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A DHL da Alemanha começou a operar o caminhão elétrico chinês eTopas 600, montado na Áustria, com parâmetros semelhantes aos do Mercedes eActros 600

Com bateria semelhante à do Mercedes eActros 600 e recarga de 660 kW, modelo chinês já roda em operações da DHL e aposta na montagem europeia para conquistar o mercado

Caminhao Eletrico Chines
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A DHL começou a testar em suas operações o eTopas 600, caminhão elétrico da fabricante chinesa SuperPanther que é montado na Áustria e chega ao mercado europeu para disputar espaço com modelos de marcas tradicionais, como a Mercedes-Benz. Com capacidade para transportar até 42 toneladas de peso bruto total e autonomia anunciada de aproximadamente 600 km, o veículo combina tecnologia chinesa com componentes de fornecedores europeus. 

A semelhança com o Mercedes-Benz eActros 600 não é visto apenas no nome: os dois modelos utilizam baterias de 621 kWh fornecidas pela CATL, segundo informações sobre o projeto. Depois de um teste inicial na Áustria, o eTopas 600 também passou a operar na Holanda e na Bélgica, em rotas logísticas da DHL. A estratégia da SuperPanther é aposta na montagem na Europa para atrair clientes, mas a expansão dos caminhões elétricos ainda depende de uma rede de recarga que consiga atender às necessidades do transporte de cargas.

Caminhão chinês é equipado com bateria de 621 kWh e recarga de alta potência

O eTopas 600 reúne especificações próximas às do eActros 600, um dos modelos elétricos da Mercedes-Benz. A fabricante chinesa SuperPanther, fundada em 2022, desenvolveu o veículo com uma plataforma de propulsão própria e contou com fornecedores europeus para parte dos componentes e da tecnologia embarcada. A montagem do veículo ocorre na fábrica da Steyr Automotive, na Áustria, por meio do sistema CKD (Completely Knocked Down), em que componentes produzidos previamente são enviados para a montagem final. Isso permite à empresa fabricar o caminhão na Europa sem precisar desenvolver toda a cadeia industrial no continente.

A bateria é um dos principais pontos de aproximação com o modelo da MErcedes. Com capacidade de 621 kWh e química de fosfato de ferro-lítio (LFP), ela é fornecida pela chinesa CATL. Representantes da SuperPanther afirmaram que o conjunto é essencialmente idêntico ao utilizado no eActros 600. Confira as principais características do caminhão elétrico chinês:

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  • Autonomia: aproximadamente 600 km anunciados, com estimativas de 500 a 560 km em comparações entre os modelos;
  • Bateria: 621 kWh, com tecnologia LFP e fornecimento da CATL;
  • Potência nominal: cerca de 536 cv;
  • Capacidade de recarga: até 660 kW, utilizando duas conexões CCS de 330 kW cada;
  • Tempo de recarga: aproximadamente 38 minutos para passar de 20% a 80% da bateria;
  • Peso bruto total combinado: até 42 toneladas;
  • Peso do caminhão: cerca de 10,8 toneladas, conforme os dados divulgados sobre o modelo;
  • Sistema de propulsão: dois motores elétricos, cada um associado a uma transmissão de duas velocidades;
  • Durabilidade anunciada da bateria: até 4.500 ciclos de carga, equivalentes, segundo a fabricante, a cerca de 1,2 milhão de quilômetros ou oito anos de uso;
  • Operação em baixas temperaturas: funcionamento anunciado para condições de até -30 °C.

A recarga é um dos aspectos em que o eTopas 600 apresenta uma solução diferente da Mercedes. O caminhão chinês utiliza duas entradas CCS para alcançar uma potência combinada de 660 kW. Já o eActros 600 conta com uma conexão MCS (Megawatt Charging System), padrão que permite atingir potências de carregamento muito superiores às disponíveis em sistemas convencionais, com capacidade teórica de até 1 MW.

Vale lembrar que a velocidade de recarga depende das condições da estação, da temperatura e do estado da bateria, entre outros fatores. Ainda assim, a possibilidade de recuperar uma parcela significativa da carga em menos de 40 minutos pode ajudar a reduzir as interrupções durante as operações logísticas.

O caminhão elétrico chinês que quer conquistar a Europa já tem uma gigante como cliente

No papel, o eTopas 600 tem números que o colocam lado a lado com caminhões de marcas tradicionais. Mas, para convencer o mercado europeu, a SuperPanther precisa mostrar que o modelo também dá conta do recado nas estradas. A empresa de logística iniciou os testes com uma unidade na Áustria, onde o caminhão rodou durante duas semanas e percorreu 1.900 km.

Nesse período, o veículo registrou uma média de 238 km por dia e consumo de eletricidade de 102 kWh a cada 100 km. O resultado ficou próximo dos números observados em condições reais com o Mercedes eActros 600, indicando que o modelo chinês apresenta um consumo compatível com o de um concorrente europeu de referência.

Em setembro de 2026, outra unidade foi incorporada às operações da DHL na Holanda, com trajetos que também incluem a Bélgica. Nesse caso, o caminhão percorre aproximadamente 2.000 km por semana, em rotas variáveis que exigem planejamento de recarga e uso frequente da autonomia disponível. Os testes também têm um papel comercial para a SuperPanther. Demonstrar que o veículo consegue atender às necessidades de uma grande empresa de logística pode ajudar a convencer outros operadores de transporte a considerar a compra de um caminhão elétrico de uma fabricante relativamente nova no mercado.

A empresa também aposta na combinação entre desenvolvimento chinês e presença industrial europeia. Parte da tecnologia vem de fornecedores como ZF, Schaeffler, Infineon e Continental, enquanto a montagem na Áustria aproxima a produção dos clientes e das operações locais. A iniciativa, porém, enfrenta um obstáculo que não depende apenas do desempenho dos veículos. Na Alemanha, os caminhões elétricos pesados ainda representam menos de 1% da frota em circulação, segundo os dados da Associação Federal de Transporte Rodoviário, Logística e Gestão de Resíduos (BGL). 

Isso significa que uma autonomia elevada e uma bateria capaz de receber energia rapidamente não resolvem, por si só, o desafio da eletrificação do transporte de cargas. Os operadores precisam encontrar pontos de recarga compatíveis com caminhões pesados e integrá-los a rotas que permitam cumprir prazos sem comprometer a produtividade.

 


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