Brasil está desprotegido: a lista bilionária do Exército brasileiro para salvar o país de uma possível invasão

Exército brasileiro quer modernizar suas armas para se proteger contra drones | Imagem: MBDA (Divulgação)
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Igor Gomes

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Subeditor do Xataka Brasil. Jornalista há 15 anos, já trabalhou em jornais diários, revistas semanais e podcasts. Quando criança, desmontava os brinquedos para tentar entender como eles funcionavam e nunca conseguia montar de volta.

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O Brasil nunca foi um país de entrar em grandes combates com outras nações. Sua participação na Segunda Guerra Mundial foi pontual, atuando apenas no fronte italiano, principalmente na batalha de Monte Castelo. A Guerra do Paraguai é outro ponto de destaque da histórica bélica do nosso país: junto com a Argentina e o Uruguai, o Brasil foi responsável por dizimar entre 60% e 90% da população masculina paraguaia durante os seis anos de conflito. Porém, no cenário atual em que os Estados Unidos quer classificar facções criminosas brasileiras como terroristas (o que poderia justificar uma invasão) e os ânimos bélicos em todo o mundo estão elevados, as forças armadas precisam garantir que sejamos capazes de nos proteger. 

Por isso, o exército entregou ao presidente Lula um plano de R$ 465 bilhões para atualizar os armamentos das forças. Entre a justificativa dada pelos militares está a incapacidade de combater drones como os usados pelos EUA contra o Irã. A “lista de compras” inclui a Sistema de Defesa Aérea Modular Aprimorada (EMADS ou Enhanced Modular Air Defence Solutions, em inglês) e Mísseis CAMM-ER (Common Anti-Air Modular Missile - Extended Range, mísseis modulares comuns antiaéreos de alcance estendido, em tradução livre), ambos fabricados pela MBDA, mísseis tácticos balísticos S+ 100 e drones de modalidades 0, 1, 2 e 3 com capacidades de combate. Entenda um pouco mais das capacidades desses armamentos.  

Defesa antiaérea usa mesmo mísseis de fragatas da Marinha

Produzido por uma joint venture européia, o Sistema EMADS é utilizado para neutralizar ameaça aéreas de média altura (até 15 km), com alcance máximo de 25 km com mísseis CAMM, e de 45 km com armamento de alcance estendido. Os disparos podem alcançar velocidade superior a Mach 2,5 (3087 km/h) O sistema é modular, podendo ser adaptado a diversas situações e pode lançar mísseis em 360º, e possui alta taxa de disparo contra ataques simultâneos.

Os mísseis CAMM já possuem aplicação nas forças armadas brasileiras. Eles são utilizados nas Fragatas Classe Tamandaré da Marinha. A embarcação é resultado de uma parceria da empresa européia TKMS com as brasileiras Embraer Defesa & Segurança e Abaer. A primeira das quatro embarcações foi entregue na última sexta-feira (06/03).

Míssil S+100 aproveita expertise de versões anteriores

Entre os gastos listados, está o desenvolvimento do míssil S+100. Ele se aproveita do conhecimento utilizado no SS-80 para gerar um projétil que consiga alcançar altas velocidades e ter precisão. O SS-80 era capaz de ser teleguiado ou seguir uma trajetória balística, viajando mais rápido até o alvo. Ainda não há informações sobre o alcance do S+100, mas o SS-80 podia viajar entre 20 a 90 km e utiliza o sistema de lançadores múltiplos Astro II, fabricado pela Avibrás.  É esperado que o S+100 tenha interoperabilidade com outros sistemas de lançamento da Avibrás, dando mais opções de defesa ao exército.

Ausência de drones deixa o Brasil desprotegido

A utilização de drones é a grande novidade das guerras. Com usos mais presentes desde a invasão russa Ucrânia, vimos a possibilidade de ataque que eles dão aos Estados Unidos, que os utilizou na invasão à Venezuela e no assassinato do aiatolá Ali Khamenei, no Irã. Atualmente, as forças armadas brasileiras não contam com drones em seu arsenal. Para resolver isso, o plano é comprar modelos já fabricados dentro e fora do país e desenvolver no exército brasileiro nossos próprios drones. Segundo informações publicadas pelo Estadão, seriam investidos mais de R$ 3,7 bilhões nisso. 

Na lista de compras, aparecem drones das modalidades 0, 1, 2 e 3. Eles são divididos de acordo com capacidade de carga e missão. Os da categoria 0 pesam menos de 2 kg; os da 1, entre 2 kg e 150 kg. Fabricantes desses tipos de drones já se apresentaram ao Exército e afirmaram ter estoque para pronta entrega. Os da categoria 2 e 3 pesam entre 150 kg e 600 kg, e mais que 600 kg, respectivamente. 

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