Um ataque hacker histórico de criptomoedas evapora mais de US$ 2 bilhões das carteiras da Binance

A Binance apura movimentações suspeitas enquanto garante a integridade dos saldos dos clientes, ao mesmo tempo em que emissores de stablecoins congelam bilhões de dólares ligados ao caso

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Bárbara Castro

Redatora

Confiar nossas criptomoedas em uma plataforma de negociação significa assumir que alguém será capaz de protegê-las 24 horas por dia. É uma responsabilidade gigantesca, especialmente quando falamos de empresas que custodiam ativos avaliados em bilhões de dólares. Por isso, quando surgem movimentações extraordinárias em suas carteiras, as dúvidas aparecem de imediato — e o mercado exige respostas rápidas.

É exatamente essa a situação em torno da Binance, a maior exchange de criptomoedas do mundo. Segundo o The Information, neste dia 29 de outubro, uma análise de transações na blockchain detectou a saída de diversos criptoativos avaliados em mais de US$ 2 bilhões de carteiras vinculadas à empresa. O fluxo atípico levantou suspeitas de uma grande invasão, e a companhia reconheceu publicamente que suas equipes de segurança apuram relatos de vulnerabilidades. Até o momento, porém, a Exchange não confirmou ter sofrido um ataque hacker nem detalhou a origem das transferências.

O comunicado da Binance sobre o possível problema de segurança, traduzido automaticamente para o português pelo navegador | Captura: X O comunicado da Binance sobre o possível problema de segurança, traduzido automaticamente para o português pelo navegador | Captura: X

As estimativas sobre a dimensão do suposto incidente variam bastante. O CoinDesk, com base em dados da Arkham Intelligence, calculou em mais de US$ 5,7 bilhões o valor dos ativos atribuídos ao suposto invasor, incluindo bitcoin, ether e stablecoins. Já o The Block documentou cerca de US$ 3,55 bilhões recebidos por uma carteira não identificada, enquanto Conor Grogan, diretor da Coinbase, estimou que o total envolvido poderia chegar a US$ 5,8 bilhões.

Changpeng Zhao, cofundador da Binance, se pronuncia sobre o possível ataque hacker à plataforma | Captura do X, traduzida automaticamente para o português pelo navegador Changpeng Zhao, cofundador da Binance, se pronuncia sobre o possível ataque hacker à plataforma | Captura do X, traduzida automaticamente para o português pelo navegador

A Binance tentou acalmar os ânimos enquanto avança nas apurações: garante que os fundos dos clientes estão totalmente seguros, embora ainda não tenha esclarecido o que desencadeou os saques bilionários. Changpeng Zhao, cofundador e ex-CEO da Exchange, foi além e apontou que os indícios sugerem um ataque hacker, embora tenha reforçado que não está mais à frente da gestão e que, como acionista, espera que todos os usuários sejam integralmente respaldados. A empresa dispõe do SAFU, um fundo de emergência avaliado em cerca de US$ 1 bilhão em fevereiro de 2026, mas cujo acionamento ainda não foi anunciado — e que tampouco garante compensação automática.

Uma noite tensa para a Binance e o mercado de criptomoedas

A resposta não ficou restrita à corretora. Paolo Ardoino, CEO da Tether, afirmou que a empresa congelou mais de US$ 1,57 bilhão em USDT associados ao caso. Jeremy Allaire, executivo da Circle, anunciou o bloqueio de mais de US$ 800 milhões em USDC em ação coordenada com as autoridades. Ambas as empresas emitem stablecoins — criptomoedas pareadas ao dólar — e contam com mecanismos técnicos para travar a movimentação desses fundos em endereços específicos.

O painel da Arkham Intelligence agrupa os endereços rotulados como “binance-hacker-1029” e detalha suas criptomoedas | Captura: Arkham Intelligence O painel da Arkham Intelligence agrupa os endereços rotulados como “binance-hacker-1029” e detalha suas criptomoedas | Captura: Arkham Intelligence

O rastro técnico oferece pistas valiosas, mas ainda não traz uma resposta conclusiva. Uma análise feita por Odysseas, fundador da Phylax Systems, correlacionou as transferências de uma carteira identificada como Binance 14 com o EIP-7702, um recurso da rede Ethereum que permite delegar a execução de código a um contrato inteligente via autorização assinada. Sob determinadas falhas, uma permissão concedida de forma indevida possibilitaria a terceiros drenar saldos sem exigir novas assinaturas do titular a cada operação. A investigação segue em aberto para descobrir se houve vazamento de chave privada, golpe de engenharia social ou outra brecha.

O vermelho predomina nas cotações das principais criptomoedas no aplicativo da Binance | Captura: Binance O vermelho predomina nas cotações das principais criptomoedas no aplicativo da Binance | Captura: Binance

O clima de incerteza coincidiu com quedas expressivas nas cotações. O CoinDesk registrou o bitcoin na faixa dos US$ 78.800, com recuos fortes também no Ether e no BNB, ainda que o mercado já operasse em baixa antes das primeiras revelações sobre a possível invasão. Além da volatilidade nos preços, o caso colocou em alerta parceiros comerciais da Binance. É o caso da Ethena, que, segundo o The Information, declarou uma exposição não realizada de US$ 8,8 milhões à plataforma, mas garantiu que os ativos usados como colateral estão sob custódia de terceiros, fora da exchange.

Para colocar o episódio em perspectiva histórica, vale relembrar outros casos de grande magnitude. Em fevereiro de 2025, a Bybit sofreu o roubo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, ataque atribuído pelo FBI a agentes estatais norte-coreanos. Outro episódio marcante ocorreu em 2020: segundo a Arkham Intelligence, cerca de 127.426 bitcoins foram drenados de carteiras ligadas ao grupo de mineração LuBian — valor equivalente na época a US$ 3,5 bilhões —, incidente que nunca chegou a ser assumido em público pelos envolvidos. Se o caso da Binance for confirmado, sua posição no ranking dependerá do valor final comprovado e da metodologia adotada na comparação dos roubos.

Matéria traduzida de Xataka*

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