Agricultor colocou 832 painéis solares sobre a plantação e manteve 80% da colheita de milho enquanto produzia eletricidade no mesmo terreno

Instalação foi construída a cerca de 3 metros do solo em uma propriedade de Massachusetts e permitiu manter o cultivo de milho bem abaixo dos módulos fotovoltaicos

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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Uma lavoura de milho em Hadley, Massachusetts, nos Estados Unidos, ganhou uma estrutura incomum: 832 painéis solares instalados em cima das plantas, a aproximadamente 3 metros de altura. O projeto foi concluído em julho de 2023 e ocupa cerca de 0,89 hectares da propriedade do agricultor Joe Czajkowski. Mesmo com os módulos fazendo sombra sobre parte da plantação, o milho cultivado com essa estrutura alcançou cerca de 80% do rendimento registrado nas fileiras sem painéis. A mesma área passou a cumprir duas funções: continuar produzindo alimentos e gerar eletricidade.

Painéis foram elevados para dividir espaço com máquinas e plantações

Para dividir o mesmo espaço com a lavoura, os painéis precisam ser posicionados de maneira estratégica. A estrutura deve permitir a entrada de luz entre os módulos e manter corredores livres para a passagem de tratores e outros equipamentos. Foi esse o caminho adotado na propriedade de Joe, em um projeto desenvolvido em parceria com a Hyperion Systems. Quando estão na posição horizontal, os painéis ficam a aproximadamente 3,05 metros do solo, enquanto as fileiras possuem cerca de 7,9 metros de distância entre os postes.

Os módulos também utilizam rastreadores de eixo único, que movimentam os painéis ao longo do dia. Isso permite que o equipamento agrícola circule em diferentes direções por baixo da estrutura, reduzindo as limitações que uma instalação comum poderia impor ao cultivo. A altura e o espaçamento também são importantes nesse modelo. 

Em sistemas desse tipo, a distribuição da sombra ao longo do dia e do ano pode alterar a quantidade de luz disponível para as plantas, enquanto a posição dos postes interfere diretamente na circulação das máquinas. Por isso, a escolha da cultura, o manejo da lavoura, a irrigação, o acesso para a colheita e o espaço para manobras precisam fazer parte do planejamento desde o início.

A produção de milho caiu, mas o terreno ganhou outra função

A comparação entre as áreas ajuda a entender o que significa o resultado de 80% da colheita. O número não indica que os painéis aumentaram a produtividade do milho, mas que a plantação alcançou aproximadamente quatro quintos do rendimento obtido nas fileiras próximas que permaneceram descobertas. Na prática, houve uma redução de cerca de 20% no rendimento agrícola da área coberta. A diferença, porém, precisa ser analisada junto com a outra atividade que passou a ocupar o mesmo espaço: a geração de eletricidade.

Joe não é proprietário dos equipamentos instalados na lavoura e recebe pelo uso da terra para a atividade energética. Dessa maneira, o terreno deixa de depender exclusivamente da produção agrícola e passa a reunir duas fontes de aproveitamento econômico, ainda que uma delas reduza parte do rendimento da outra. Esse modelo é chamado de agrivoltaico, termo usado para sistemas que funcionam combinando a produção agrícola e geração de energia solar na mesma área. Entre os possíveis benefícios desse arranjo está a diversificação das receitas, embora o resultado financeiro dependa das condições de cada projeto, incluindo contratos, custos e desempenho da lavoura.

A instalação tem potência nominal de aproximadamente 445 quilowatts em corrente contínua. Esse valor representa a capacidade do sistema, e não significa que essa seja a quantidade de energia produzida diariamente. Para medir a geração efetiva, seriam necessários dados de produção em quilowatt-hora ao longo do tempo.

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