Mineira de 11 anos inventou uma nova forma de calcular a raiz quadrada, foi parar em revistas especializadas e deixou a elite da matemática mundial perplexa

Ideia surgiu durante uma aula em Minas Gerais, virou artigo científico publicado e surpreendeu ao apresentar uma abordagem inédita para encontrar raízes quadradas

Julia e seu professor à frente de um quadro branco.
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Raiz quadrada costuma ser um dos temas que mais intimidam estudantes durante a vida escolar. Em geral, o cálculo envolve decomposição, aproximações ou tentativas até encontrar o número correto.

Mas uma estudante mineira de apenas 11 anos encontrou um caminho diferente.

Júlia Pimenta Ferreira, aluna do ensino fundamental em Minas Gerais, desenvolveu uma lógica alternativa para calcular raízes quadradas durante uma aula de matemática. A ideia chamou tanta atenção do professor Frederico Ferreira que acabou sendo transformada em uma fórmula matemática publicada em uma revista científica especializada.

O caso rapidamente repercutiu entre pesquisadores e professores da área pela simplicidade do raciocínio e pelo fato de a proposta ter surgido de uma criança.

Ideia surgiu durante uma aula de matemática

Segundo o professor Frederico Ferreira, a descoberta aconteceu enquanto a turma estudava métodos tradicionais de raiz quadrada. Júlia percebeu que existia um padrão nas sucessões numéricas e propôs um jeito diferente de chegar ao resultado sem depender de múltiplas tentativas.

“Era algo completamente diferente do tradicional e fantástico”, afirmou o professor. “Não era utilizado pelos estudantes, não é ensinado nas escolas, não é ensinado nas faculdades.”

A estudante conta que ficou surpresa ao ver a repercussão da ideia.

“Estou orgulhosa por ter pensado nisso e o Fred ter me escutado”, disse Júlia.

Como funciona o método criado pela estudante

A lógica parte de sucessões matemáticas simples.

No exemplo da raiz quadrada de 144, o cálculo começa escolhendo um número próximo. Nesse caso, 10:

10² = 100

Depois, soma-se o resultado ao número utilizado e ao seu sucessor:

100 + 10 + 11 = 121

O processo continua:

121 + 11 + 12 = 144

Quando o valor original é alcançado, o último número utilizado na soma corresponde à raiz quadrada.

Nesse caso:

144 = 12

A lógica explora uma propriedade conhecida da matemática: a diferença entre quadrados perfeitos consecutivos segue uma sequência de números ímpares crescentes.

Descoberta foi publicada em revista científica

A partir da observação da aluna, o professor desenvolveu uma formalização matemática mais avançada da ideia, nomeada como “Regressão de Júlia”.

O trabalho foi publicado na Revista do Professor de Matemática, catálogo científico especializado em matemática no Brasil, com os nomes de Frederico Ferreira e Júlia Pimenta Ferreira como autores.

A repercussão chamou atenção inclusive de integrantes da comunidade acadêmica.

Segundo Gustavo Araújo, coordenador nacional da Sociedade Brasileira de Matemática, a descoberta pode abrir novos caminhos para o estudo.

“Isso pode, sim, desencadear o estudo de uma teoria mais avançada e possivelmente trazer avanços não somente para a matemática, mas para a comunidade científica como um todo”, afirmou.

Foto de capa: Reprodução/Regressão de Júlia

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