Por que o tsunami de 2011 no Japão foi tão mortal? A perfuração oceânica mais profunda já registrada pode explicar o fenômeno

Foi tudo culpa de uma simples camada de argila?

Tsunami
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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O terremoto de magnitude 9,1 que atingiu o Japão em março de 2011 provocou um dos tsunamis mais devastadores da história moderna, deixando cerca de 20 mil mortos, desencadeando o acidente nuclear de Fukushima e causando prejuízos superiores a US$ 200 bilhões. Agora, um estudo publicado na revista Science pode ter descoberto um dos principais fatores que tornaram o desastre tão extremo.

Pesquisadores identificaram uma fina camada de argila extremamente escorregadia localizada sob a Fossa do Japão, no Oceano Pacífico. Segundo a equipe, essa formação geológica permitiu que a ruptura do terremoto alcançasse o fundo do mar, deslocando o leito oceânico em uma escala sem precedentes e gerando o gigantesco tsunami.

A perfuração mais profunda já realizada no fundo do oceano

Para entender por que o terremoto de 2011 se comportou de maneira tão diferente da maioria dos grandes sismos, cientistas de diversos países embarcaram no navio de pesquisa Chikyu e realizaram a perfuração científica mais profunda já feita no fundo do oceano, um feito reconhecido pelo Guinness World Records.

As amostras retiradas de aproximadamente 8 quilômetros abaixo da superfície do mar revelaram uma camada de cerca de 30 metros de espessura composta por argila pelágica, um sedimento extremamente macio formado ao longo de milhões de anos pelo acúmulo de partículas microscópicas no fundo do oceano.

Os pesquisadores explicam que essa camada funciona como uma espécie de "linha de ruptura" natural, concentrando o movimento sísmico em uma região muito mais fraca do que as rochas ao redor.

Uma falha que chegou até o fundo do mar

Em terremotos comuns, a ruptura costuma ocorrer a dezenas de quilômetros abaixo da superfície terrestre. No caso do terremoto japonês de 2011, porém, ela se propagou até muito próximo ao leito oceânico.

Esse comportamento permitiu que o fundo do mar fosse deslocado entre 40 e 60 metros em apenas seis minutos, um movimento gigantesco capaz de empurrar um enorme volume de água e dar origem ao tsunami.

Segundo a pesquisadora Christine Regalla, da Northern Arizona University, nunca havia sido observado um deslocamento dessa magnitude durante o período moderno de monitoramento sísmico.

Outro aspecto importante é que essa camada de argila se estende por centenas de quilômetros ao longo da Fossa do Japão.

Isso indica que outras regiões podem apresentar características semelhantes e, consequentemente, maior potencial para produzir terremotos rasos e tsunamis de grande intensidade.

Identificar essas camadas geológicas em diferentes zonas de subducção poderá melhorar os modelos de previsão de megaterremotos e ajudar governos a reforçar códigos de construção, atualizar planos de evacuação e ampliar sistemas de alerta.

Embora o terremoto tenha ocorrido no Japão, seus efeitos atravessaram o Oceano Pacífico. Tsunamis gerados na região podem atingir países e ilhas localizados a milhares de quilômetros de distância, como o Havaí e partes da costa oeste das Américas.

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