OpenAI já representa 11% da receita da Microsoft — e isso é uma boa e uma má notícia

A Microsoft divulgou resultados financeiros sólidos e tranquilizadores para o primeiro trimestre fiscal de 2027 — tranquilizadores para os investidores, claro, já que os números chegam logo após a empresa "convidar" 60.000 funcionários a deixarem seus cargos

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Bárbara Castro

Redatora

A Microsoft encerrou o primeiro trimestre fiscal de 2027 com lucros em alta, aceleração no Azure e um fluxo de caixa que muitas gigantes da tecnologia invejariam em meio a um enorme gasto em IA. Esses números consistentes, como era de se esperar, acalmaram parte do nervosismo generalizado dos investidores quanto ao custo de desenvolvimento da inteligência artificial. Além disso, dois pontos se destacam: o investimento na OpenAI rendeu uma quantia expressiva aos cofres da empresa, e o balanço foi divulgado logo após a gigante ter convidado cerca de 60.000 funcionários a se demitirem.

As cifras que surpreenderam Wall Street

De acordo com a apresentação de resultados, a receita da companhia neste trimestre atingiu US$ 92,3 bilhões — um salto de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior e acima das projeções do mercado financeiro, como apontam analistas do The Wall Street Journal. Já o lucro líquido avançou 32%, totalizando US$ 36,6 bilhões, o que corresponde a US$ 4,92 por ação.

Em meio às dúvidas do mercado sobre se investimentos na casa das centenas de bilhões de dólares em inteligência artificial trarão retorno, a Microsoft deu uma resposta contundente. O alívio, contudo, não veio diretamente de soluções autônomas de IA, mas sim do Azure. A infraestrutura de computação em nuvem cresceu 48%, gerando US$ 33,2 bilhões e superando a marca de 43% vista no trimestre anterior. Ao todo, a divisão Microsoft Cloud, que engloba o Azure e as ferramentas corporativas do Microsoft 365, arrecadou US$ 63,9 bilhões, um aumento anual de 30%.

Reorganização das divisões e novo foco

Como havia detalhado Satya Nadella, CEO da organização, em sua carta anual aos acionistas, a forma de reportar os números mudou. A estrutura agora se divide em dois segmentos principais: “Agentes e Infraestrutura” e “Dispositivos e Consumo”. Nessa nova configuração, a companhia passou a expor os ganhos do Azure em valores nominais de dólares — e não apenas a porcentagem de crescimento —, facilitando a comparação direta com concorrentes como Amazon Web Services e Google Cloud, além de valorizar o serviço que vem sustentando os custos pesados da IA.

Sob esse formato, a divisão de Agentes e Infraestrutura — que abrange o Azure, o Microsoft 365 e sistemas de servidores — faturou US$ 76,8 bilhões, um avanço de 25%. Por outro lado, a área de Dispositivos e Consumo, responsável pelas operações do Windows, Xbox e publicidade em buscas, registrou US$ 15,5 bilhões, amargando uma retração de 3%.

O peso e os riscos da parceria com a OpenAI

A empresa revelou também que os acordos comerciais firmados com a OpenAI, incluindo modelos de divisão de receitas, injetaram US$ 10 bilhões no trimestre. Essa quantia já representa cerca de 11% de todas as vendas corporativas, contra aproximadamente 7% no ano fiscal que se encerrou em junho, segundo informa a Bloomberg.

O dado expõe o nível de dependência que a gigante de Redmond construiu em torno de sua aliada de IA — uma aliança que nasceu estreita, mas que vem enfrentando atritos nos bastidores. A parceria entre as duas passou por uma reestruturação em abril, após a criadora do ChatGPT se transformar em uma entidade com fins lucrativos. Na transação, a dona do Windows garantiu uma fatia na OpenAI avaliada em cerca de US$ 135 bilhões, garantindo acesso às inovações tecnológicas do laboratório até 2032.

Investimentos em alta e fôlego no caixa

Os investimentos em bens de capital (CapEx) subiram perto de 30%, atingindo US$ 45,2 bilhões — patamar abaixo das projeções originais da própria empresa devido a atrasos na entrega de infraestruturas terceirizadas, segundo Jonathan Neilson, líder de relações com investidores. Mesmo assim, o fluxo de caixa livre atingiu US$ 18,6 bilhões, superando em cerca de US$ 10 bilhões as projeções do mercado, conforme destaca a Reuters.

Durante o período, a Microsoft adicionou 24 novos centros de dados espalhados por cinco continentes. A diretora financeira, Amy Hood, alertou que os aportes de capital devem superar US$ 50 bilhões no trimestre seguinte.

O fôlego financeiro coloca a empresa em vantagem expressiva diante da concorrência. A Alphabet (dona do Google) apurou um fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,07 bilhões, enquanto a Meta gastou mais recursos do que gerou — evento inédito na história da criadora do Facebook em mais de uma década.

Pressão sobre Windows, Xbox e cortes na equipe

Em contrapartida, as receitas ligadas a dispositivos e licenças OEM do Windows despencaram 22%. A empresa justificou a retração pela antecipação de compras antes do fim do suporte ao Windows 10, estoques altos no canal e um mercado de PCs enfraquecido, de acordo com o The Verge.

A linha Xbox também segue em desaceleração, com faturamento em queda de 2%. Na tentativa de reorganizar suas despesas, a administração propôs planos de demissão com indenização direcionados a cerca de 60.000 funcionários — quase 25% de todo o seu quadro mundial. Um porta-voz declarou que a diretoria prevê uma adesão voluntária entre 3% e 5% (menos de 3.000 profissionais). O futuro dos outros 57.000 postos de trabalho segue incerto.

O que esperar daqui para frente

Para o trimestre atual, a Microsoft projeta receitas entre US$ 96 bilhões e US$ 97,1 bilhões, esperando que o Azure mantenha uma expansão vigorosa entre 49% e 50%. Em teleconferência com acionistas, Amy Hood ressaltou que a organização pretende manter o fluxo de caixa livre no positivo ao longo de todo o ano fiscal de 2027 e buscará captações externas somente “quando acreditarmos que for financeiramente atrativo”, segundo reportou a Bloomberg.

Matéria traduzida de Xataka*

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