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Um piloto de linha aérea sobre celulares que não estão no modo avião durante a decolagem: "existe a possibilidade de que essas ondas causem interferência"

  • Um telefone em busca de sinal emite ondas de rádio que causam interferência;

  • A decolagem e o pouso são as fases críticas em que essa desconexão é exigida

Um piloto de linha aérea, sobre celulares que não estão no modo avião durante a decolagem: "existe a possibilidade de que essas ondas causem interferência"
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Fabrício Mainenti

Redator

Apertar o cinto de segurança, guardar a mesa retrátil e colocar o celular no modo avião são instruções universais que todo passageiro recebe antes da decolagem. Apesar da flexibilização gradual de certas normas na Europa, a exigência de desconectar-se das redes móveis a bordo sempre foi cercada por mitos infundados.

Muitas pessoas ainda se perguntam se o simples fato de esquecer de isolar o smartphone poderia interferir nos sistemas da aeronave e, potencialmente, causar um acidente.

A realidade é bem menos catastrófica, mas existe uma razão muito válida para essa restrição. Em um vídeo publicado pela WKYC Channel 3, um piloto tentou encerrar o debate explicando, em primeira mão, o que acontece na cabine de comando quando essa regra é ignorada.

"Este é apenas um lembrete amigável de que o botão de modo avião no seu celular não é uma teoria da conspiração", observou ele, esclarecendo que o problema decorre da interferência de áudio resultante.

Um zumbido irritante nos fones de ouvido

Um zumbido irritante nos fones de ouvido

O perigo de não ativar o modo avião não reside nos componentes eletrônicos ou de navegação da aeronave, mas sim nos seus canais de telecomunicação. Como explica o piloto, o problema surge das ondas eletromagnéticas emitidas pelos celulares enquanto tentam, repetidamente, conectar-se a torres de telefonia.

"Se você tem um avião com 70, 80 ou 150 pessoas a bordo e os celulares de apenas três ou quatro delas começam a tentar estabelecer uma conexão... ondas de rádio são emitidas. Existe a possibilidade de que essas ondas interfiram nos fones de ouvido que os pilotos estão usando".

O piloto explica ainda que, ao buscar continuamente uma rede, os celulares geram um ruído que ele descreve como "um zumbido muito irritante", semelhante a "ter um mosquito no ouvido".

Essa visão é corroborada por outros especialistas em aviação civil, que sustentam que essa interferência de sinal — envolvendo cerca de 8 watts de potência — não representa ameaça à segurança do voo. No entanto, é extremamente desagradável, comparável ao ruído produzido quando se aproxima demais um microfone de um alto-falante.

Quando evitar a interferência é mais importante

A interferência acústica que afeta as telecomunicações torna-se particularmente crítica durante duas fases: decolagem e pouso. Nesses períodos, a tripulação mantém comunicação constante com os controladores de tráfego aéreo; portanto, um áudio claro e livre de ruídos estáticos é essencial para garantir que as instruções sejam recebidas sem mal-entendidos.

Há até mesmo situações de emergência ou condições climáticas adversas em que simplesmente ativar o modo avião não basta, e a tripulação pode exigir que os smartphones sejam totalmente desligados: quando a visibilidade na pista é muito baixa, os comandantes precisam depender de sistemas de pouso automático. Essa manobra exige leituras de altímetro extremamente precisas.

É nesses casos excepcionais que evitar qualquer interferência é crucial; por isso, os comissários de bordo verificam a cabine para garantir que nenhum celular permaneça ligado. Portanto, embora um celular conectado a uma rede não vá derrubar um avião, mantê-lo desconectado continua sendo uma questão de segurança, cortesia e respeito pelo trabalho dos pilotos.

Imagem de capa | Composição utilizando imagens de William Gevorg Urban (via Pexels) e WKYC Channel 3 (via YouTube)

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