A moto aquática feita com sobras de madeira de construção por um carpinteiro sem dinheiro virou uma máquina implacável de 38 cavalos que choca pelo visual único

Criada por um carpinteiro naval do Pará, a moto aquática artesanal ficou famosa nas redes e precisou passar pela avaliação da Marinha

Moto Aquatica De Madeira
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
laura-vieira

Laura Vieira

Redatora
laura-vieira

Laura Vieira

Redatora

Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

755 publicaciones de Laura Vieira

Você já deve ter escutado por aí que o brasileiro é mestre das gambiarras, não é mesmo? Tem Bombril na antena para melhorar o sinal, prego segurando a Havaiana e até copo de requeijão virando conjunto de cozinha, exemplos de que criatividade nunca faltou quando o assunto é encontrar soluções para os problemas do dia a dia. Mas algumas invenções vão bem além da improvisação.

Foi o caso do paraense Cristiano Gonçalves, de 37 anos, que sonhava em ter uma moto aquática, mas sabia que ela estava fora da realidade financeira. Carpinteiro e pescador, ele decidiu botar a mão na massa e construir a própria moto aquática usando madeira. Surpreendentemente, ele conseguiu, e o resultado de todo o esforço foi uma moto aquática artesanal de 38 cavalos de potência que ficou famosa nas redes sociais e chamou a atenção até da Marinha do Brasil. 

Sem dinheiro para comprar uma moto aquática, ele decidiu construir a própria de madeira 

Por trás da moto aquática que conquistou a internet, existe uma história de persistência. Pescador e carpinteiro naval por tradição familiar, Cristiano sempre quis ter uma moto aquática, mas o alto custo tornava a compra inviável. Foi então que ele decidiu seguir outro caminho e construir a própria versão. Para isso, pesquisou referências, estudou soluções mecânicas e aproveitou os conhecimentos adquiridos ao longo dos anos trabalhando com embarcações.

A primeira tentativa de Cristiano foi em 2012. Na época, ele utilizou um motor de carro adaptado, mas o projeto não funcionou como esperado. Mas ao invés de desistir, Cristiano buscou por outras alternativas e continuou aprimorando a ideia. Anos depois, em 2019, ele voltou ao projeto utilizando uma rabeta, um sistema de propulsão bastante comum em pequenas embarcações. O equipamento é formado por um motor ligado a um longo eixo que transmite a força até a hélice, permitindo a navegação em rios rasos e de difícil acesso. 

Com essa adaptação, Cristiano conseguiu construir uma moto aquática de aproximadamente 4,5 metros de comprimento, estrutura de madeira, formato aerodinâmico e motor Kawashima de 38 cavalos de potência. Além da propulsão, o modelo recebeu um sistema de resfriamento para garantir o funcionamento seguro durante a navegação. A seguir, confira um vídeo publicado por Cristiano em suas redes:

Sucesso nas redes sociais levou o projeto até a Marinha do Brasil

À medida que vídeos da embarcação começaram a circular nas redes sociais, a moto elétrica de madeira começou a fazer sucesso fora de Abaetetuba, município onde Cristiano vive. O projeto, apelidado de "CrisJet", despertou a curiosidade de milhares de pessoas e acabou chegando também ao conhecimento da Marinha do Brasil.

Segundo Cristiano, representantes da marina visitaram seu estaleiro para esclarecer os procedimentos necessários para a regularização da embarcação. Como se trata de um veículo motorizado destinado à navegação, existem exigências relacionadas à documentação e à segurança. Durante uma inspeção realizada pela Capitania dos Portos, foram identificadas irregularidades, como a ausência de registro da embarcação e a falta de equipamentos obrigatórios de segurança. Por essa razão, Cristiano foi multado e o veículo ficou impedido de navegar até que a situação esteja regularizada.

Apesar do contratempo, Cristiano encarou a visita como parte do processo. Enquanto providencia a documentação exigida, ele aproveita o período para concluir detalhes do acabamento da embarcação. Se atender a todos os requisitos estabelecidos pela Autoridade Marítima Brasileira, a moto aquática de madeira poderá voltar a ser utilizada, mas desta vez, de forma totalmente regularizada.

Inicio