insumos essenciais em regiões afetadas.

Força Nacional do SUS ganhará novas bases pelo país

A estratégia também envolve a expansão da Força Nacional do SUS, que passará a contar com oito bases distribuídas pelo Brasil. Segundo o ministério, a descentralização permitirá mobilizar profissionais, equipamentos e estruturas com mais rapidez sempre que houver desastres naturais, grandes eventos ou outras emergências sanitárias.

A meta é que as equipes consigam chegar a qualquer ocorrência em até 12 horas e iniciem ações compatíveis com a gravidade da situação em até 72 horas, reduzindo o tempo de resposta em cenários críticos.

Ministério cria protocolo para proteger idosos durante ondas de calor

O governo também apresentou um protocolo específico voltado à população idosa, considerada um dos grupos mais vulneráveis aos efeitos das altas temperaturas.

As recomendações incluem oferecer água regularmente, mesmo sem sensação de sede, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes do dia, manter ambientes ventilados, acompanhar corretamente o uso de medicamentos de rotina e utilizar soro fisiológico em casos de ressecamento dos olhos e das narinas. As orientações deverão servir de base para profissionais da rede pública e campanhas de conscientização.

Mudanças climáticas já impactam a saúde da população brasileira

Durante o lançamento do programa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a adaptação do SUS às mudanças climáticas passou a ser uma prioridade para o governo.

Segundo ele, um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que cerca de 120 mil mortes registradas nos últimos 20 anos estão diretamente associadas ao aumento da temperatura média em diferentes regiões do país.


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