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Você considera a cera de ouvido nojenta? Pois ela evita algo muito pior: a entrada de insetos

A cera nos deu a chave para criar novos inseticidas mais ecológicos

Cera de ouvido
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O cerúmen que se acumula em nossos ouvidos é considerado nojento e desnecessário por muitas pessoas, já que pode se compactar e reduzir nossa capacidade auditiva. Mas, embora para uma boa parte da população a cera de ouvido seja sinônimo de falta de higiene, para a biologia ela é um sofisticado sistema biomecânico de segurança que impede que insetos colonizem nossos ouvidos.

Depois de estudar o cerúmen de nossos ouvidos, os pesquisadores compreenderam a complexa mecânica por trás dele. Isso porque descobriram que ele possui duas propriedades aparentemente contraditórias: é escorregadio e pegajoso ao mesmo tempo.

Para entender como o cerúmen impede a entrada de intrusos, os pesquisadores recorreram à biomimética e a testes comportamentais com formigas. Afinal, é importante lembrar que os insetos são escaladores excepcionais graças às pequenas gotas adesivas que secretam em suas patas, permitindo que desafiem a gravidade e caminhem por tetos ou paredes verticais.

Mas o canal auditivo é um ambiente hostil, já que o cerúmen é uma substância hidrofílica, porosa e viscoelástica. Dessa forma, quando um inseto tenta caminhar sobre uma camada lisa de cerúmen, ele cai imediatamente, pois os microporos da cera absorvem os fluidos adesivos secretados pelo próprio inseto, anulando sua capacidade de aderência.

Em superfícies onde o cerúmen era mais áspero, os insetos conseguiam cravar suas garras para avançar um pouco, mas acabavam ficando mais lentos e presos pela viscosidade do material. Ou seja, o ouvido neutraliza o "superpoder" adesivo dos insetos usando a própria biologia deles contra eles.

O fascínio pelo cerúmen não surgiu agora para esse grupo de pesquisadores. Já em 2017, demonstrou-se que essa secreção se comporta como um fluido não newtoniano. Isso significa que, em repouso, ela é espessa e densa, mas, quando submetida a uma força, como durante a mastigação, sua viscosidade diminui.

Também sabemos agora que o ciclo de vida do cerúmen dura aproximadamente 10 semanas, pois, durante todo o período em que permanece no ouvido, ele perde água e se torna cada vez mais quebradiço. Isso é fundamental, já que permite que ele acabe se desprendendo sozinho, levando consigo a sujeira, as células mortas e os insetos presos.

Compreender a dinâmica do cerúmen não é apenas um exercício de curiosidade acadêmica. A equipe sugere que essas descobertas abrem caminho para uma nova geração de inseticidas menos químicos.

É importante destacar que, se conseguirmos reproduzir artificialmente essa estrutura hidrofílica e porosa, capaz de neutralizar os fluidos adesivos dos insetos sem recorrer a substâncias tóxicas, poderemos desenvolver revestimentos protetores mais seguros e sustentáveis para a agricultura e o ambiente doméstico.

Imagem | Isabela Drasovean (Unsplash)

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha.


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