Hong Kong vai inaugurar loja 24 horas onde quem faz o atendimento é um robô humanoide

A China está enchendo as ruas de robôs e agora quer exportá-los

Hong Kong
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A China tem uma forma peculiar de compreender e integrar a IA ao cotidiano. Enquanto os EUA apostam nos grandes modelos de linguagem, a estratégia chinesa passa pela criação do que chamam de embodied AI, que pode ser traduzido como "IA personificada". A China quer exportar essa estratégia e pretende começar por Hong Kong, onde abrirá uma loja administrada por um robô.

O anúncio foi feito pelo secretário de Finanças de Hong Kong, Paul Chan Mo-po, em seu blog semanal. Na publicação, ele fala sobre a estratégia de Hong Kong para impulsionar a IA e transformá-la em um benefício cotidiano para seus cidadãos. Como parte desse plano, será inaugurada uma loja de conveniência no calçadão à beira-mar de Hung Hom que funcionará 24 horas por dia e será administrada por um robô humanoide capaz de atender clientes em vários idiomas.

O texto não esclarece qual empresa está por trás da iniciativa e limita-se a dizer que se trata de uma companhia da China continental. Entre as empresas chinesas de robótica mais conhecidas estão a Unitree e a Deep Robotics, embora existam muitas outras. Segundo o anúncio, essa será a primeira loja desse tipo aberta fora da China continental e Hong Kong foi escolhida como a "primeira parada na expansão global de seu conceito de varejo".

Robôs no atendimento

[Relato de Amparo Babiloni, do Xataka Espanha]

Embora não esteja claro qual é a empresa responsável, há suspeitas de que possa ser a Galbot. Por quê? Porque, no fim do ano passado, meu colega Alex esteve em Pequim e já encontrou um robô dessa empresa à frente de uma pequena loja de bebidas em um shopping center. Alex comprou uma garrafa de água e conta que a experiência foi parecida com a de uma máquina de vendas automáticas, mas muito mais cara e lenta.

Durante minha última viagem à China, também encontrei uma loja semelhante administrada por um robô, mas, naquele momento, não pude parar para testá-la. O que pude experimentar foi como é andar em um táxi autônomo da Pony.ai e, depois, pedir um bubble tea para que um drone o entregasse. Ambas as experiências estão disponíveis em Shenzhen, é claro. Os táxis já estão muito mais integrados ao cotidiano, enquanto as entregas por drones ainda são uma curiosidade restrita a alguns poucos pontos da cidade.

Todos esses exemplos fazem parte do impulso ao que o governo chinês chama de embodied AI. Trata-se de uma IA que possui uma presença física, ou seja, que interage com o ambiente por meio de sensores e atuadores e pode assumir a forma de um robô, de um carro autônomo ou de um drone. O governo a menciona em seu relatório de trabalho de 2025 e a coloca como prioridade nacional por um motivo: ela representa a próxima fase para impulsionar sua indústria de robótica.

Nesse sentido, o fato de que cada vez mais robôs estejam sendo vistos nas ruas das cidades chinesas não é uma simples extravagância tecnológica, mas parte de um plano muito mais ambicioso. Os robôs são o caminho para sustentar o crescimento industrial apesar de fatores como o aumento dos salários e o envelhecimento da população.

Imagem | Blog da Secretaria de Finanças da China

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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