Um avanço tecnológico com propulsão química
É hora de acelerar. Ao contrário dos foguetes convencionais que queimam enormes quantidades de combustível em minutos para escapar da gravidade da Terra, este motor de plasma foi projetado para o "alto vácuo". Essencialmente, uma explosão massiva no lançamento não é mais necessária, pois o princípio se baseia no uso de campos eletromagnéticos para acelerar partículas de hidrogênio carregadas. Essa tecnologia, embora já utilizada em alguns satélites, é altamente inovadora quando aplicada a objetos mais massivos.
Ao atingir uma velocidade de ejeção tão alta, o motor fornece impulso constante por períodos muito longos. Alexei Voronov, Primeiro Vice-Diretor de Ciência do instituto, explica a importância dessa conquista:
"O sistema de propulsão acelera partículas de hidrogênio carregadas — prótons e elétrons — a velocidades de até 100 quilômetros por segundo. Isso é muito superior aos foguetes químicos, que normalmente atingem cerca de 4,5 km/s".
Essa é a questão crucial: ao ejetar a matéria muito mais rapidamente, consumimos muito menos "combustível" para uma aceleração final significativamente maior. Este motor não será usado para o lançamento da Terra, mas atuará como um verdadeiro rebocador espacial quando estiver em órbita.
Energia nuclear e hidrogênio: a combinação vencedora
Para alimentar um gigante como esse, os painéis solares já não são suficientes. O projeto russo conta com um reator nuclear a bordo, capaz de fornecer uma quantidade constante e massiva de energia. O combustível escolhido é o hidrogênio, um elemento leve e abundante. Segundo os engenheiros, a baixa massa atômica do hidrogênio é a chave para alcançar uma aceleração rápida sem adicionar peso desnecessário à espaçonave.
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Motor químico clássico |
Motor de Plasma Atual (Tipo Psique) |
Novo protótipo russo |
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Velocidade de ejeção |
~4,5 km/s |
30 a 50 km/s |
100 km/s |
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Fonte de energia |
Combustão química |
Energia solar/elétrica |
Nuclear |
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Uso principal |
Lançamento e decolagem |
Manutenção de órbita / Sondas |
Viagens interplanetárias intensas |
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Potência anunciada |
Muito alto (curto prazo) |
Baixo (longo prazo) |
300 kW (pulsado) |
A própria arquitetura do motor foi projetada para durabilidade. Em vez de aquecer o plasma a temperaturas extremas que corroeriam os componentes, o sistema utiliza dois eletrodos de alta tensão para criar um fluxo direcionado. Yegor Biryulin, pesquisador do projeto, destaca as vantagens desse método:
"A baixa massa atômica do hidrogênio permite uma aceleração mais rápida, reduzindo o consumo de combustível. Esse projeto evita o aquecimento do plasma a temperaturas extremas, o que reduz o desgaste dos componentes e melhora a eficiência geral".
Meta 2030: entre a esperança e os desafios técnicos
As coisas estão progredindo bem. O primeiro protótipo já passou por testes rigorosos em uma câmara de vácuo de 14 metros de comprimento, simulando as condições do espaço. Os resultados são animadores: o motor já operou por 2.400 horas, a duração necessária para uma missão completa a Marte. Com uma potência de 300 kW, ele supera os padrões atuais, como os utilizados pela missão Psyche da NASA.
No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer antes que uma tripulação humana seja impulsionada por essa tecnologia. A utilização de um reator nuclear no espaço levanta preocupações óbvias de segurança e exige acordos internacionais rigorosos. Além disso, o controle do calor produzido por um motor desse tipo e a proteção da tripulação contra a radiação continuam sendo grandes desafios para os engenheiros da Rosatom.
Se o cronograma for mantido, os primeiros testes em condições reais poderão ocorrer até 2030, mas não antes.
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