Um dos mantras mais repetidos no campo da saúde está relacionado à necessidade de dormir pelo menos oito horas todas as noites. Uma meta que foi bastante estudada, assim como as consequências de não cumpri-la. Mas, agora, vemos que a regularidade do sono é um indicador de saúde a longo prazo muito mais forte do que a simples duração.
Embora tenhamos “glorificado” o quanto se deve dormir, a realidade é que o mais importante é manter uma boa constância, como acontece com muitos outros processos.
O consenso científico sobre essa mudança de paradigma vem ganhando força e a última grande evidência foi publicada pela National Sleep Foundation, com um artigo que aponta essa regularidade como um dos componentes mais negligenciados dos nossos hábitos noturnos.
O fator chave é o relógio interno, já que devemos lembrar que o horário de acordar e a exposição precoce à luz natural são o que ativa nosso sistema interno por meio da liberação de cortisol. Dessa forma, ao manter uma referência constante, conseguimos regularizar processos biológicos críticos, desde a secreção hormonal até a temperatura corporal.
E quem não consegue?
Dormir e acordar sempre em horários diferentes cobra seu preço. Um exemplo clássico é o fim de semana, quando vamos dormir mais tarde e acordamos duas ou três horas depois do habitual — e, provavelmente, a sensação ao despertar é de cansaço. Isso é o que já se conhece como “jet lag social” ou “jet lag de segunda-feira”, responsável por aquela névoa mental, falta de alerta e baixa função cognitiva com que começamos a semana.
Diferentemente da duração total do sono, a regularidade é um indicador direto da integridade do nosso sistema circadiano, já que, quando o relógio interno e as demandas do ambiente se dessincronizam — o que é conhecido como cronodisrupção —, o corpo sofre. Assim como acontece quando viajamos entre países ou passamos por mudanças de fuso horário.
Um estudo publicado na Health Data Science analisou mais de 88.000 adultos do Reino Unido e apontou que padrões de sono irregulares estão associados a uma maior predisposição para desenvolver até 172 doenças diferentes.
De fato, estudos de actigrafia mostraram que variações nos horários de sono de uma mesma pessoa estão diretamente associadas ao risco de morte por qualquer causa. Por isso, tentar “compensar” aos sábados e domingos dormindo mais não apenas não resolve o problema, como também nos coloca em risco.
É possível observar uma relação linear entre a instabilidade do sono e o risco de sofrer um evento cardíaco. Além disso, ao tentar “compensar” o cansaço no fim de semana, soma-se uma pior sensibilidade à insulina, o que acaba alterando o metabolismo da glicose e, a longo prazo, cobra um preço alto.
Além disso, a falta de uma rotina clara de sono provoca um estado pró-inflamatório crônico. Essa alteração compromete nossa resposta imunológica diante de patógenos, piora a regulação de doenças autoimunes e reduz a capacidade das nossas células de se reparar e eliminar resíduos metabólicos. Em resumo, manter horários de sono consistentes é fundamental se realmente quisermos obter um bom desempenho no dia a dia.
Imagens | Unsplash
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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