Se você toma melatonina, precisa saber disso: a ciência desmascara os maiores mitos e revela o risco invisível por trás do hormônio do sono

Melatonina emagrece? Trata insônia? O que é mito e o que é verdade sobre o hormônio que virou febre entre quem quer dormir melhor

Melatonina
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Conhecida como o "hormônio do sono", a melatonina é um hormônio natural produzido pelo nosso próprio  cérebro para auxiliar no ciclo do sono e regular o relógio biológico. Mas bastou a melatonina se tornar mais acessível para que ela passasse a ser comprada por milhões de pessoas. O problema é que, junto com a popularização, também existem muitas dúvidas que giram em torno desses suplementos. Afinal, a melatonina realmente ajuda a emagrecer? Trata insônia? Pode ser tomada sem orientação médica? A ciência já tem algumas respostas.

A produção de melatonina diminui com a idade? Sim, e isso ajuda a explicar algumas mudanças no sono

VERDADE! Com o passar dos anos, muitas pessoas percebem que adormecer fica mais difícil ou que o sono deixa de ser tão profundo quanto antes. A explicação biológica para essa mudança é simples: acontece que a produção natural de melatonina tende a diminuir ao longo da vida, o que pode comprometer diretamente o sono. Além do envelhecimento, alguns outros fatores também contribuem para isso, como a exposição excessiva à luz artificial durante a noite.

Melatonina ajuda a emagrecer? A relação existe, mas não da forma que muita gente imagina

MITO! É comum encontrar quem associe a melatonina ao emagrecimento. No entanto, na prática, a história não é tão simples assim. Isso porque o hormônio não atua diretamente na queima de gordura e não deve ser associado a um suplemento para emagrecimento. O que acontece é que uma boa noite de sono ajuda a regular hormônios ligados à fome e à saciedade, como a grelina e a leptina. Por outro lado, quando o sono é insuficiente ou de má qualidade, esses mecanismos ficam desregulados, favorecendo o aumento do apetite e o consumo excessivo de calorias. Isso significa que a melatonina até pode contribuir para a perda de peso, mas indiretamente, devido a uma boa noite de sono.

A melatonina serve apenas para dormir? A ciência diz que não

VERDADE. Embora seja mais conhecida pelo papel na regulação do sono, os cientistas acreditam que a melatonina exerce outras funções importantes no organismo. Estudos vêm investigando sua possível participação em áreas como controle da ansiedade pré-operatória, tratamento do jet lag, distúrbios do ritmo circadiano e problemas de sono em algumas crianças, especialmente aquelas com transtorno do espectro autista (TEA) ou TDAH. Também existem pesquisas avaliando potenciais efeitos em condições como enxaqueca, síndrome dos ovários policísticos e tratamentos oncológicos. No entanto, muitas dessas aplicações ainda estão em estudo e não possuem evidências científicas definitivas.

Como é vendida sem receita, posso tomar por conta própria? Não é bem assim

MITO. A facilidade de encontrar melatonina pode dar a impressão de que ela não traz riscos para a saúde, mas não é bem assim que funciona. Embora seja considerada um suplemento alimentar em muitos países, a melatonina continua sendo um hormônio que atua em diferentes sistemas do corpo e pode provocar reações indesejadas quando utilizada de forma inadequada.

Entre os efeitos colaterais mais relatados estão sonolência excessiva durante o dia, dores de cabeça, tontura, náuseas, desconforto abdominal e sonhos mais intensos do que o habitual. Em alguns casos, também podem ocorrer alterações de humor, aumento da pressão arterial e interações com outros medicamentos.

mulher sentada na cama ao lado de medicamentos Embora seja utilizada para auxiliar o sono, a melatonina pode causar efeitos colaterais e não deve ser consumida sem orientação médica

Outro ponto que merece atenção é a dosagem. A quantidade de melatonina presente em muitos suplementos é superior àquela produzida naturalmente pelo corpo durante a noite. Além disso, pessoas que utilizam anticoagulantes, medicamentos para epilepsia ou que possuem condições de saúde específicas devem ter cuidados redobrados.

Por isso, a ideia de que a melatonina pode ser consumida livremente apenas por estar disponível sem receita é totalmente errada. Na verdade, nenhum medicamento, seja ele qual for, deve ser tomado sem prescrição médica. Assim como qualquer substância capaz de alterar o funcionamento do organismo, ela deve ser utilizada com orientação profissional. Afinal, nenhum medicamento ou suplemento está totalmente livre de riscos quando usado sem acompanhamento adequado.

O organismo para de produzir melatonina quando usamos suplementos? A ciência diz que não

MITO. Muitos usuários da melatonina temem que o organismo passe a produzir menos a substância após o uso prolongado do suplemento. Até o momento, as evidências não indicam que isso aconteça. Diferentemente de outros mecanismos hormonais que funcionam por retroalimentação, a produção natural de melatonina não parece ser desligada pela presença do hormônio sintético no organismo. Isso não significa que o uso possa ser indiscriminado, mas sugere que a suplementação não bloqueia automaticamente a produção natural.

Saiba como estimular a produção natural de melatonina

As cápsulas de melatonina são indicadas para alguns casos específicos, como tratar distúrbios de fase de sono. Mas vale lembrar que o próprio organismo possui mecanismos para produzir melatonina naturalmente, e algumas estratégias simples podem ajudar, como, por exemplo:

  • Buscar exposição à luz natural logo pela manhã;
  • Manter horários regulares para dormir e acordar;
  • Reduzir o uso de celulares, tablets e computadores à noite;
  • Evitar ambientes excessivamente iluminados antes de dormir;
  • Priorizar atividades relaxantes no período noturno;
  • Praticar exercícios físicos regularmente, de preferência durante o dia;
  • Manter um ambiente escuro e silencioso no quarto.
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