Achávamos que o novo Pix seria totalmente seguro, mas fomos enganados: a mudança obrigatória que esconde um perigo para o seu dinheiro

Tecnologia que promete proteger transações também pode ser explorada por criminosos

Homem desbloqueando celular por biometria facial
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

O sistema "Pix" foi criado com um objetivo claro: tornar as transações financeiras mais rápidas, práticas e seguras. Com a evolução da tecnologia e a chegada de novas funcionalidades — como o uso da biometria para autenticação — a expectativa era de que o sistema se tornasse ainda mais protegido contra fraudes.

Apesar disso, especialistas em segurança digital alertam que essa percepção pode ser enganosa. O avanço da inteligência artificial está transformando justamente essa camada de segurança em um novo ponto de vulnerabilidade.

Biometria promete mais praticidade e segurança

A autenticação por biometria, como reconhecimento facial ou digital, foi adotada como uma forma de substituir senhas e códigos, considerados mais vulneráveis a vazamentos e ataques.

Na prática, ela funciona como uma “chave única”: o próprio corpo do usuário se torna o meio de validação. Isso reduz etapas no processo e dificulta acessos não autorizados.

A biometria é vista como uma solução para agilizar transferências e reforçar a identidade do usuário. No entanto, a mesma característica que a torna prática também cria um novo risco.

Celular sendo desbloqueado por biometria. Biometria deve ser utilizada um fator adicional de segurança. Foto: Unsplash

Inteligência Artificial se tornou ferrmenta para fraudes

Segundo explica Tonimar Dal Aba, gerente técnico da ManageEngine, o principal ponto de atenção está no avanço de ferramentas baseadas em IA.

Ataques com deepfakes — vídeos, imagens ou áudios falsos gerados artificialmente — estão se tornando mais sofisticados e acessíveis. Dados recentes mostram que esse tipo de fraude cresceu 126% no Brasil em 2025.

Na prática, isso significa que criminosos conseguem simular rostos e expressões com precisão suficiente para enganar sistemas de reconhecimento facial.

Diferente das senhas, biometria é insubstituível

Diferente de senhas e códigos, que podem ser alterados após um vazamento, a biometria é algo permanente

“O grande desafio é que, ao contrário de uma senha, a biometria não pode ser alterada. Se um dado biométrico for comprometido, o impacto pode ser permanente”, explica Tonimar. 

Ou seja, se um dado biométrico for comprometido — por vazamento ou fraude — ele não pode ser “resetado”. Enquanto um incidente podia ser resolvido com a troca de senha, agora existe o risco de exposição contínua de um identificador insubstituível.

Apesar disso, Del Alba explica que a biometria pode ser utilizada em conjunto com outros métodos de autenticação, trazendo mais segurança aos aplicativos e transações.

“É importante ressaltar que, se utilizada em conjunto com outros fatores de autenticação, ela confere mais camadas de proteção ao usuário, trazendo benefícios que evitam problemas de vazamento de dados e auxiliam na blindagem contra invasões.”

Como os golpes acontecem na prática

Os ataques não dependem apenas de tecnologia avançada — Tonimar explica que eles combinam IA com engenharia social.

Entre os golpes já identificados, destacam-se:

  • Uso de fotos reais para abrir contas ou solicitar crédito;
  • Criação de documentos falsos com imagens manipuladas por IA;
  • Deepfakes em tempo real para burlar verificações em aplicativos bancários;
  • Malware especializado em capturar dados biométricos.

Um dos exemplos mais recentes envolve o chamado “Picareta de ouro”, um tipo de vírus que utiliza inteligência artificial para capturar a biometria facial da vítima sem que ela perceba.

Em muitos casos, os criminosos se passam por funcionários de bancos, recrutadores ou até agentes públicos para convencer as vítimas a enviar imagens ou realizar validações falsas.

“Os principais golpes biométricos observados no Brasil incluem o uso de fotos das vítimas para abrir contas ou contratar empréstimos. Elas são obtidas por criminosos que se passam por funcionários de bancos, agentes de saúde e até mesmo recrutadores de emprego”, detalha o especialista.  

Onde estão as maiores vulnerabilidades

As tecnologias mais expostas são justamente as mais populares: sistemas de reconhecimento facial utilizados em aplicativos bancários, desbloqueio de celulares e autenticação de identidade.

“As principais tecnologias vulneráveis a fraudes por biometria são aquelas que dependem de reconhecimento facial, pois com o avanço da tecnologia e da IA, os cibercriminosos estão conseguindo burlar essa camada de segurança por meio de fotos e vídeos enganosos”, explica.

Isso inclui processos como:

  • Abertura de contas;
  • Recuperação de senha;
  • Autorização de transferências;
  • Acesso a serviços digitais.

Além do setor financeiro, outras áreas podem impactadas. Plataformas governamentais, como o gov.br, também têm sido alvo de tentativas de fraude, especialmente contra idosos.

Setores como telecomunicações e controle de acesso físico (condomínios e empresas) também podem ser alvo, com riscos que vão desde roubo de dados até invasões físicas.

Boas práticas podem reduzir os riscos

Com a praticidade da autenticação biométrica, usuários podem passar a ignorar outras medidas de segurança. Isso pode levar ao abandono de práticas essenciais, como o uso de senhas fortes e autenticação em múltiplas etapas.

Biometria Especialistas recomendam utilizar autenticação em múltiplas para aumentar a proteção. Foto:Shutterstock

Segundo Tonimar Dal Aba, esse comportamento cria um cenário perigoso, em que uma única camada passa a concentrar toda a segurança do usuário.

Diante desse cenário, o especialista defende que a segurança seja feita com múltiplas camadas. Para empresas, isso inclui:

  • Autenticação multifator;
  • Validação de dispositivos;
  • Análise de geolocalização;
  • Uso de IA para detecção de fraudes;

Para usuários, as recomendações são  comportamentais:

  • Desconfiar de solicitações de envio de fotos ou vídeos;
  • Evitar compartilhar dados sensíveis por mensagens ou redes sociais;
  • Utilizar apenas aplicativos e sites oficiais;
  • Manter múltiplos fatores de autenticação sempre ativos.
“Além disso, é crucial a necessidade da conscientização sobre os principais meios de ação dos criminosos hoje em dia para que, assim, os usuários consigam identificar e evitar golpes. Educar a população sobre segurança digital pode ajudá-la a evitar armadilhas que ocorrem em todas as indústrias”, explica Tonimar.

Foto de capa: Shutterstock

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