Se eu falar sobre descobertas arqueológicas, é provável que você imagine um cenário o mais profissional possível. Alguns senhores — entre eles, um com um chapéu ao estilo Indiana Jones — chegam com equipamentos incríveis, analisam o terreno e dizem: "Aha! Aqui embaixo está a tumba de Paser, enterrada há 3.000 anos. Comecem a cavar".
Porém, por mais espetacular que isso soe em nossa imaginação, a arqueologia nem sempre funciona assim.
A equipe da Universidade de Leiden, liderada por Carina van den Hoven, descobriu a tumba de Paser de uma maneira bem menos cinematográfica. Eles a encontraram enquanto removiam escombros, temendo que fossem arrastados por uma enxurrada e acabassem danificando outras tumbas próximas. Pode não corresponder aos seus padrões ou à sua imaginação, mas ainda assim é arqueologia.
A descoberta casual da tumba de Paser
A chave da descoberta está justamente nessas chuvas: em uma área propensa a inundações e com fluxos de água capazes de arrasar tumbas que já estavam expostas, a tentativa de criar canais de drenagem revelou o que, muitos anos antes, deslizamentos de terra e água haviam soterrado completamente: um pátio repleto de afrescos, uma capela escavada na rocha e várias câmaras subterrâneas datadas de um período entre 1292 e 1069 a.C.
A descoberta traz à tona duas realidades que se chocam diretamente. Por um lado, a certeza de que ainda há muito a descobrir sobre aquela época na região e de que, diante da escassez de recursos, apenas certos "milagres" — na forma de coincidências — podem nos aproximar de um maior conhecimento sobre civilizações como a do Antigo Egito.
Por outro lado, essa falta de recursos coloca em risco muitas descobertas; uma simples tempestade pode acabar destruindo pinturas ou comprometendo a estabilidade de certas estruturas subterrâneas, caso não haja um trabalho prévio de controle e segurança para evitar tais danos.
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