Uma montadora que planeja manter atividades de longo prazo em uma de suas fábricas é algo cada vez mais raro. A Volvo é uma exceção. A fabricante sueca acaba de assinar um acordo com o governo federal da Bélgica para não apenas manter as operações em sua fábrica de Ghent, mas também reforçar sua competitividade.
O plano de apoio tem dois pilares principais: a empresa poderá receber até 119 milhões de euros (R$ 688 milhões) em recursos públicos para financiar iniciativas industriais, de inovação e ambientais. Em um segundo momento, a fábrica poderá abrir suas portas para a montagem de veículos de outras marcas, embora a Volvo ainda não tenha dado mais detalhes sobre esse ponto.
O CEO da empresa, Håkan Samuelsson, já havia sugerido abrir as fábricas europeias da montadora para outras marcas do grupo Geely, do qual a Volvo faz parte. Assim, é possível supor com boa dose de confiança que as primeiras marcas a se beneficiar dessa abertura poderão ser Geely, Zeekr e Lynk & Co.
Em 2025, 212.177 veículos saíram das linhas de produção de Ghent. Entre eles estavam os XC40, EX40, EC40, V60 e o mais recente EX30. Em resumo, alguns dos modelos mais populares da marca. Já o EX60, que aparentemente teve um início promissor de vendas, continua sendo produzido exclusivamente na fábrica de Torslanda, próxima à sede histórica da empresa em Gotemburgo.
Vantajoso para o grupo, indispensável para a região
Sobre esse acordo, o ministro-presidente da região de Flandres, Matthias Diependaele, declarou: "A Volvo Cars faz parte do tecido industrial da região há décadas [...] Ao criar as condições adequadas para novos investimentos, garantimos um futuro industrial sólido para a unidade de Ghent e para todo o ecossistema automotivo ao seu redor”.
O que o ministro não menciona é que a região de Flandres depende da Volvo. Com 6.300 funcionários, a fábrica de Ghent é a maior empregadora do setor, sem contar os postos de trabalho nas empresas fornecedoras que atuam junto à montadora. No fim do primeiro trimestre de 2026, Flandres registrava 219.637 desempregados, número 3% superior ao do mesmo período do ano anterior. Mais do que nunca, portanto, o momento é de cuidar das grandes empresas instaladas na região.
A marca produz carros na Bélgica desde 1965 e caminhões desde 1975, o que mostra o quanto sua colaboração com as instituições regionais é antiga. No entanto, esta é a primeira vez que o governo concede um apoio dessa magnitude à montadora.
A Volvo e, de forma mais ampla, o grupo Geely poderão aproveitar essa postura favorável do governo federal belga. Enquanto o governo apresenta o acordo como uma forma de manter o país como um destino estratégico para a indústria automotiva, o grupo Geely poderá fabricar veículos de suas marcas chinesas na Europa, contornando as tarifas de importação e produzindo automóveis que se beneficiem do eco-score a um custo menor.
Este texto foi traduzido/adaptado do site L’Automobile Magazine.
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