Não se mude antes de ler isso: essas são as piores cidades para se viver no Brasil

Isolamento, falta de infraestrutura e violência colocam municípios do Norte no topo da lista das piores cidades brasileiras para se viver

Foto: Carina Furlanetto/Adobe Stock
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

Um novo levantamento revelou quais são as cidades brasileiras com as piores condições de vida em 2025. O ranking, elaborado pelo Índice de Progresso Social (IPS) Brasil utiliza indicadores sociais e econômicos para avaliar os municípios. A conclusão do estudo mostra que cidades do Norte do país concentram os piores resultados em educação, saúde, saneamento e segurança.

IPS Brasil utiliza 57 indicadores para avaliar o desempenho das cidades

O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil é a ferramenta mais completa de análise da realidade socioambiental brasileira. Com base na metodologia internacional do Social Progress Imperative, criada pelo professor Michael Porter, da Universidade de Harvard, o estudo mede a capacidade dos municípios de oferecer bem-estar à população — indo além do aspecto econômico.

O índice reúne 57 indicadores públicos sociais e ambientais, divididos em três grandes dimensões:

  • Necessidades Humanas Básicas: avalia acesso à alimentação, saúde, moradia e segurança;
  • Fundamentos do Bem-Estar: analisa o acesso à educação básica, qualidade de vida e meio ambiente;
  • Oportunidades: considera direitos individuais, inclusão social e acesso à educação superior.

Com notas que variam de 0 a 100, o IPS Brasil 2025 classifica todos os 5.570 municípios do país.

As 10 piores cidades para se viver no Brasil

O estudo mostra que alguns municípios, especialmente na Região Norte, enfrentam graves deficiências em áreas como saneamento, segurança, educação e saúde. As piores pontuações estão concentradas em cidades de Roraima e Pará, que lideram o ranking com indicadores de desenvolvimento humano e social muito abaixo da média nacional.

#1 Uiramutã (RR) — 37,59 pontos  

Com a maioria dos indicadores em catalogados como relativamente fracos, a cidade de Uiramutã, no extremo norte de Roraima, teve indicadores relativamente neutros em apenas quatro das 12 subcategorias: Acesso ao Conhecimento Básico, Direitos Individuais, Saúde e Bem-estar e Segurança Pessoal.

Uiramutã é a cidade mais indígena do território brasileiro. Ela faz fronteira com a Venezuela e Guiana e é marcada pelo isolamento geográfico, precariedade de infraestrutura e economia de subsistência

#2 Jacareacanga (PA) — 40,04 pontos 

Situado às margens do Rio Tapajós no Pará, a cidade de Jacareacanga ocupa o segundo lugar no ranking das cidades com piores pontuações no IPS Brasil. Apesar de apresentar um indicador relativamente forte (Saúde e Bem-estar), existem outros nove indicadores relativamente fracos e apenas dois relativamente neutros (Inclusão Social e Direitos Individuais). 

Com cerca de 26 mil habitantes, a infraestrutura urbana não se mostra suficiente para atender à toda população. Além disso, a cidade sofre com a distância de grandes centros, garimpos ilegais e violência

#3 Amajari (RR) — 40,95 pontos

Com apenas quatro indicadores relativamente neutros (Acesso ao Conhecimento Básico, Direitos Individuais, Inclusão Social e Acesso à Educação Superior) a cidade criada em 1955 tem a maioria das subcategorias caracterizadas como relativamente fracas. 

Amajari sofre com carências na infraestrutura, precariedade escolar e na saúde pública, além de conflitos relacionados às terras indígenas. A economia da cidade é baseada em agropecuária e ecoturismo. 

#4 Bannach (PA) — 40,99 pontos 

Apesar de um dos indicadores apresentar resultados relativamente fortes (Nutrição e Cuidados Médicos Básicos), Bannach, no sudoeste do Pará, tem apenas dois indicadores neutros (Saúde e Bem-estar e Inclusão Social) e os nove restantes relativamente fracos

Bannach é uma das cidades menos populosas do país, com cerca de 4.500 habitantes. O município foi fundado em 1993 e ainda carece de investimentos públicos, além de sofrer com canais de educação de saúde extremamente precários. 

