Nada escapa: até mesmo peixes das regiões mais remotas do planeta estão repletos de microplástico

Riscos para a alimentação humana

Plástico na água | Fonte: Unsplash/Naja Bertolt Jensen
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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Nem mesmo os cantos mais isolados do Oceano Pacífico estão a salvo da poluição. Um estudo abrangente publicado na revista PLOS One, revelou que o plástico já se infiltrou silenciosamente na teia alimentar de países insulares como Fiji, Tonga, Tuvalu e Vanuatu. A análise mostra que cerca de um em cada três peixes capturados nessas regiões contém microplásticos.

O cenário é particularmente alarmante em Fiji, onde quase 75% dos peixes analisados apresentaram contaminação — um índice muito superior à média global de 49%. 

O estudo destaca que, embora essas ilhas sejam geograficamente remotas, o rápido crescimento urbano e a gestão limitada de resíduos estão expondo seus ecossistemas a níveis críticos de poluição sintética.

Os peixes de recifes são os mais afetados

A pesquisa, liderada por Jasha Dehm, da Universidade do Pacífico Sul, identificou que o local onde o peixe vive e como ele se alimenta são os principais fatores de risco:

Peixes que buscam alimento no leito oceânico ou vivem em corais têm muito mais chances de ingerir microplásticos do que espécies de mar aberto.

A maioria dos plásticos encontrados eram fibras, sugerindo que a poluição vem de tecidos e equipamentos de pesca, infiltrando-se na dieta básica das comunidades locais.

Enquanto Fiji registrou 75% de contaminação, em Vanuatu o índice foi de apenas 5%, evidenciando como a densidade populacional e o tratamento de lixo impactam diretamente a saúde do mar.

Uma ameaça à segurança alimentar

Para as populações do Pacífico, o peixe não é apenas uma tradição cultural, mas a principal fonte de proteína e renda. A presença de plásticos em espécies fundamentais para a subsistência gera preocupação sobre os riscos a longo prazo para a saúde humana.

Os pesquisadores alertam que a reciclagem e outras soluções "de final de linha" não são suficientes. "Os dados destroem a ilusão de que nosso isolamento oferece proteção", afirma o Dr. Rufino Varea. 

Os cientistas agora usam esses dados para exigir um Tratado Global de Plásticos mais rigoroso, que limite a produção primária de plástico e o uso de aditivos tóxicos, visando proteger a segurança alimentar das nações insulares.

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