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Na China, pegar um táxi agora é mais barato do que usar o próprio veículo por um motivo: carros elétricos

Alta eletrificação das frotas e volatilidade dos preços da gasolina estão levando cada vez mais cidadãos chineses a optar por transporte por aplicativo e táxis

Imagem | Teresa Wang
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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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A China está vivenciando uma situação peculiar: em suas ruas, agora é mais barato se locomover de táxi do que de carro particular. De acordo com os dados mais recentes do Ministério dos Transportes, coletados pela Reuters, as viagens de táxi aumentaram 6% desde o início da crise de Ormuz, um fenômeno que coincide com a alta dos preços dos combustíveis e a eletrificação massiva das frotas urbanas. Essa porcentagem se traduz em mais de 3,05 bilhões de viagens de táxi somente em maio, demonstrando que a situação geopolítica internacional tem um impacto significativo no cotidiano das pessoas.

Contexto

O conflito Irã-Contras e a situação no Estreito de Ormuz fizeram com que as compras chinesas de petróleo bruto atingissem mínimas históricas. Em junho passado, as importações de petróleo despencaram 41,3% em relação ao ano anterior, atingindo o nível mais baixo em uma década, desde outubro de 2016, com apenas 29,27 milhões de toneladas (aproximadamente 7,12 milhões de barris por dia). Isso foi agravado pela baixa produção nas refinarias nacionais devido à fraca demanda interna. Tudo isso criou a tempestade perfeita para uma escassez que elevou os preços, incluindo o da gasolina.

Segredo está na eletricidade

É aí que os táxis entram em cena. Apesar do aumento diário dos preços dos combustíveis, as tarifas de táxi na China estão se tornando cada vez mais acessíveis. Isso porque, como indica a Reuters, quase metade da frota de táxis do país é elétrica (uma condição que, nas cidades, abrange quase 100% da oferta de carros) e, portanto, não é tão dependente da volatilidade dos preços do petróleo, tornando-se uma proteção eficaz para a China contra o choque de Ormuz.

Isso não é tudo

Ultimamente, o acesso cada vez mais fácil a veículos elétricos e a desaceleração da economia chinesa têm levado muitos cidadãos a se tornarem profissionais autônomos e a buscarem trabalho no setor de mobilidade como motoristas com seus próprios carros. Segundo a Reuters, empresas como a DiDi, o principal aplicativo chinês de MaaS (Mobilidade como Serviço), cresceram graças a esse fenômeno. Nesse caso, a empresa adicionou mais de 2 milhões de veículos híbridos ou elétricos no último ano, elevando sua frota total para mais de 8 milhões de modelos livres de combustíveis fósseis. Assim, há mais oferta e mais concorrência e, consequentemente, as tarifas estão muito mais acessíveis.

Ganha o usuário

Essa nova tendência já inundou as redes sociais no país asiático e, além das tarifas mais baixas e da economia com gasolina, muitos cidadãos chineses apontam o conforto da viagem e a facilidade de não precisar procurar estacionamento como outros benefícios de optar por táxis, como Yang, proprietário de um carro a gasolina, disse à Reuters. No entanto, nem tudo está isento de riscos, já que essas profissões da economia sob demanda — como motoristas profissionais, entregadores e mensageiros — são muito procuradas e podem acabar saturando o mercado.

Mudança para melhor?

Desde a crise, não é segredo que o mundo está se acostumando a viver com 9% menos petróleo do que costumava passar pelo Estreito de Ormuz. Como muitos outros países, a China agora busca ser menos vulnerável à volatilidade internacional e menos dependente de combustíveis fósseis. Ela faz isso em uma clara tentativa de liderar a descarbonização, dominando a produção global de painéis solares, baterias e, claro, veículos elétricos. A grande questão é se essa mudança se deve apenas ao aumento dos preços do petróleo ou se, em última análise, consolidará uma mudança na mentalidade dos cidadãos chineses, mesmo após a estabilização do mercado de energia.

Imagem | Teresa Wang

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