Movimento Stop Killing Games ganha um novo inimigo nos EUA — e ele pode vencer

Casos como encerramento do Ragnarok (bRO) gerariam reembolsos equivalentes aos anos

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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A batalha pela preservação da cultura digital e pelos direitos do consumidor ganhou um novo capítulo dramático. O movimento global Stop Killing Games (SKG), que luta para impedir que editoras transformem jogos comprados em "tijolos" eletrônicos após o desligamento de servidores, está enfrentando uma resistência feroz da Entertainment Software Association (ESA), o lobby mais poderoso da indústria de jogos em Washington.

O epicentro do conflito nos Estados Unidos é o projeto de lei AB 1921, na Califórnia. A proposta exige que, a partir de 2027, as empresas notifiquem o desligamento de servidores com 60 dias de antecedência, interrompam as vendas e forneçam uma solução para que o título continue funcional — seja através de modos offline ou permitindo servidores privados.

O argumento da indústria vs. Direito de Propriedade

https://www.reddit.com/r/StopKillingGames/comments/1t9ne7c/the_industry_is_lobbying_against_stop_killing/?utm_source=embedv2&utm_medium=post_embed&utm_content=whitespace&embed_host_url=https%3A%2F%2Fwww.techspot.com%2Fnews%2F112369-fight-stop-publishers-bricking-games-shutting-down-servers.html

A ESA contra-atacou afirmando que o projeto demonstra uma "incompreensão técnica" da indústria e que as exigências poderiam sufocar a inovação. Além disso, o lobby se apoia em decisões judiciais que classificam jogos digitais como licenças de uso, e não propriedade real do usuário.

A SKG, por outro lado, rebate que não se pede a manutenção eterna de servidores oficiais, mas apenas que o software não seja destruído propositalmente. O movimento ganhou força após a Ubisoft inutilizar o jogo The Crew para 12 milhões de compradores, sob a polêmica justificativa de que os jogadores deveriam se acostumar a "não possuir seus jogos".

O reflexo no Brasil com fim do bRO

A urgência dessa legislação se torna evidente com casos recentes e dolorosos para a comunidade brasileira. O anúncio do encerramento oficial do Ragnarök Online Brasil (bRO) para o dia 29 de julho de 2026 ilustra perfeitamente o cenário combatido pelo movimento.

Diferente de casos onde há migração de contas ou compensações, o fechamento do bRO deixará órfãos milhares de jogadores que investiram tempo e dinheiro real em itens virtuais ao longo de décadas.

Sem mecanismos previstos em lei para a devolução de valores ou a disponibilização de uma versão que permita o acesso aos personagens de forma offline ou privada, todo o investimento e a história dos jogadores brasileiros serão simplesmente apagados.

Créditos não gastos poderão ser transferidos para Ragnarok Online Latam, assim como os dias VIP, mas o tempo e esforço dos players, com itens, conquistas e tudo o mais serão perdidos.

Avanços na Europa e o futuro da preservação

Enquanto nos EUA a luta é estado a estado, na Europa o movimento já conta com mais de um milhão de assinaturas verificadas e foi apresentado ao Parlamento Europeu, que analisa regras unificadas para o bloco.

A pressão parece estar surtindo efeito em algumas gigantes; após processos judiciais, a própria Ubisoft recuou em declarações recentes e prometeu incluir modos offline em seus futuros títulos. 

O objetivo do Stop Killing Games é garantir que, no futuro, o fechamento de um servidor não signifique o extermínio de uma obra cultural ou o prejuízo financeiro total do consumidor.

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