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Engenheiros alemães estão desenvolvendo um ônibus elétrico de longa distância da Setra, que teria autonomia de 500 km e exigiria paradas periódicas para recarregar as baterias

Protótipo da Daimler busca eletrificar viagens rodoviárias de longa distância 

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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

A eletrificação do transporte ainda enfrenta grandes desafios, principalmente nos ônibus de longa distância. Engenheiros da Daimler, na Alemanha, trabalham em um protótipo elétrico da Setra com autonomia estimada de 500 km, alcance que exigiria paradas para recarga em viagens internacionais mais extensas.

O projeto busca adaptar a propulsão elétrica a um tipo de transporte que percorre centenas ou até milhares de quilômetros, muitas vezes com dois motoristas se revezando ao volante. A autonomia prevista ainda fica distante da oferecida por modelos a diesel, mas os testes devem ajudar a avaliar o desempenho das baterias e a viabilidade da tecnologia em condições reais de estrada.

Ônibus a diesel percorrem mais de 1.500 km sem abastecer

A diferença de autonomia é um dos principais obstáculos para a eletrificação desse tipo de veículo. O Setra S 516 HD, modelo a diesel usado como referência no projeto, tem um tanque de 480 litros e pode percorrer entre 1.600 e 1.920 km antes de precisar abastecer, dependendo das condições de uso.

O consumo costuma variar entre 25 e 30 litros a cada 100 km. Com isso, um ônibus elétrico limitado a 500 km de autonomia precisaria parar várias vezes para recarregar em trajetos que os modelos convencionais conseguem fazer com menos interrupções.

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Protótipo foi testado nas rodovias da Alemanha

O desenvolvimento envolve engenheiros da Daimler e pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT), da Universidade de Mannheim e da Universidade Técnica de Kaiserslautern-Landau. 

A empresa de transporte rodoviário Flix também participa do projeto, contribuindo com a experiência de operação em viagens longas. A equipe já levou o primeiro protótipo para as rodovias alemãs. 

Durante o percurso, os participantes avaliaram o conforto dos passageiros, o desempenho da propulsão elétrica, o consumo de energia e a autonomia em condições reais.

Para reproduzir o peso de um ônibus ocupado sem depender de passageiros durante os testes, os engenheiros instalaram reservatórios de água nos assentos, distribuídos de maneira semelhante à ocupação humana.  

Baterias podem ter relação com caminhão elétrico da Mercedes

A Daimler ainda não divulgou todos os detalhes técnicos do projeto. Uma possibilidade é o uso de componentes do Mercedes-Benz eActros 600, caminhão elétrico que utiliza uma bateria de 621 kWh e tem autonomia declarada de aproximadamente 500 km ou mais.

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Embora um ônibus seja consideravelmente mais leve do que um caminhão carregado, sua carroceria mais alta e menos aerodinâmica pode aumentar a resistência do ar e reduzir a eficiência energética. A configuração exata das baterias e dos motores do protótipo da Setra não foi confirmada.  

Aerodinâmica e peso podem aumentar a autonomia

Os engenheiros também estudam mudanças estruturais para melhorar o desempenho dos ônibus. Entre as possibilidades estão o uso de materiais mais leves e alterações aerodinâmicas capazes de reduzir o consumo de energia durante a viagem.

A intenção inicial é trabalhar com uma carroceria convencional, evitando mudanças muito profundas antes de avaliar a aceitação da tecnologia pelo setor. Em etapas futuras, soluções específicas poderão ajudar a ampliar a autonomia e tornar as recargas menos frequentes.

Por enquanto, os 500 km são uma meta de desenvolvimento, e não uma autonomia comercial já comprovada para um modelo disponível no mercado. 

O projeto ainda precisa demonstrar como o ônibus se comporta em diferentes trajetos, com variações de velocidade, relevo, temperatura e lotação. Se a tecnologia avançar, ônibus elétricos de longa distância poderão reduzir o uso de diesel no transporte rodoviário. 

 Imagens: Reprodução/Piata Auto

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