Em julho de 2016, um vídeo de pouco mais de dois minutos transformou a influenciadora britânica Marina Joyce, então com 19 anos, no centro de uma das maiores teorias conspiratórias já produzidas nas redes sociais. O que começou com um vídeo sobre roupas rapidamente virou uma investigação coletiva sobre um suposto sequestro.
Fãs analisaram cada detalhe das imagens em busca de pistas: o olhar de Marina para fora da câmera, mudanças em sua expressão, marcas nos braços e até um suposto pedido de socorro sussurrado ao fundo. Em poucas horas, a hashtag #SaveMarinaJoyce se espalhou pelo Twitter e chegou a mobilizar a polícia de Londres.
Vídeo de moda virou uma investigação da internet
O estopim foi o vídeo “DATE OUTFIT IDEAS”, publicado por Marina em julho de 2016. A gravação mostrava a jovem apresentando roupas, mas alguns espectadores consideraram seu comportamento estranho.
Internautas passaram a interpretar algumas expressões e gestos da youtuber como sinais de perigo. O fato de Marina olhar repetidamente para fora da câmera foi interpretado como se ela estivesse procurando alguém ou recebendo instruções.
ela vira de costas p mostrar os hematomas na parte de trás do braço e dps faz um olhar de assutada #savemarinajoyce pic.twitter.com/lhMssYNBDY
— rafa biceps archive (@rfl0001) July 27, 2016
Outros usuários afirmaram ter ouvido um “help me” (“me ajude”) em um trecho do vídeo. Também circularam teorias sobre supostos hematomas nos braços da influenciadora. A partir daí, surgiram hipóteses de que ela estaria sendo mantida em cativeiro e obrigada a gravar os próprios vídeos.
Esse "help me" não vai sair da minha cabeça #savemarinajoyce https://t.co/AJA7BtLABP
— ً (@janheeinie) July 27, 2016
A situação ganhou uma dimensão ainda maior quando Marina convidou seus seguidores para um encontro em Bethnal Green, em Londres, nas primeiras horas da manhã. Em vez de um simples encontro com fãs, algumas pessoas passaram a interpretar o convite como uma possível armadilha e pediram que a polícia interviesse
Polícia foi à casa de Marina durante a madrugada
A quantidade de preocupações enviadas às autoridades acabou levando policiais à residência da influenciadora.
Na madrugada de 27 de julho de 2016, agentes fizeram uma verificação de bem-estar na casa de Marina. Depois da visita, a polícia de Enfield publicou que havia encontrado a jovem “segura e bem”.
Apesar disso, em vez de interpretar a visita policial como confirmação de que Marina estava bem, parte dos internautas passou a enxergá-la como uma possível evidência de que havia algo escondido. A teoria ganhou vida própria, com novas “pistas” sendo encontradas em vídeos antigos e publicações nas redes.
Don't try to tell me all of these things are like this for no reason #SaveMarinaJoyce @MarinaJoyce7 pic.twitter.com/ltqmUJ0Exd
— Haroon (@CancelledSzn) July 27, 2016
Marina tentou convencer os fãs de que estava bem
A própria influenciadora apareceu em transmissões ao vivo para tentar tranquilizar os seguidores. Marina afirmou que estava bem e pediu que as pessoas parassem de presumir que ela estava em perigo.
Sobre o suposto “help me”, ela negou ter feito o pedido. Também explicou que as marcas em seus braços estavam relacionadas a um acidente. Mesmo assim, alguns espectadores continuaram procurando sinais escondidos nas falas e no comportamento da jovem.
hj faz um ano do maior papel de trouxa que a internet já fez #savemarinajoyce eu fui pic.twitter.com/ruKVAIReTb
— fran jurídico baitaca (@scalendicy) July 27, 2017
A mãe de Marina também tentou encerrar os rumores e explicou que estava com a filha durante a gravação que deu origem à teoria. Em entrevista ao The Guardian, ela afirmou que as duas ficaram sem entender como um vídeo sobre roupas havia se transformado em uma enorme conspiração.
Atualmente, Joyce acumula quase 200 mil seguidores e ainda compartilha fotos e vídeos nas redes sociais. Fotos: Instagram/@marinamewmeow
O caso de Marina Joyce não terminou com a descoberta de um cativeiro ou de um sequestro. A polícia afirmou que ela estava segura, a própria influenciadora negou estar em perigo e não surgiu evidência pública que confirmasse as teorias de cárcere.
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