Pare de cometer este erro bem comum no trânsito: novas câmeras com inteligência artificial em São Paulo multiplicaram o número de multas por 10

Monitoramento automatizado envia alertas à Polícia Rodoviária, amplia número de multas e reforça combate às principais causas de acidentes

Mulher dirigindo. Créditos: shutterstock
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
laura-vieira

Laura Vieira

Redatora
laura-vieira

Laura Vieira

Redatora

Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

498 publicaciones de Laura Vieira

Câmeras equipadas com inteligência artificial já são usadas para diferentes funções no Brasil, do reconhecimento facial em sistemas de segurança, como o Gabriel Tecnologia, ao monitoramento urbano. Em São Paulo e em outros estados, essa tecnologia também está sendo aplicada para flagrar infrações de trânsito em rodovias. 

Desde outubro de 2025, equipamentos instalados em trechos do Anel Viário Norte e Sul, em Ribeirão Preto, e na Rodovia Anhanguera, passaram a identificar automaticamente comportamentos imprudentes ao volante. Mas o mais surpreendente mesmo foi o resultado dessas infrações: o número médio de multas diárias saltou de 30 para aproximadamente 350, um aumento de dez vezes. Ao mesmo tempo, os dados apontam queda de acidentes e de vítimas nos trechos monitorados.

Inteligência artificial nas rodovias: confira o que as câmeras estão flagrando por aí

As câmeras de monitoramento de trânsito tem um objetivo evidente, que é reduzir as distrações e comportamentos de risco que continuam entre as principais causas de acidentes. As câmeras conseguem identificar motoristas utilizando o celular no volante, pessoas sem cinto de segurança, inclusive no banco traseiro, consumo de bebida durante a condução, ultrapassagens em locais proibidos e veículos comerciais trafegando fora da faixa obrigatória.

 Esse novo nível de vigilância já produziu resultados. Em um único dia de operação nas rodovias de Ribeirão Preto, os equipamentos registraram 58 motoristas fumando enquanto dirigiam e 1.797 sem cinto de segurança. O dado demonstra que a tecnologia tornou mais eficiente a identificação de condutas que já aconteciam diariamente. 

Apesar do monitoramento automatizado, a aplicação da multa não é feita pela concessionária responsável pelo trecho. As imagens capturadas são enviadas em tempo real para a Polícia Militar Rodoviária, que realiza a checagem manual antes de confirmar a infração.

Celular e cinto de segurança são as infrações que mais pesam nas estatísticas

Os celulares trouxeram inúmeras facilidades para o dia a dia, mas também se consolidaram como uma das principais fontes de distração no trânsito. Não é à toa que o smartphone aparece hoje como protagonista das imprudências ao volante. Dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) indicam que utilizar o aparelho enquanto dirige pode elevar em até 400% o risco de acidentes. A prática já é apontada como a terceira principal causa de mortes nas rodovias do país, atrás do excesso de velocidade e da embriaguez.

Além do risco, a penalidade é uma das mais severas previstas no Código de Trânsito. Manusear ou apenas segurar o celular enquanto conduz o veículo é considerado infração gravíssima, com multa de R$293,47 e sete pontos na carteira de habilitação. A autuação vale inclusive quando o carro está parado no semáforo ou em congestionamentos. O uso é permitido apenas quando o aparelho está fixado em suporte e sem interação manual durante a condução.

A ausência do cinto de segurança, por sua vez, também contribui para agravar as consequências de colisões. Nesse caso, a infração gera multa de R$195 e cinco pontos na carteira. Com a fiscalização automatizada, tanto o uso do celular quanto o não uso do cinto tendem a ser identificados com mais frequência, e isso ficou evidente em São Paulo.

Os primeiros levantamentos após a implantação das câmeras indicam uma redução de 15% no número de acidentes e de 14% no total de vítimas em comparação com o início de 2025. A combinação entre inteligência artificial, envio de alertas em tempo real e verificação humana reflete um novo modelo de controle viário, menos dependente da presença física de agentes e cada vez mais baseado na análise automatizada de comportamento.


Inicio