Uma professora universitária admite: "não há razão para acreditar que os jovens da Geração Z terão segurança econômica"

  • As palavras de uma professora da Universidade de Nova York ressoam entre seus alunos: se a Geração Z parece desencantada, é porque vislumbra poucas perspectivas de futuro;

  • Entre incertezas econômicas, crise climática e transformações no mundo do trabalho, o otimismo das gerações anteriores já não convence;

  • Essa é uma das grandes divisões geracionais que se observam atualmente

Uma professora universitária admite: "não há razão para acreditar que os jovens da Geração Z terão segurança econômica".
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Fabrício Mainenti

Redator

Pontos-chave

  • Obsolescência do modelo meritocrático: apesquisadora constata que a mobilidade social que ligava estudos à estabilidade está agora travada para a Geração Z, diante do custo de vida e das transformações no mercado de trabalho;
  • Mudança nas práticas de gestão: para fidelizar esses jovens talentos marcados pela ecoansiedade, os líderes precisam abandonar preconceitos e repensar o ambiente de trabalho com foco na empatia e na busca por propósito.

A constatação clara de uma pesquisadora

Segundo Suzy Welch, o contrato moral que ligava estudos, trabalho e estabilidade não se sustenta mais. A professora universitária, que pertence à famosa geração baby boomer, relembra sua juventude. Naquela época, ela sabia que teria, naturalmente, mais dinheiro que seus pais e que, se trabalhasse duro, conseguiria comprar a casa própria.

Hoje, ela enfatiza, essas promessas não são "mais garantidas". Essa mudança de cenário alimenta uma postura mais cautelosa — quase defensiva — entre estudantes que comparam suas vidas atuais, muitas vezes desanimadoras, com as histórias de sucesso de outrora.

Em suas salas de aula, prossegue a professora, o ceticismo dos jovens não é sinônimo de desinteresse, mas sim de um realismo endurecido por crises sucessivas. A Geração Z, atenta a novas questões, questiona qual definição deve ser atribuída à noção sagrada de "progresso".

Qual é o sentido do trabalho? De que adianta se matar de trabalhar se for para destruir o planeta e nunca obter garantias de estabilidade? Essa lucidez, que pode ser confundida com apatia, revela, na visão de Welch, uma forma de vulnerabilidade e tristeza.

Estudos, emprego, promoções: a mobilidade social trava para a Geração Z

O cenário traçado por Suzy Welch é bastante claro: o mundo do trabalho mudou. O modelo clássico de "bons estudos / bom cargo / ascensão interna em uma empresa" não seria "mais uma realidade" em 2025. Em muitas empresas, ondas de demissões atingem a média gerência, reduzindo automaticamente as perspectivas de ascensão da linha de frente... à qual, no entanto, são confiadas mais responsabilidades.

Tudo isso sem contar o impacto que a IA já começa a exercer sobre diversas profissões bem remuneradas.

A isso se soma a disparada do custo de vida. Tanto na França quanto nos Estados Unidos, os preços de moradia e de bens de primeira necessidade sobem muito mais rápido do que os salários. A conta é implacável para os jovens profissionais: mesmo com um cargo qualificado, é muito difícil cogitar a compra da casa própria.

Clima, economia e visão gerencial: da desconfiança à empatia em relação à Geração Z

Além das incertezas econômicas, a preocupação ecológica ocupa um lugar central no imaginário dos mais jovens. Segundo Welch, muitos estudantes estão convencidos de que "algo acontecerá nas próximas décadas" devido ao aquecimento global. Alguns chegam a formular a ideia de que "o mundo provavelmente acabará por causa da estupidez das decisões tomadas pelas gerações anteriores".

Em vez de criticar uma suposta preguiça ou indiferença em relação ao trabalho, Suzy Welch convida os líderes a mudarem sua perspectiva. Ela propõe investigar a origem, a raiz da atitude pela qual os adolescentes e jovens adultos são criticados.

A Geração Z (nascida entre 1997 e 2012) está ingressando em massa no mercado de trabalho e, juntamente com os millennials, deverá representar 74% da força de trabalho até 2030, segundo estimativas da Forrester. 

Compreender as questões que os mobilizam, bem como criar ambientes que atribuam sentido ao esforço e ofereçam trajetórias de progressão realistas, é — na visão da empresa — o caminho para promover uma cooperação mais eficaz, atrair talentos e, sobretudo, retê-los.

Imagem de capa | Magnific

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