Parece Brasil: por causa da criminalidade, cresce a procura por cães de defesa no Reino Unido

Mercado pode valer 2,5 bilhões de dólares até 2035

Cães de defesa pessoal / Imagem: Bignsmall Paws317 (Unsplash) e Wikipedia
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Diz o ditado popular que o cachorro é o melhor amigo do homem. No Reino Unido, cada vez mais gente acredita que ele pode ser algo mais: seu melhor protetor. Graças à visibilidade que as redes sociais e as celebridades vêm dando ao tema, os cães de guarda têm crescido em popularidade no país.

Eles não são baratos, trazem muito mais responsabilidades do que um animal de estimação “convencional” e se inserem em um marco legal complexo, mas isso não impede que estejam cada vez mais comuns. Há quem até preveja que o mercado de cães de defesa pessoal seja bilionário e esteja em plena expansão no Reino Unido.

O jornal The Guardian publicou há alguns dias uma ampla reportagem explicando que os cães de defesa estão se tornando um negócio cada vez mais rentável no Reino Unido. Não há muitas estatísticas nem dados oficiais que confirmem a tendência (ao menos o The Guardian não apresenta), mas a mensagem do setor é clara. “A demanda aumentou, sem dúvida”, confirma Alaster Bly, fundador da K9 Protector, empresa especializada em “cães de guarda de proteção altamente treinados para segurança”. Há inclusive adestradores que oferecem cursos especiais para educar animais que as pessoas já têm em casa.

Uma busca rápida no Google mostra um bom número de empresas e blogs britânicos dedicados exatamente a isso: vender ou informar sobre cães de defesa. E essa não é a única pista. Há inclusive relatórios de mercado que garantem que se trata de um negócio em plena expansão.

Um estudo recente publicado pela AdAstra Solution estimou o tamanho do mercado de cães de proteção britânico em 1,2 bilhão de dólares em 2024. A previsão é que, em apenas uma década, ele chegue a 2,5 bilhões, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 9,2%. A chave não está apenas no fato de esses animais despertarem mais interesse, mas também em estarem ampliando sua base de demanda.

Aumento da demanda

Segundo constatou o The Guardian após entrevistar profissionais do setor, o panorama está mudando pouco a pouco, à medida que a demanda aumenta. Bly reconhece que a maioria de seus clientes ainda é de pessoas abastadas, mas também percebeu um interesse crescente por parte de famílias que não o são e que simplesmente querem “investir em segurança”. Há dois motivos principais para essa mudança. O primeiro é a preocupação com a criminalidade.

Embora as estatísticas oficiais possam ser contraditórias, os dados da Statista mostram que o número de crimes violentos contra pessoas registrados pela polícia da Inglaterra e do País de Gales aumentou nas últimas décadas. Ainda que esses números tenham diminuído nos últimos anos, continuam se mantendo muito acima dos níveis do início do século 21.

O segundo motivo são as redes sociais. A repórter britânica Elle Hunt lembra que o aumento da demanda veio acompanhado de uma maior exposição midiática desse tipo de cão. Nos últimos anos, personalidades como Rochelle e Marvin Humes, Molly-Mae Hague, Katie Price e J. Terry, entre outros atores, cantores, jogadores de futebol e figuras da TV do país, passaram a adquirir cães de defesa.

No setor, há quem destaque que o aumento da demanda coincide com uma maior visibilidade, via Instagram ou TikTok, de exibições de cães de defesa e de competições de Schutzhund, um esporte de agilidade canina.

Esses cães custam muito mais que um “convencional”. Um cachorro adestrado exige um trabalho considerável que, em alguns casos, começa até antes do nascimento do animal. Bly trabalha, por exemplo, com híbridos de pastores alemães e belgas, uma “mistura genética muito específica” que lhes permite se adaptar à função. Por isso, não são baratos. Custam pelo menos 32.000 libras esterlinas (R$ 225 mil). No entanto, o preço é apenas um dos fatores que o dono deve considerar.

Outro ponto, ainda mais importante, é o cuidado e a responsabilidade de ter um cão especialmente adestrado para defesa. O The Guardian lembra que esses cães de proteção pessoal têm um enquadramento legal complexo, pois não estão sob a Lei dos Cães de Guarda, que regula os animais responsáveis por proteger estabelecimentos ou profissionais.

“Recebem o mesmo tratamento que qualquer outro cachorro”, explica um advogado criminalista. O problema é que as apólices padrão de seguro residencial podem não cobri-los. Um fator importante em um país que, nos últimos anos, viu aumentar os ataques de cães registrados pela polícia.

Imagens | Bignsmall Paws317 (Unsplash) e Wikipedia

Fonte | The Guardian


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