El Niño já começou no Brasil? NASA detecta ondas oceânicas gigantes que podem sinalizar início do fenômeno no nosso país

Pico pode ocorrer no final do ano

Oceano no Brasil
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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El Niño pode estar se aproximando novamente, e os primeiros sinais já estão sendo observados do espaço. Dados do satélite Sentinel-6 Michael Freilich, da NASA em parceria com agências europeias, identificaram uma gigantesca onda de água quente avançando pelo Oceano Pacífico em direção à costa da América do Sul, um fenômeno frequentemente associado ao desenvolvimento do El Niño.

Os pesquisadores acompanharam a formação de uma chamada onda de Kelvin, uma enorme massa de água aquecida que se desloca lentamente pelo Pacífico equatorial. Em meados de maio, ela chegou às proximidades do Peru, elevando o nível do mar em mais de 15 centímetros acima da média histórica, um dos principais indicadores de que o oceano está acumulando calor.

Embora a presença de uma única onda não seja suficiente para confirmar oficialmente o fenômeno, a NASA explica que o El Niño costuma surgir quando diversas ondas de Kelvin ocorrem ao longo de alguns meses, concentrando águas mais quentes nas costas do Peru, Equador e Colômbia.

O que são as ondas de Kelvin?

Essas ondas se formam quando os ventos sobre o Pacífico equatorial enfraquecem ou mudam temporariamente de direção. Com isso, a água quente que normalmente permanece acumulada na porção oeste do oceano começa a viajar para leste.

Como a água aquecida ocupa um volume maior, os satélites conseguem detectar pequenas elevações na superfície do mar. É justamente esse aumento que permite aos cientistas acompanhar a evolução do fenômeno muito antes de seus efeitos serem sentidos em terra.

Segundo a NASA, o evento observado em 2026 começou mais tarde do que os grandes episódios de 1997 e 2015, mas vem ganhando intensidade e já apresenta características semelhantes às registradas naqueles anos.

Como isso pode afetar o Brasil?

Caso o El Niño se estabeleça nos próximos meses, seus impactos poderão ser sentidos em diversas regiões brasileiras. Historicamente, o fenômeno favorece chuvas acima da média no Sul, aumentando o risco de enchentes e deslizamentos.

Enquanto isso, parte do Norte e do Nordeste costuma enfrentar redução das chuvas, temperaturas mais elevadas e maior probabilidade de secas prolongadas e queimadas. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, são comuns ondas de calor mais frequentes e períodos de baixa umidade do ar.

Os efeitos, no entanto, dependem diretamente da intensidade do evento. Episódios moderados costumam provocar alterações mais localizadas, enquanto grandes El Niños conseguem modificar padrões climáticos em diferentes partes do planeta.

Ainda há incertezas sobre a intensidade

Os cientistas destacam que ainda é cedo para determinar quão forte será o fenômeno deste ano. O pico do El Niño normalmente ocorre entre novembro e janeiro, o que significa que o comportamento das águas do Pacífico continuará sendo monitorado ao longo dos próximos meses.

Mesmo assim, os primeiros sinais já chamam a atenção da comunidade científica. Se novas ondas de Kelvin continuarem surgindo e o aquecimento do Pacífico persistir, o mundo poderá enfrentar mais um ano marcado por mudanças importantes nos padrões de chuva, temperaturas elevadas e eventos climáticos extremos.

No Brasil, especialistas recomendam acompanhar as atualizações dos órgãos meteorológicos, já que previsões de médio e longo prazo tendem a ficar mais precisas à medida que o fenômeno evolui.

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