Já imaginou caminhar pela areia de uma praia e encontrar os restos de um navio perdido há mais de 130 anos? Pois isso pode muito bem acontecer na Praia do Embaré, em Santos. No último sábado (17), a maré baixa voltou a revelar parte da estrutura de uma antiga embarcação que permanece escondida há anos na areia. Conhecido popularmente como “navio fantasma”, o casco é atribuído ao veleiro britânico Kestrel, que naufragou no litoral de São Paulo em 1895 durante uma forte tempestade. Apesar do apelido cercado de mistério, a embarcação nunca teve relação com piratas. Na verdade, sua história está ligada ao comércio marítimo do século XIX.
Mistério do “navio fantasma” de Santos envolve veleiro britânico desaparecido há mais de 100 anos
Histórias de piratas, grandes navegações e navios perdidos sempre despertaram a imaginação de quem gosta dos mistérios do mar. Mas, em Santos, uma dessas histórias se concretizou: quando a maré baixa, os restos de uma antiga embarcação reaparecem na areia da Praia do Embaré. O famoso “navio fantasma”, que por muito tempo alimentou a imaginação de moradores e visitantes, é hoje associado ao veleiro britânico Kestrel, que encalhou no litoral paulista em 1895.
Construído em 1871, o navio de três mastros tinha cerca de 80 metros de comprimento e era utilizado para o transporte de cargas entre a Europa, os Estados Unidos e a América do Sul. Mas, depois de naufragar em Santos, a identidade da embarcação ficou escondida junto com os próprios destroços. O mistério só começou a ser desvendado em 2017, quando uma nova aparição da estrutura levou pesquisadores a comparar suas características com registros históricos de embarcações do século XIX.
Destroços encalhados na praia foram comparados ao veleiro britânico Kestrel
Uma das dicas veio de uma pintura feita pelo artista Benedito Calixto em 1895, que retrata um veleiro encalhado na praia. A obra, inicialmente associada a outro naufrágio, passou a ser analisada por pesquisadores e ajudou a reforçar a hipótese de que o navio representado seria o Kestrel. A comparação entre a pintura e os destroços encontrados em Santos levou pesquisadores a observar semelhanças na posição da embarcação, no formato do veleiro e na paisagem ao redor. Embora ainda não exista uma confirmação definitiva, o Kestrel é atualmente considerado a explicação mais provável para a origem do misterioso “navio fantasma” que reaparece na areia.
Tempestade arrastou o Kestrel para a praia de Santos, onde seus restos permanecem até hoje
Mas afinal, como o Kestrel foi parar em uma praia no litoral paulista? A história do navio fantasma começou no início de 1895, quando o Kestrel chegou ao Porto de Santos para descarregar mercadorias. Enquanto aguardava novas ordens de viagem, o veleiro permaneceu fundeado na região, mas uma forte tempestade atingiu o litoral paulista em 11 de fevereiro daquele ano.
Com a força das ondas e dos ventos, a corrente da âncora se rompeu e a embarcação acabou sendo levada em direção à areia, onde acabou encalhando. Felizmente, o acidente não deixou vítimas, mas causou grandes danos ao navio: os mastros foram destruídos e o leme ficou inutilizado.
Depois do naufrágio, partes da estrutura foram retiradas, mas o que restou acabou permanecendo na área, e o local foi transformado em um sítio arqueológico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mantendo o que sobrou do Kestrel no próprio ponto onde naufragou. Hoje, o antigo veleiro continua reaparecendo conforme as condições do mar permitem.
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