Como descobriram que era preciso ferver maniçoba por sete dias seguidos para que o veneno fosse removido? Entenda esta relíquia da culinária brasileira

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Maniçoba
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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A maniçoba é um dos pratos mais emblemáticos do Norte do Brasil, especialmente do Pará. Conhecida como “feijoada paraense”, leva maniva — a folha da mandioca moída — e diversas carnes suínas e bovinas. O detalhe impressiona: ela precisa ser fervida por cerca de sete dias para eliminar o ácido cianídrico, substância tóxica presente na mandioca brava.

Mas como alguém descobriu isso?

Não há um registro exato. O que se sabe é que o prato tem origem indígena, possivelmente entre povos da região amazônica, que já dominavam técnicas complexas de processamento da mandioca muito antes da colonização. Esses povos aprenderam, por observação e experimentação ao longo de gerações, que a fervura prolongada neutralizava o veneno. Não foi acaso: foi conhecimento acumulado.

O próprio nome vem do tupi — “mani” (mandioca) e “soba” (folha). Ao longo do tempo, a receita incorporou influências africanas e europeias, sobretudo no uso de carnes salgadas e defumadas, tornando-se símbolo da culinária paraense e presença obrigatória no Círio de Nazaré.

Mais do que um prato calórico e nutritivo, a maniçoba é prova da sofisticação dos saberes indígenas. Ferver por sete dias não é exagero: é conhecimento tradicional transformada em identidade cultural.

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