Sempre acreditamos que 'morrer de tristeza' era um mito romântico. A ciência deixa claro que há um fundo de verdade

As etapas do luto levam a uma pior alimentação e a um abandono pessoal importante

Homem sentado no chão com as mãos na cabeça, aparentando estar em sofrimento.
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Carolina Rodrigues

Redatora
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A clássica cena de dois idosos que passaram a vida inteira juntos e, quando um falece, o outro o segue poucos dias depois porque "não aguentou a tristeza", parece algo que só acontece nos filmes. No entanto, o que sempre consideramos uma hipérbole romântica ou uma coincidência estatística tem, na verdade, um profundo respaldo fisiológico.

Um recente conjunto de dados científicos traz à mesa uma conclusão bastante impressionante, apontando que o luto intenso não dói apenas emocionalmente, mas aumenta drasticamente as chances de sofrer um evento cardiovascular fatal, o que dispara a mortalidade a longo prazo.

A confirmação mais robusta e recente vem de um estudo publicado na Frontiers in Public Health, que analisou 1.735 pessoas em situação de luto para descobrir o que acontecia a longo prazo com aquelas que não conseguiam superar uma perda de forma natural.

Os resultados

Os pesquisadores dividiram os pacientes em grupos de acordo com a intensidade e a duração do seu sofrimento. O que se observou foi justamente que aqueles que mostraram uma trajetória de luto alta e prolongada (chamada de luto prolongado) não só precisaram de muitas consultas médicas e psicofármacos, mas também apresentaram um maior risco de mortalidade do que os grupos de luto baixo.

Traduzido em números simples: as pessoas presas em um luto persistente tinham quase o dobro de chances de morrer na década seguinte à perda.

O coração se quebra

Quando recebemos uma notícia ruim, às vezes dizemos que o coração "se partiu" e, para muitos, isso pode parecer estranho, já que fisicamente o coração está intacto. Mas essa expressão popular tem comprovação clínica, como aponta um estudo publicado na Circulation, que demonstra que as primeiras semanas após a viuvez ou a perda de um ente querido são de alto risco.

Especificamente, nas primeiras 24 horas após a perda, demonstrou-se que o risco de sofrer um infarto agudo do miocárdio atingia o seu pico máximo, enquanto nos 30 dias seguintes também aumentavam os eventos cardiovasculares, incluindo o derrame (AVC).

Nas diretrizes médicas

Como curiosidade, existe inclusive uma patologia documentada clinicamente conhecida como síndrome de Takotsubo (ou síndrome do coração partido). Trata-se de uma miocardiopatia induzida por um estresse emocional extremo que enfraquece temporariamente o músculo cardíaco, simulando os sintomas de um infarto fulminante.

As entrelinhas

O que foi reunido neste caso é uma correlação estatística, ou seja, que as pessoas que passaram por um luto profundo tiveram sua mortalidade aumentada. Mas isso não significa que um evento desse tipo vá acontecer com toda certeza.

O que ocorre nesses casos é que o luto funciona como um marcador de vulnerabilidade constante. Os níveis de cortisol aumentam, mantendo o corpo em um estado de alerta que esgota o sistema imunológico. Além disso, quem sofre um luto extremo costuma deixar de comer adequadamente, reduz a atividade física a zero e, em muitos casos, esquece de tomar seus medicamentos. Tudo isso faz com que, no final, o risco de mortalidade aumente, mas não pela perda em si.

Imagem| Yosi Prihantoro 

Texto traduzido e adaptado do site Xataka Espanha.


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