Apenas 9% do plástico consegue ser reciclado: relatório diz que campanhas de reciclagem são puro marketing

Reciclagem teria sido apresentada mais como uma estratégia de imagem do que como uma solução técnica viável

Plástico
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

1861 publicaciones de Victor Bianchin

A poluição por plásticos é um dos grandes desafios ambientais. A expansão de produtos fabricados com esse material chegou a tal ponto que levou à detecção de micro e nanoplásticos no corpo humano. Diante desse cenário, durante décadas, promoveu-se uma solução: a reciclagem.

No entanto, um relatório do Center for Climate Integrity apresenta um panorama diferente. O documento, intitulado A fraude da reciclagem de plástico, sustenta que grande parte dos esforços impulsionados desde os anos 80 gerou uma percepção equivocada sobre a eficácia da reciclagem. Em outras palavras: essas campanhas todas não serviram para nada.

Os números refletem a magnitude do problema. Só no México, são geradas anualmente cerca de 5,7 milhões de toneladas de resíduos plásticos, dos quais mais da metade não recebe um manejo adequado. Em nível global, estima-se que apenas 9% do plástico produzido consegue ser reciclado.

O relatório aponta que a indústria do plástico teria promovido ativamente essa percepção de que “o plástico pode ser reciclado” desde os anos 1980. De acordo com Davis Allen, do Centro para a Integridade Climática, a indústria nunca teve como prioridade real a reciclagem. Pelo contrário, tratava-se apenas de implantar uma ideia: “que as pessoas acreditassem que estava funcionando”.

O relatório se apoia em depoimentos e arquivos compilados — que incluem materiais vinculados ao American Chemistry Council —, segundo os quais a reciclagem foi apresentada mais como uma estratégia de imagem do que como uma solução técnica viável.

Entre os argumentos expostos, destaca-se a complexidade do próprio material. O plástico, derivado do petróleo e do gás, existe em múltiplas variantes químicas que dificultam seu processamento conjunto. Como resultado, aumentam os custos e reduz-se a eficiência da reciclagem em larga escala.

Além disso, o impulso de campanhas de reciclagem coincidiu com debates regulatórios nos EUA durante os anos 1980, quando algumas cidades começaram a considerar restrições ao uso de produtos plásticos. Diante dessas iniciativas, a promoção da reciclagem serviu como alternativa para evitar regulamentações mais rígidas.

Ativistas como Jan Dell têm alertado que muitas das soluções tecnológicas atuais propostas pela indústria replicam estratégias levantadas décadas atrás, sem resolver o problema na raiz. Isso acontece ao mesmo tempo em que representantes da indústria rejeitam essas críticas por considerá-las desatualizadas.

Embora defendam que existem avanços nos processos de produção e reciclagem, as projeções apontam que a produção de plástico pode triplicar até 2050. Isso abre espaço para um aumento da pressão sobre os sistemas de gestão de resíduos. Paralelamente, reacende-se o debate sobre o impasse entre estratégias mais eficazes, o discurso publicitário e a correta separação de resíduos por parte da população.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka México.


Inicio