A invasão está aqui: China deve entregar 50.000 robôs humanóides até o fim do ano

O início da implementação se concentra em fábricas, logística, lojas e serviços comerciais, não em residências

Robôs humanóides
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Quando pensamos em robôs humanoides, é fácil que o primeiro nome que apareça seja o Optimus. A Tesla conseguiu instalar seu robô no imaginário tecnológico antes mesmo de transformá-lo em um produto que qualquer pessoa possa comprar. Mas aí está justamente o detalhe que torna essa história interessante: enquanto o robô da empresa liderada por Elon Musk ainda aguarda uma venda ao público, alguns fabricantes chineses já estão mais próximos de usos comerciais concretos. O que vimos em feiras, eventos e primeiros desdobramentos aponta para uma corrida que começa a ser medida menos pela promessa e mais pela implementação.

O sinal mais claro vem do banco norte-americano Morgan Stanley, que elevou pela segunda vez neste ano sua previsão de entregas de robôs humanoides na China e projeta que sejam alcançadas 50.000 unidades em 2026. O número quase duplica a estimativa anterior, de 28.000 unidades, e deixa ainda mais distante a primeira previsão de janeiro, quando falava em 14.000. O ajuste não é pequeno: em poucos meses, a instituição passou de uma expectativa prudente para uma leitura muito mais ambiciosa do ritmo que o setor está assumindo.

A previsão da Morgan Stanley não mistura todos os cenários. O cálculo inclui apenas vendas externas e deixa de fora robôs produzidos para protótipos, testes de pré-venda ou uso interno — um detalhe importante quando falamos de uma indústria ainda em fase inicial de implantação. O banco estima ainda que o mercado chinês de humanóides alcançará 2 bilhões de dólares em 2026 e crescerá até 15 bilhões em 2030. Até lá, suas previsões apontam para 446.000 envios anuais.

A mudança de ritmo

A Morgan Stanley atribui essa revisão a uma combinação de fatores que vai além do interesse de investidores. Em uma nota citada pela CNBC, Sheng Zhong resume assim: “A verificação comercial, o apoio político e a resposta da cadeia de suprimentos apontam para uma adoção mais rápida dos humanóides na China”. A frase condensa bem o ponto central: não se trata apenas de robôs que chamam atenção em feiras, mas de sinais comerciais, respaldo público e fornecedores capazes de responder.

O banco enxerga sinais mais claros em fábricas e logística, mas também em lojas sem atendimento, serviços comerciais interativos, restaurantes e lojas de conveniência. Faz sentido: são cenários em que as tarefas podem ser mais bem definidas, o ambiente é mais controlável e o retorno econômico é mais fácil de medir.

O contexto de fundo é mais amplo do que a revisão deste ano. A Morgan Stanley Research estima que o mercado global de humanóides pode ultrapassar 5 trilhões de dólares em 2050, incluindo vendas, cadeias de suprimentos, reparo, manutenção e suporte. Também projeta mais de 1 bilhão de robôs humanóides em uso até lá, com cerca de 90% destinados a tarefas industriais e comerciais. A ideia se encaixa no que estamos vendo na China: não apenas modelos de IA em tela, mas sistemas físicos capazes de atuar em ambientes reais.

Imagens | UBTECH

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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