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Estudos comprovam: café faz bem para a microbiota humana

Os componentes do café não prejudicam nossas bactérias, mas favorecem seu crescimento

Café
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Para muitas pessoas, a manhã não começa até que tomem o primeiro café. Essa bebida, um elemento do ritual matutino de muitos, não é livre de polêmicas, já que é fácil ouvir que tomar café faz mal por causa da cafeína ou até mesmo pelos problemas gastrointestinais que provoca.

Um dos pontos controversos seriam os possíveis malefícios do café à microbiota, a colônia de bactérias que vive dentro do nosso organismo. Mas a realidade é que, longe de ser prejudicial, o café traz muitos benefícios para ela.

Para entender o impacto que nosso café tem no organismo quando o tomamos logo pela manhã, é necessário observar a fisiologia do trato digestivo. Por ali, normalmente encontramos um ambiente extremamente ácido, com um pH em torno de 2,5, projetado para a digestão e a proteção contra patógenos que possam entrar pelo esôfago.

O café tem um pH aproximado de 5, equivalente ao de um tomate ou de uma melancia, que também são ligeiramente ácidos. Portanto, o fato de o café chegar a um estômago vazio não provoca uma alteração ácida extraordinária nem altera drasticamente o ambiente gástrico, tampouco gera um aumento da permeabilidade intestinal. Na verdade, pesquisas indicam que os polifenóis presentes na bebida contribuem para reparar e manter a integridade da barreira intestinal.

Uma vez desfeito o mito de que o café altera nosso pH estomacal, é preciso fazer uma pequena ressalva em relação aos cuidados que devem ser tomados quando já existe uma lesão na mucosa do estômago, como, por exemplo, quando há uma gastrite aguda ou uma úlcera. Nessa situação, os compostos amargos do café podem acabar irritando temporariamente uma barreira já enfraquecida.

No entanto, esse é um problema mecânico de motilidade e sensibilidade gástrica, não um dano intrínseco ao microbioma.

Efeito sobre a microbiota

Diferentemente do que se pensa sobre o café, diversos estudos internacionais demonstraram que o consumo controlado de três xícaras por dia não produz um "dano" ou uma alteração negativa no ecossistema bacteriano. Pelo contrário, observa-se um comportamento semelhante ao dos prebióticos, ou seja, eles fortalecem nossa microbiota.

E isso faz todo o sentido, já que o café conta com ácidos fenólicos, como o ácido clorogênico, e melanoidinas. Esses compostos têm como função estimular o crescimento daquelas bactérias que são "positivas" para nós. E, para dar um exemplo, um estudo de 2024 constatou especificamente que o consumo habitual de café aumentou em até 8 vezes a concentração de Lawsonibacter asaccharolyticus.

Além dessa bactéria, também foi documentado o aumento sistêmico de gêneros como Bifidobacterium, Lactobacillus e Faecalibacterium. Eles são fundamentais na fermentação de substratos e na produção de ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, essenciais para reduzir a inflamação sistêmica e nutrir as células do cólon.

Se deixarmos de lado as bactérias que se beneficiam do consumo habitual de café, é preciso ir para outro ponto muito importante, que é o efeito sobre nossos hormônios. É verdade que a cafeína pode elevar levemente a secreção de cortisol, que é o hormônio do estresse, mas isso é algo que se observou ocorrer apenas em pessoas que não estão acostumadas a tomar café, já que, entre os consumidores habituais, os níveis basais desse hormônio não sofrem alterações relevantes.

No nível celular e genético, a literatura científica moderna também descarta a ideia de dano imunológico. Na verdade, recentemente se observou que os perfis metabólicos dos consumidores de café passam por mudanças protetoras, com um efeito hepatoprotetor, como uma maior resistência ao desenvolvimento da doença hepática gordurosa, além de uma menor lipoperoxidação geral.

Imagem: Catherine Chechun (Pexels)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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