A que ponto chegamos: já existe empresa comercializando namorados de IA

EVA AI já tem 5 milhões de downloads na Play Store e segue tendência de outros serviços como Grok e ChatGPT

IA de namoro / Imagem: Alexander Sinn (Unsplash)
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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Ir a uma cafeteria para um encontro às cegas já é, por si só, uma situação um tanto peculiar. Se, além disso, quem está te esperando é uma IA, o caso beira o surrealismo.

É o que conta o jornalista Ben Sherry do site INC sobre sua experiência em um café pop-up de IA, em Nova York. Lá, ele foi acomodado em uma mesa com apenas uma cadeira e um suporte com um celular, onde ele pôde escolher entre diferentes avatares IA para o seu encontro. Durante o tempo que passou no EVA Café, conversou com dois avatares, primeiro uma mulher e depois um homem. Ambos elogiaram seu cabelo e a decoração do local, mas se mostraram resistentes a responder perguntas mais profundas, como sobre sua ideologia política.

O app que organizou o evento  se chama EVA AI e é um aplicativo de “amigos” IA, no estilo do Replika ou Character.ai. Sua última ação comercial foi esse café pop-up “para levar o romance virtual ao mundo real”. A responsável de vendas do app disse à INC que o objetivo é combater o estigma existente em relação aos relacionamentos com IAs.

O app, que acumula mais de 5 milhões de downloads na Play Store, oferece a possibilidade de iniciar um relacionamento com um de seus diferentes avatares de IA, sempre com clara inclinação ao romance. É possível começar gratuitamente, mas, se o usuário quiser continuar conversando com sua IA, é necessário pagar; somente assim são desbloqueadas funções especiais, como envio de imagens ou possibilidade de videochamadas.

Minha amante é uma máquina

O caso da EVA AI não é isolado. Namoradas virtuais existem há muito tempo, mas, com a IA generativa, houve um boom desse tipo de app. Cada vez mais pessoas recorrem a esse modelo relacional, a ponto de haver quem traia seu parceiro real com uma IA. Para deixar claro que a tendência é real, o Grok lançou sua namorada virtual Ani e o ChatGPT anunciou que lançará em breve o “modo adulto”, funções que, naturalmente, só podem ser usadas por usuários com assinatura.

Independentemente das razões psicossociais que nos levam a buscar conexão íntima com uma máquina, o motivo pelo qual empresas como OpenAI ou xAI estão voltando-se para conteúdo adulto é claro: gerar dinheiro. A conexão emocional é uma forma de aumentar o engajamento dos usuários com o serviço e, ao colocar uma assinatura como porta de acesso, conseguem não apenas que os clientes passem mais tempo no app, mas também que paguem por isso. A IA enfrenta um problema de monetização e essa é uma das formas de gerar receita.

Pode parecer algo recente, mas, na realidade, os humanos vêm se conectando com máquinas desde 1966, quando foi criado o primeiro chatbot. Nesse sentido, a IA não mudou nada, embora esteja ajudando a normalizar essa interação. Recentemente, vimos outros exemplos de conexão emocional com máquinas, como quando a OpenAI desativou o ChatGPT 4o e os usuários ficaram revoltados porque gostavam de seu tom caloroso e amigável. Também ocorreu com a celebração de um funeral simbólico para o Claude 3 Sonnet, outro modelo que era muito querido pela comunidade.

Imagem | Alexander Sinn (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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