Esqueça a ideia de que todos os filhos são iguais, porque a ciência acaba de revelar porque os irmãos mais velhos são biologicamente mais inteligentes

Pesquisas revelam que a diferença entre irmãos mais velhos e caçulas pode começar ainda no primeiro ano de vida, e envolver desde vírus até atenção dos pais

Irmaos brincando
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Durante anos, pesquisadores tentam entender por que irmãos mais velhos costumam apresentar melhor desempenho escolar, salários maiores e até indicadores mais altos de desenvolvimento cognitivo quando comparados aos caçulas. Agora, um estudo internacional publicado pelo IZA Institute of Labor Economics, com dados da Dinamarca, encontrou uma explicação que vai além da educação rígida ou da famosa “responsabilidade de primogênito”: os germes podem ter um papel importante nessa diferença.

Os pesquisadores analisaram registros administrativos de milhares de famílias e descobriram que irmãos mais novos têm de duas a três vezes mais chances de serem hospitalizados por doenças respiratórias graves durante o primeiro ano de vida. Segundo os cientistas, a exposição precoce a infecções pode impactar diretamente o desenvolvimento cerebral infantil, especialmente nos primeiros anos, considerados cruciais para a formação cognitiva.

Mas a biologia não explica tudo. Uma pesquisa publicada no The Quarterly Journal of Economics, com dados populacionais da Noruega, mostra que a ordem de nascimento também influencia na educação, renda e até gravidez na adolescência. E parte dessa diferença pode estar ligada a algo muito mais simples: atenção dos pais.

Os irmãos mais novos adoecem mais cedo — e isso pode afetar o cérebro por anos

A hipótese dos pesquisadores surgiu de uma observação comum dentro das famílias: crianças pequenas ficam doentes com frequência e os irmãos mais velhos podem acabar funcionando como transmissores involuntários de vírus e bactérias para os caçulas, que ainda possuem o sistema imunológico e o cérebro em desenvolvimento. Foi exatamente isso que os dados dinamarqueses revelaram. Antes de completar um ano de idade, os irmãos caçulas apresentaram taxas muito maiores de hospitalização por doenças respiratórias do que os primogênitos. E os efeitos pareciam continuar ao longo da vida.

Segundo os autores, infecções frequentes nos primeiros meses podem afetar o desenvolvimento cerebral de duas formas: causando inflamações que interferem diretamente no cérebro ou desviando energia do organismo para combater doenças em vez de investir no crescimento neurológico. Os impactos aparecem disso só aparecem anos depois. O estudo encontrou relações entre maior exposição precoce a doenças e salários menores na vida adulta, além de pior desempenho educacional e mais problemas crônicos de saúde respiratória e mental.

A atenção dos pais também ajuda a explicar a vantagem dos primogênitos

irmãs se abrançando na praia Estudos indicam que irmãos mais velhos podem levar vantagem cognitiva porque adoecem menos nos primeiros anos de vida e recebem mais atenção exclusiva dos pais durante a infância.

Embora a saúde tenha um peso importante, os pesquisadores acreditam que ela representa apenas parte da diferença entre irmãos mais velhos e mais novos. O restante parece estar ligado ao ambiente dentro de casa. Um levantamento americano sobre o uso do tempo mostrou que filhos mais velhos recebem, em média, entre 20 e 30 minutos extras de “tempo de qualidade” por dia em comparação com os irmãos seguintes quando têm a mesma idade. Parece pouco, mas, ao longo da infância inteira, essa diferença se acumula de forma significativa.

A explicação é relativamente simples: quando o primeiro filho nasce, toda a atenção da casa fica concentrada nele. Já os irmãos mais novos precisam dividir cuidados, estímulos e tempo com outros filhos, especialmente durante os primeiros anos, quando bebês demandam atenção constante.

Pesquisadores afirmam que esse excesso de estímulo nos anos iniciais pode favorecer o desenvolvimento cognitivo dos primogênitos. Isso ajuda a explicar por que estudos populacionais realizados na Noruega encontraram uma tendência consistente: irmãos mais novos costumam abandonar os estudos antes, ganhar menos dinheiro na vida adulta e apresentar resultados educacionais inferiores conforme a ordem de nascimento aumenta.

Com isso, a ciência parece indicar que o “privilégio” dos irmãos mais velhos começa muito antes da escola. Ele pode surgir ainda nos primeiros meses de vida, entre vírus compartilhados dentro de casa e alguns minutos extras de atenção diária.


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