A "psicose de IA", termo usado para descrever casos em que pessoas desenvolvem uma forte ligação emocional com inteligências artificiais, virou assunto após relatos de usuários que passaram a tratá-las como parceiros, terapeutas e guias espirituais. Mas a forma como nos relacionamos com esse tipo de tecnologia pode estar entrando em uma nova fase. Agora, a Coreia do Sul decidiu transformar essa experiência em um experimento na televisão.
A emissora SBS estreia, em agosto, um reality show em que pessoas solteiras desenvolvem relacionamentos com parceiros criados por inteligência artificial para descobrir até onde os sentimentos por uma máquina podem ir. O experimento nada convencional tem gerado críticas por transformar em entretenimento uma questão séria: até que ponto a inteligência artificial pode substituir os vínculos humanos?
Reality coloca participantes para namorar inteligências artificiais e testar os limites das emoções humanas
Você já imaginou namorar uma máquina? Para algumas pessoas, a ideia pode parecer algo absurdo e sem lógica. Mas para outras, esse tipo de relacionamento já é totalmente provável - e até buscado. Em agosto, a emissora sul-coreana SBS estreia o reality My AI Partner: Strange Romance, que propõe colocar pessoas solteiras para conviver com parceiros virtuais desenvolvidos por inteligência artificial e observar se essa interação pode evoluir para um vínculo afetivo real. A produção também será distribuída internacionalmente pela Netflix.
Mas como o programa funcionará? A dinâmica parte de uma pergunta simples: é possível amar uma inteligência artificial? Ao longo do programa, os participantes conversarão diariamente com os agentes virtuais com capacidade de responder, adaptar à personalidade às interações e construir vínculos personalizados. Entre os participantes está Kian84, um dos cartunistas e apresentadores mais conhecidos da Coreia do Sul. Já no estúdio, humoristas, atores e cantores vão acompanhar os diálogos e comentar o desenvolvimento das relações.
Outro ponto interessante é que o reality acompanha uma transformação na televisão sul-coreana. Nos últimos anos, os programas de namoro do país passaram a explorar formatos cada vez mais incomuns, abordando temas como diversidade, solidão e novas formas de relacionamento. Agora, a inteligência é mais uma aposta.
Relacionamentos com IA podem aumentar o isolamento e reforçar problemas emocionais
Embora o reality esteja sendo divulgado como um experimento social, a ideia não é nada diferente do que já vem acontecendo na realidade. Os chatbots estão cada vez mais “evoluídos” e sendo usados como amigos virtuais, conselheiros e parceiros românticos, criando vínculos emocionais que estão preocupando os especialistas.
Nos últimos meses, cada vez mais está sendo visto casos de pessoas que desenvolveram forte dependência emocional com assistentes de IA. Em situações mais problemáticas, usuários considerados emocionalmente vulneráveis passaram a enxergar os chatbots como maridos, namorados e psicólogos. Alguns pesquisadores na área relacionam esses casos com um fenômeno conhecido como "psicose de IA”, um quadro em que a tecnologia pode reforçar delírios ou interpretações distorcidas da realidade em indivíduos predispostos.
Mas o medo vai além da saúde mental. Pesquisadores apontam que aplicativos especializados em relacionamentos com IA já movimentam uma indústria bilionária, baseada na oferta de companheiros sempre disponíveis, sem rejeição e com personalidade totalmente ajustável às preferências do usuário. Para alguns especialistas, essa dinâmica pode reduzir o interesse por relacionamentos reais, aumentar o isolamento social e aprofundar a dependência emocional, especialmente entre pessoas mais solitárias ou psicologicamente vulneráveis.
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