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Cientistas descobriram, fora do Sistema Solar, planetas que podem ser mais propícios à vida do que a Terra

Cientistas investigam se planetas maiores que a Terra, orbitando estrelas mais estáveis que o Sol, podem oferecer condições ideais para a vida

Planetas
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

A Terra reúne condições essenciais para a vida, mas agora, cientistas investigam a existência de planetas super-habitáveis — que poderiam oferecer condições ainda mais favoráveis à vida e permitir que ela persistisse por mais tempo do que em nosso planeta.

A hipótese muda a perspectiva tradicional da busca por vida extraterrestre: em vez de procurar apenas planetas semelhantes à Terra, os pesquisadores tentam identificar ambientes que possam ser mais estáveis, com temperaturas adequadas, água líquida e condições favoráveis à diversidade biológica.

O que são planetas superabitáveis?

O conceito ganhou destaque em um estudo publicado em 2014 pelos astrônomos René Heller e John Armstrong. Os pesquisadores questionaram a ideia de que planetas semelhantes à Terra seriam necessariamente os melhores lugares para encontrar vida.

Uma das possibilidades levantadas é a existência de super-Terras, planetas rochosos maiores e mais massivos que o nosso. 

Em determinadas condições, esses planetas poderiam manter uma atmosfera estável, apresentar oceanos relativamente rasos e reunir ambientes variados, favorecendo a diversidade de organismos. Um campo magnético intenso também poderia ajudar a proteger a atmosfera contra partículas carregadas provenientes do espaço. 

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Entretanto, essas características são hipóteses sobre o que tornaria um planeta mais favorável à vida, e não provas de que esses mundos já foram encontrados com todas essas propriedades.

Estrelas alaranjadas podem oferecer condições melhores

Além das características dos próprios planetas, os cientistas investigam quais estrelas poderiam oferecer condições mais favoráveis à vida. Nesse cenário, as anãs laranjas do tipo K chamam a atenção por consumirem seu combustível mais lentamente e poderem permanecer estáveis por dezenas de bilhões de anos.

Essa longevidade poderia oferecer mais tempo para o surgimento e a evolução de formas de vida. O Sol, por sua vez, tem cerca de cinco bilhões de anos restantes antes de deixar sua atual fase de evolução estelar, enquanto mudanças graduais na luminosidade solar podem tornar a Terra inadequada para muitas formas de vida complexas muito antes disso.

A astrobióloga Iva Vilović também investiga se a luz dessas estrelas pode sustentar a fotossíntese. Em um experimento realizado em laboratório, mudas de agrião cultivadas sob uma iluminação que simulava uma estrela do tipo K cresceram mais rápido e mais altas do que aquelas expostas a uma luz que imitava a solar.

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O resultado sugere que a luz dessas estrelas pode ser compatível com o crescimento de plantas, mas não comprova que exista vegetação em outros planetas. Para isso, seria necessário investigar também a atmosfera, a água disponível e outras condições ambientais.

Novos telescópios devem ajudar a testar a hipótese

A próxima etapa é encontrar e estudar planetas que possam reunir essas características. A missão PLATO, da Agência Espacial Europeia, tem lançamento planejado para 2027 e deverá procurar planetas rochosos em órbita de estrelas próximas, contribuindo para a identificação de candidatos potencialmente habitáveis.

Observatórios mais potentes também poderão investigar a composição das atmosferas desses mundos. Entre eles estão o Telescópio Espacial James Webb, o Telescópio Extremamente Grande (ELT), em construção no Chile, e o futuro Observatório de Mundos Habitáveis da NASA, planejado para a década de 2040.

Esses instrumentos poderão ajudar a procurar moléculas associadas a processos biológicos e a compreender melhor as condições existentes em planetas distantes. 

Ainda assim, nenhum planeta foi confirmado como mais habitável que a Terra: a super-habitabilidade continua sendo uma hipótese científica que precisa ser testada por observações.

A busca amplia a maneira como os astrônomos procuram vida fora do Sistema Solar. Em vez de considerar a Terra como modelo obrigatório, os cientistas investigam se outros tipos de planeta podem oferecer condições ainda mais favoráveis para o surgimento e a permanência de organismos.

Imagem de capa gerada por inteligência artificial.

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