A China está explorando uma ideia inusitada até mesmo entre os fanáticos por drones: pegar uma catapulta de aviação (geralmente instalada em porta-aviões) e utilizá-la em caminhões e contêineres para lançar drones.
Não estamos falando, ao menos com as informações disponíveis, de uma capacidade operacional plenamente comprovada nem de um substituto para um convés naval convencional. O que vimos em fontes abertas aponta mais para um conceito modular: uma pista de decolagem desmontável para drones em locais onde não há pista.
O debate foi acendido por causa de um vídeo divulgado nas redes chinesas. A publicação original foi removida, mas pode ser rastreada até um post arquivado da conta do WeChat associada à Escola de Engenharia Mecânica do Instituto de Tecnologia de Pequim. Além disso, o vídeo chega após outros indícios: fotos anteriores do sistema, sua aparição no entorno do navio Zhong Da 79 e uma família de módulos militares em contêineres. Tudo isso aponta na mesma direção.
Uma catapulta fora do porta-aviões
Nas imagens mais recentes, o sistema aparece formado por três caminhões que podem se deslocar separadamente e depois se unir para criar uma única linha de lançamento. A sequência mostra a decolagem de um drone com hélice, asa alta, cauda em V e trem de pouso triciclo, uma aeronave bem mais leve do que as possíveis maquetes com as quais esse conceito havia sido visualmente associado em imagens anteriores. Também é possível observar coberturas superiores e direção nas quatro rodas, o que permitiria orientar o conjunto com maior margem de manobra.
Captura do vídeo divulgado recentemente, no qual é possível ver o lançamento de um drone a partir da catapulta eletromagnética móvel formada por vários caminhões
A catapulta, em todo caso, é apenas uma parte de uma família mais ampla de sistemas militares em contêineres. O material atribuído à Escola de Engenharia Mecânica do Instituto de Tecnologia de Pequim inclui módulos com lançadores de mísseis antinavio, mísseis de ataque terrestre, mísseis terra-ar, defesa de curto alcance, radares, guerra eletrônica e comando e controle. Também aparecem contêineres projetados para transportar um caminhão com catapulta e um drone desmontado. Segundo essa publicação, o objetivo seria produzir 2.000 sistemas em contêineres por ano.
Captura do vídeo divulgado recentemente
Não é por acaso que o conceito gira em torno de uma catapulta eletromagnética. A China já deu passos importantes nessa tecnologia com o Fujian, o porta-aviões que marca seu salto em direção a operações com catapulta e recuperação assistida no convés. Esse contexto ajuda a entender por que esse sistema móvel é interessante: ele não surge como uma curiosidade técnica isolada, mas dentro de uma aposta mais robusta em ampliar as formas de colocar aeronaves no ar. O Tipo 076 Sichuan, um navio de assalto anfíbio associado em fontes abertas a operações com drones, aponta em uma direção semelhante.
Além da estranheza visual
A China não está apenas ampliando sua aviação naval; ela também vem, há anos, impulsionando programas de aviação avançada como o J-20, seu caça furtivo de quinta geração, e o J-35, um projeto associado ao salto rumo a operações embarcadas mais modernas. A catapulta móvel não compete na mesma categoria desses aviões, mas se encaixa na mesma pergunta: como ampliar a capacidade aérea a partir de mais lugares.
Captura do vídeo divulgado recentemente
Se o sistema funcionar da forma como o material divulgado sugere, sua utilidade estaria em permitir lançamentos assistidos em locais onde uma pista convencional não está disponível ou é vulnerável demais. Estamos falando de ilhas, áreas remotas, estradas preparadas, bases temporárias ou navios com espaço suficiente no convés. Ele não serviria para operar qualquer aeronave nem para substituir uma infraestrutura aérea completa, mas poderia aproximar drones leves de zonas específicas de operação. Em cenários assim, cada quilômetro que o drone deixa de percorrer a partir de uma base distante faz diferença.
Uma das primeiras imagens conhecidas do conjunto, na qual é possível observar os caminhões com catapulta ao lado de possíveis maquetes de aeronaves não tripuladas
A lista de incógnitas, porém, continua longa. Não sabemos quanta potência elétrica o sistema exige, qual é sua demanda logística, como os drones são preparados antes de cada lançamento nem qual cadência real ele conseguiria sustentar fora de uma demonstração controlada. Também permanecem dúvidas sobre seu uso no mar: uma coisa é posicionar os módulos sobre o convés de um navio com espaço suficiente; outra bem diferente é lançar drones com estabilidade enquanto a embarcação está em movimento. A diferença entre apresentar um demonstrador e ter uma capacidade militar útil ainda é enorme.
Imagens | Instituto de Tecnologia de Pequim / WeChat
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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