#5 Alto Alegre (RR) — 41,07 pontos

Assim como Uiramutã, Alto Alegre, cidade à 80km da capital Boa Vista, alcançou indicadores relativamente neutros em apenas quatro subcategorias: Acesso a Conhecimento Básico, Direitos Individuais, Inclusão Social e Acesso à Educação Superior. 

Além disso, a cidade se destaca negativamente no ranking por grandes déficits na saúde e saneamento básico, conflitos relacionados a terras indígenas e baixo desenvolvimento industrial e comercial. 

#6 Trairão (PA) — 42,08 pontos 

Localizada na região sudoeste do Pará, o município de Trairão abriga cerca de 19.000 habitantes. No ranking IPS Brasil, a cidade atingiu indicadores relativamente neutros em metade das subcategorias

  • Nutrição e Cuidados Médicos Básicos;
  • Direitos Individuais;
  • Saúde e Bem-estar;
  • Inclusão Social;
  • Segurança Pessoal;
  • Acesso à Educação Superior.

A economia de Trairão é baseada na agropecuária. O municipio paraense sofre com problemas de desmatamento e exploração madeireira ilegal, além de apresentar altos indices de criminalidade até mesmo nas areas rurais. A falta de infraestrutura básica, como pavimentação, e energia instável também são grandes problemas para a população. 

#7 Pacajá (PA) — 42,86 pontos 

Com indicadores relativamente neutros em Saúde e Bem-estar, Inclusão Social, Direitos Individuais e Nutrição e Cuidados Médicos Básicos, Pacajá enfrenta sérios desafios estruturais.

A violência urbana e rural está entre os principais problemas do município. Além disso, a cidade sofre com a precariedade no saneamento básico e oferta insuficiente de escolas. A cidade também é marcada por crimes ambientais, como a exploração ilegal de madeira e o garimpo clandestino, e a ausência de alternativas econômicas.

#8 Portel (PA) — 43,25 pontos 

Localizado na região do Marajó, o município de Portel tem pouco mais de 63 mil habitantes e indicadores relativamente neutros em Direitos Individuais, Inclusão Social, Segurança Pessoal e Acesso à Educação Superior — além de desempenho relativamente forte em Saúde e Bem-estar.

Apesar disso, o isolamento geográfico e a dependência das vias fluviais dificultam o acesso a serviços básicos. A população enfrenta limitações em infraestrutura, com saúde e educação de baixa qualidade e um mercado de trabalho restrito. A vulnerabilidade econômica é alta, e as opções de desenvolvimento permanecem limitadas pela logística difícil e pela ausência de investimentos.

#9 São Félix do Xingu (PA) — 43,33 pontos

Terceiro maior município do Pará e um dos maiores do Brasil em extensão territorial, São Félix do Xingu obteve indicadores relativamente neutros em Direitos Individuais, Inclusão Social, Acesso à Educação Superior e Segurança Pessoal, além de um indicador relativamente forte em Saúde e Bem-estar.

O município enfrenta problemas com garimpo ilegal, conflitos agrários e degradação ambiental. A economia local é baseada no extrativismo e na agropecuária de subsistência, resultando em alta taxa de pobreza. Os serviços públicos de saúde e educação são limitados, e o saneamento básico ainda não atende a grande parte da população. O isolamento geográfico e as dificuldades de transporte agravam os índices sociais e econômicos.

#10 Anapu (PA) — 43,39 pontos

Com indicadores relativamente neutros em Direitos Individuais, Nutrição e Cuidados Médicos Básicos, Saúde e Bem-estar e Inclusão Social, Anapu apresenta um dos menores Índices de Progresso Social do país. 

A cidade é marcada por violência rural e conflitos fundiários intensos. O município sofre com baixos níveis de saneamento, falta de acesso à água potável e serviços de saúde insuficientes. Além disso, o desmatamento elevado e a ausência de diversificação econômica mantêm grande parte da população em situação de pobreza.

Foto de capa: Carina Furlanetto/Adobe Stock

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